Os telegramas revelam que o governo luso não pensava admitir a sua autorização em público.
Os ditos telegramas dão conta da cautela com a que atuou o Executivo português para autorizar ditos voos. As denúncias da existência de prisões clandestinas na Europa (Roménia e Polónia) e de voos secretos da CIA, nos que pres@s de origem árabe, suspeitos de terrorismo, eram transladados clandestinamente em aviões estadounidenses levantava na altura uma grande polémica.
De fato, no documento, enviado dez dias antes de uma reunião entre o então presidente Bush e o primeiro-ministro português faz-se referência "às críticas constantes dos média portugueses e dos elementos esquerdistas do seu próprio partido à actuação do governo na controvérsia dos voos da CIA". Ainda, aponta-se que Lello, deputado do PS, assegurou que os principais líderes do PS, incluindo o primeiro-ministro, "são claramente pró-americanos".
Lello teria falado isso numa reunião na embaixada a janeiro de 2007, na que também estaria presente Paulo Pisco, também deputado do PS. "Lello expressou uma clara aversão a Gomes, embora tenha dito que o PS não pensava em expulsá-la porque seria contraproducente para o partido", escreve Alfred Hoffman.
Lembramos que, perantes as acusações ao Governo de ser cúmplice dos EUA nos voos ilegais da CIA e a suposta violação da soberania portuguesa, a 18 de outubro Amado comparece ante o Parlamento e compromete o seu despedimento se as acusações forem demonstradas. O ministro assegura que uma investigação não encontrou nenhuma evidência. Amado chega a admitir, segundo outro telegrama, que "os supostos voos da CIA poderiam ter sobrevoado Portugal, mas acrescentou que o seu Governo não tem que se envergonhar de nada".
3.000 voos ao ano passaram por Lajes graças a Luis Amado
Luis Amado comprometeu o seu emprego se se demonstrarem as acusações, mas sobretudo, parece que foi um excelente colaborador do regime dos EUA.
Num telegrama enviado para Condolezza Rica, o diplomata americano diz de Amado que é um aliado que "permitiu virtualmente livre acesso ao espaço aéreo e marítimo português para os voos de apoio às operações militares no Iraque e Afeganistão, com uns 3.000 voos ao ano que passavam pela base de Lajes".
Promotor do estado viu-se "forçado" a atuar
O embaixador sublinha que a luz verde de Sócrates nunca se fez pública, e dá conta de que o promotor do Estado "se viu obrigado a analisar uma compilação de notícias de imprensa e acusações não provadas facilitadas por um membro do Parlamento Europeu sobre as operações da CIA através de Portugal".
Ana Gomes, embaixadora na Indonésia e responsável pela revelação dos fatos, foi atacada e humilhada pelas suas acções, procurando a sua desacreditação.
Com informações de Esquerda e El País.
Foto: A prisão ilegal e deshumana de Guantánamo, um crimem do que o Estado português foi cúmplice.


