Entretanto, no Estado espanhol, tanto UGT como CCOO, centrais maioritárias, levavam meses a evitar a convocatória, reclamada por outras centrais menores e por setores das suas bases, perante a ofensiva neoliberal sem precedentes protagonizada pelo governo do Partido Popular no quadro da crise sistémica em curso.
Foi a convocatória portuguesa que despertou, finalmente, os dirigentes sindicais espanhóis da sua letargia, confirmando no dia 19 que CCOO e UGT aderem à iniciativa portuguesa, estendendo assim a greve geral ao conjunto da península Ibérica. Dá-se por certo que na Galiza também a CIG irá aderir à proposta, uma vez que leva meses tentando "convencer" as centrais espanholas da necessidade de uma nova greve geral galega.
Também a Central Europeia de Sindicatos (CES) convocou para a mesma data de 14 de novembro uma "jornada de ação e solidariedade" por um contrato social no continente, o que poderá dar ainda maior dimensão à jornada de luta operária, na tentativa de derrubar as políticas ditas de "austeridade" que a União Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI promocionam desde o início da atual crise.
Convém lembrar que, para além das dinâmicas das centrais de dimensão estatal, no caso do País Basco viveu-se recentemente uma greve geral convocada pela maioria sindical, de caráter nacional basco.
Iniciativa portuguesa com adesão espanhola
A CGTP portuguesa, primeira a lançar a convocatória, tem como objetivo lutar "contra a exploração e o empobrecimento". A Intersindical reafirmou que "Portugal não pode continuar subjugado a um governo que, assumindo a sua natureza de classe ao serviço do grande capital, baseia a sua gestão no agravamento dos sacrifícios impostos aos trabalhadores e ao povo, para satisfazer os interesses privados dos grupos económicos e financeiros." Um discurso bem mais firme que o das sistémicas UGT e CCOO, que no caso do Estado espanhol se limitam a gerir o descontentamento das populações de maneira ordeira e com o intuito declarado de salvar o sistema da grave crise que atravessa.
A taxa de desemprego na União Europeia está em 10,5%, segundo o escritório de estatísticas Eurostat, taxa correspondente a 25,466 milhões de pessoas sem trabalho, 2,170 milhões a mais em 12 meses. A mais alta é justamente a do Estado espanhol, com 25,1%), seguida da Grécia, com 24,4%. Portugal, tradicionalmente com taxas relativamente baixas de desemprego, tem aumentado nos últimos anos até atingir os 15,9%.

