Esses "avisos" serão no âmbito da execução orçamental (que descambou devido à política de austeridade de acordo com a UTAO), das rendas do mercado de energia (que o Governo deixou altas para não afectar os novos accionistas da EDP e o António Mexia) e, o que mais importa aos fiscais estrangeiros, nos cortes no subsídio de desemprego e na contratação colectiva.
Para a troika e para o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas o facto de o subsídio de desemprego ter sido cortado para metade no tempo e em mais de 20% no seu valor ainda não é suficiente e serão necessários mais cortes e mais barbárie. Na verdade, só cerca de 1 em cada 3 desempregados/as tem algum tipo de apoio social e o Governo, tendo em conta o "aviso" da troika, quer um rácio ainda pior.
Sobre a contratação colectiva, o Governo terá de apresentar até ao final do mês legislação que revogue automaticamente todos os instrumentos de contratação colectiva que os patrões e os sindicatos tenham aprovado e, de então em diante, apenas os trabalhadores sindicalizados poderão usufruir das condições negociadas pelos sindicatos. Isto irá destruir a solidariedade entre os trabalhadores e vai poder ser usado como arma de arremesso pelos patrões. Na verdade esta é uma solução que a UGT há muito defende e que a CGTP, e bem, tem recusado.
A troika e o Governo continuam a olhar os trabalhadores e as pessoas desempregadas como o alvo das políticas de austeridade e não apresentam uma única medida para estimular a economia e o emprego. Até parece que são os custos do trabalho em Portugal - um dos mais baixos da UE - é que estão a criar as falências das empresas e não os custos de contexto (energia, água, etc.) e os impostos altíssimos.
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