Pedro Grilo estava acompanhado por mais sete amigos ligados ao movimento "skinhead"e viajou depois do jantar desde a sua casa, em Miratejo, para o Martim Moniz, onde o grupo queria assistir a um concerto, na sede do PSR, de uma banda de amigos, apesar da discordância de princípios com o partido liberal. Impedidos de entrar, o cenário muda rapidamente para uma batalha campal, dos dois lados da Rua da Palma. No meio da confusão, poucos se apercebem que o organizador do concerto, de 34 anos, cai no chão, ferido por uma arma branca directamente no coração. Eram 01h20.
O grupo de "skinheads" foge para as suas casas, na Margem Sul. Fica uma navalha de "ponta-e-mola" na rua.
Com a investigação a cargo do inspector Dias Costa, da Polícia Judiciária de Lisboa, Pedro Grilo é detido horas depois e chega a confessar que, como relata na altura o extinto "O Jornal", pensa que "xinou" alguém. São estas palavras que determinam a sua prisão preventiva, em Caxias, ainda no mês de Outubro, onde ficou até ao julgamento.
Mas Pedro Grilo e o seu advogado tentam desdramatizar e mesmo desmentir a confissão, o que acarreta demoras no processo. Outro ponto quente do caso é, até à leitura da sentença, a arma do crime: a mãe do jovem natural do Laranjeiro entregou a arma que Grilo costumava usar - um canivete com uma lâmina de oito centímetros - e que Pedro confessou trazer consigo nessa noite; uma navalha "ponta-e-mola", com cerca de 15 centímetros de lâmina, fica no chão da Rua da Palma na noite do crime. Nenhuma das duas foi, concluído o processo, considerada a arma do crime.
Foto: Spectrum


