"Temos uma milícia organizada e armada e batedores por toda a região com licença para matar", pode ler-se num comunicado enviado para a GNR e para a Câmara Municipal de Loulé por uma alegada associação de produtores. O seu alvo é comunidade cigana: "Tolerância zero para quem der trabalho ou permitir acampamento a ciganos. Tolerância zero aos compradores que negoceiam com ciganos e produto roubado". "Se necessário for daremos fogo às viaturas e armazéns dos infractores", avisam no comunicado anónimo.
Segundo a associação de agricultores AGRUPA - Agrupamento de Alfarroba e Amêndoa do Algarve no ano passado uma campanha de vigilância mais intensiva por parte da GNR pôs cobro no terreno às pilhagens.
Da associação AGRUPA fazem parte actualmente cerca de 500 produtores, que apesar de verem o preço da matéria-prima baixar de ano para ano ainda encontram na alfarroba uma das poucas formas de sustento a partir da terra.
É por isso que, embora não subscreva os métodos, Horácio Piedade, vice-presidente da AGRUPA compreende o sentimento dos autores da mensagem. "É a reacção de pessoas revoltadas", constata. "Milícias com licença para matar, já viu o que era?", conclui.


