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Aníbal Garzón

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São bem parvos ianques! Obrigado por retornar a unidade ao povo venezuelano!

Aníbal Garzón - Publicado em Sexta, 27 Maio 2011 02:00

Aníbal Garzón

Fora das complexidades sociais de cada estado-nação os conflitos podem ser simplificados acotando as contradições complementares, desde o paradigma marxista, entre burgueses e trabalhadores a nível interno (lutas de classes), e entre impérios e colónias a nível externo (luta da dependência).


Na República Bolivariana da Venezuela atualmente se vive um processo dialético emergente de lutas entre a burguesia histórica transnacional vinculada ao império dos Estados Unidos e o governo reformista de caráter socialista liderado por Hugo Chávez. A contradição principal era entre estes dois atores, onde o povo excluído historicamente, classes baixas, pelo modelo extractivista e neoliberal na antiga IV República de Venezuela após a chegada de Chávez ao governo se inseriu economicamente no sistema político e económico pelas ajudas -chamadas Missões- que começou a receber do Estado. Enquanto a burguesia pró-americana iniciou os seus processos de boicote às mudanças sociais e democráticos que surgiam, como o desemprego de quase três meses na empresa Petróleos da Venezuela (PDVSA) em dezembro de 2002, o golpe de estado em abril de 2002, as suas manipulações informativas nos canais Globovisión e RCTV, e um sem fim de histórias sujas promovidas pela Patronal Fedecámaras. Mesmo assim, o chavismo desde a sua chegada ao governo em dezembro de 1998 continuou governando e continuará se vencer as próximas eleições presidenciais de dezembro de 2012.

Um acontecimento mudou a correlação de forças e o mecanismo dialético de classes entre direita e esquerda. O caso de Joaquín Becerra pela sua extradição da Venezuela à Colômbia gerou um conflito interno dentro da mesma esquerda venezuelana. Não só o aliado eleitoral do Partido Socialista Unido da Venezuela, o Partido Comunista venezuelano, criticou duramente o governo de Chávez, senão muitas associações, como a Coordenadora Simón Bolívar, o Movimento Bolivariano Continental... que respaldam o Presidente Chávez se mobilizaram contra o governo nessa ação, pedindo a demissão do chanceler Nicolás Maduro e o Ministro de Comunicação Andrés Izarra. Aliás, o conflito continuo o seu processo de choque com a expulsão da Diretora de Rádio do Sul comprometida politicamente com o Processo Bolivariano, Cristina Gonzalez[1], e posteriormente de 5 jornalistas da mesma rádio - Aarón Corredor, Freddy Muñoz Altamiranda, Hernán Cano, Marcos Salgado e Ernesto J Navarro -por decisão de Izarra[2] ao dar seguimento aos protestos contra o governo venezuelano sobre o caso Becerra.

Na Venezuela começava-se a pôr em dúvida se Chávez poderia ser reeleito nas eleições presidenciais de dezembro de 2012 pelo descontentamento social que crescia em uma parte da esquerda, e sobretudo a transformação como agenda principal das contradições entre a direita opositora e a esquerda governante chavista em pugnas entre o mesmo governo e movimentos sociais populares, isto é, brigas na mesma esquerda.

Mas por uma vez o governo venezuelano pode "agradecer" aos Estados Unidos "ter-lhe ajudado", sem ter essa intenção, para sair desta crise interna e voltar a fazer uso da tipologia de contradição internacional entre império e colónia acima das contradições nacionais que foram a ponta de debate nestas semanas.

O anúncio recente dos Estados Unidos de impor sanções à empresa nacionalizada de Petróleos da Venezuela (PDVSA), a principal fonte de rendimentos do estado, por comercializar com o Irão[3] foi um jogo errado estratégico do império. Primeiro de tudo, e como sempre, é um inserência mais da sua história nos relacionamentos internacionais igual que o bloqueio de Cuba e as leis Torricelli e Helms Burton, porque cada país tem direito a comerciar com quem quiser e mas ainda se não houver restrições internacionais, tal e como disse o ministro venezuelano de Energia e presidente de PDVSA, Rafael Ramírez, "o imperialismo não é quem decide com quem vamos fazer negócios, senão o Governo e o povo venezuelano". Lembremos que o Irão também comercializa com a China, a Rússia, França, países do Conselho de Segurança da ONU, e inclusive o Israel, o braço direito do império norte-americano. O sociólogo marxista norte-americano, James Petras, apontou que "o mais terrível é que o comércio da Venezuela com o Irão não é ilegal. Só estão a comprar maquinarias para construir moradas e tecnologia para desenvolver o campo", acrescentando que quem pode dirigir essa operação contra Venezuela é o lobby sionista nos Estados Unidos[4].

Segundo o experiente petroleiro venezuelano David Paravisini tal ação dos Estados Unidos se deve ao ressentimento de ter perdido certo controlo do preço internacional do cru, e além do mais, complementa que o império procura prejudicar os rendimentos da Venezuela e afetar a economia da nação para incidir assim nas eleições gerais do 2012 contra a candidatura de Chávez.

Parece que a estratégia imperialista dos Estados Unidos é do mais inútil, e as suas propostas neoliberais só jogam com a dimensão económica e deixam de lado o impacto político que contém. Sejamos sinceros, em troca de aproveitar o momento de conflitos internos na esquerda venezuelana, a reaparición imperial contra a Venezuela pôs o conflito nacional a uma categoria menor e voltou a unir essa esquerda na dialética entre as inserências do império estadounidense e a estratégia de independência e soberania da atual Venezuela. O mesmo Chanceler Nicolás Maduro afirmou que a reação de rejeição e repúdio protagonizada pelo povo venezuelano em contra das sanções impostas por Estados Unidos contra PDVSA foi uma explosão de espírito pátrio e sublinhou que todos os venezuelanos e venezuelanas "deixaram de lado as fronteiras políticas   -o conflito interno -, para defender à indústria petrolera e a dignidade nacional para repudiar a política de agressão ilegal, imperial "[5].

Milhares de venezuelanos, trabalhadores, movimentos sociais e organizações políticas, saíram às ruas acompanhando o Chanceler Nicolás Maduro, a quem faz em umas semanas muitos dos manifestantes pediam a sua demissão, para concentrar-se coletivamente na frente da sede de PDVSA em Caracas contra as sanções do Império, realizando-se também outras uniões de protesto em vários estados da Venezuela e programando-se no próximo domingo uma marcha nacional multitudinária pela soberania[6]. São bem parvos ianques! Obrigado por devolver a unidade ao povo venezuelano!


[1] http://www.kaosenlared.net/noticia/censura-botan-directora-radio-sur-resenar-protestas-contra-extradicion

[2] http://www.kaosenlared.net/noticia/venezuela-despedidos-cinco-trabajadores-radio-sur-ordenes-ministro-and

[3] http://www.kaosenlared.net/noticia/estados-unidos-anuncio-sanciones-contra-empresa-petrolera-venezolana-v

[4] http://www.aporrea.org/tiburon/n181711.html

[5] http://www.aporrea.org/tiburon/n181673.html

[6] http://laradiodelsur.com/?p=27150

Fonte original em espanhol em Kaos en la Red.

Tradução para galego-português do Diário Liberdade.


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