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A brutal violência policial sofrida pelas e pelos estudantes da cidade catalã de Valência foi hoje contestada também em Lisboa.
Cerca de 30 pessoas congregaram-se na fronte da embaixada espanhola, estado que administra os Países Catalães e cuja polícia carregou violentamente contra um grupo de estudantes, a maioria menores de idade, faz apenas quatro dias enquanto protestavam pelos cortes em educação.
“O chamam de democracia e não é”, “Isto é uma ditadura” ou “Menos polícia e mais educação” foram os berros que se puderam escutar na Avenida da Liberdade lisboeta, que se sumou aos protestos que estão a pedir a demissão da Delegada do Governo espanhol em Valência e do Ministro do Interior, como responsáveis últimos das atuações policiais.
Mas as e os jovens congregados, que eram de diferentes origens (Catalães, espanhóis, portugueses...), foram, como era previsívei, impedidos de se expressarem. Apesar do pacífico do protesto, no que os manifestaram limitaram-se a cantar e gritar, agentes policiais da PSP apresentaram-se no local com uma carrinha que estacionaram na porta da embaixada, estabelecendo um cordão de oito fardados armados para impedir os e as manifestantes de se achegarem.
Os responsáveis policiais tentaram dissolver a manifestação, chegando a ameaçar com “requerir as identificações”. Um dos policiais chegou mesmo a acusar as manifestantes de provocarem cortes no trânsito, em resposta ao qual o grupo lembrou que “isso é mentira, o corte de tránsito foi quando chegou a carrinha [policial] e estacionou no meio da rua”. Diante da impossibilidade de se manifestarem, as e os congregados reuniram-se para debaterem, sem que no fechamento desta matéria estivessem convocados novos protestos.
Enquanto a PSP ameaça manifestantes, o capitalismo continua a esmagar o sistema educativo público.
Um corte de 10 minutos no tránsito: milhares nas ruas neste momento
Os e as alunos do liceu Lluís Vives manifestavam-se desde o dia 25 de janeiro contra os brutais cortes em educação que governos espanhol e valenciano estão a impor. Como parte do seu protesto, incluíam cada dia um corte de 10 minutos no tránsito da zona.
A polícia achou naquele dia que essa ação bem merecia 26 detenções e dúzias de pessoas feridas, incluindo menores. Imediatamente, uma cascata de solidariedade se espalhou não apenas pelos Países Catalães, mas também a nível internacional. A pouco habitual, por normalmente silenciada, reprodução da brutalidade policial na média comercial de mundial, deu a voz para a convocatória de protestos e mostras de solidariedade.
Milhares saíram nesta tarde às ruas em Valência, igual do que noutras cidades dos países catalães e no estrangeiro. Neste momento, em Madrid a rua Génova –sede do Partido Popular (partido da ultradireita nos governos espanhol e valenciano)- está cortada e custodiada pela polícia para a proteger dos milhares que nesta tarde tomaram as ruas da capital espanhola.


Fotos: 1 - Manifestantes protestam na embaixada espanhola em Lisboa. 2 - Polícias bloqueiam o acesso à sede espanhola. 3 - Protestos em Lisboa. 4 - Polícias evitam manifestantes de se achegarem à embaixada, ameaçando com identificar as e os assistentes.

