Afirma D. José: «O nosso ministério é de uma natureza, de uma ordem que pode ficar prejudicada se nós nos metermos na política directa como ela é feita hoje. Ninguém sai de lá com as mãos limpas». Dito assim, com toda a generalidade, é uma tirada fascistóide. “Esquece” que os que se bateram e batem diariamente contra a ordem capitalista vigente, os que não são beneficiários nem cúmplices dessa ordem opressiva, também fazem política. Simplesmente, outra política.
O cardeal de Lisboa perorou também sobre a necessidade dos portugueses ajudarem o Governo a encontrar soluções para sair da crise: “A ideia de que a função dos portugueses é dizer mal dos governos. Não pode ser… O problema não se resolve se cada um puxa a brasa à sua sardinha”, disse, acrescentando que “se nós colaborarmos todos, o próprio Governo encontrará soluções mais adaptadas”. É a já velha e conhecida história da necessidade de colaboração de classes entre os trabalhadores e patronato, entre quem trabalha e quem explora, habitualmente defendida por diversos dirigentes políticos e sindicais burgueses!
D. José Policarpo referiu-se, ainda, ao acordo da troika: “Se precisámos que nos emprestassem biliões temos que aceitar as condições de quem nos empresta e, portanto, esse protocolo é para cumprir. Portugal sempre honrou os seus compromissos”.”O Governo tem uma tarefa muito difícil. Tem um protocolo internacional (o acordo da troika) para cumprir”. Aqui, como já em anteriores declarações, o chefe da Igreja Católica portuguesa subordina-se aos ditames da troika, emparceirando com os partidos – PS, PSD e CDS - que subscreveram o acordo.
Numa situação também difícil para as classes dominantes, o cardeal de Lisboa deixou-se de pseudo - independências e assumiu-se abertamente na defesa dos partidos do capital. Aliás, como o faz a hierarquia da sua Igreja, que procura anestesiar os explorados e oprimidos e levando-os a aceitar pacificamente a perda de direitos e o empobrecimento que o patronato e o governo pretendem impor-lhes.
Foto: Mudar de Vida.


