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200613 refugiadosGrécia - Galizalivre - A pouco mais dumha hora de Atenas, em Lávrio, tenhem lugar os dous únicos campos de refugiados dispostos desde os setenta polo governo grego para acolher os solicitantes de asilo político, escapando dumha morte ou condena segura nos seus países. Hoje em dia estes dous centros acolhem dúzias de famílias, num deles provintes do Afganistám, e no outro do Curdistám (sobretodo das partes turca e síria) e Turquia.


Por mor da proximidade geográfica de Grécia com o Médio Oriente, este país converte-se num dos maiores recetores de refugiadas políticas de Europa, sem saber a que se vam ter que enfrentar umha vez aqui, pois ao mesmo tempo é um dos que pior tratamento lhes dam, jogando com elas, marginalizando-as e mantendo-as num regime de vida desumano.

Neste último mês a situaçom ainda está muito mais tensa, pois a principios de junho foi sequestrado Bulant Yayla, do DHKP/C, organizaçom declarada terrorista na Turquia. Aconteceu no centro de Atenas, deslocado direitamente para os cárceres turcos, gerando o medo entre os centenas de persoas que chegam a Grécia buscando fugir dumha perseguiçom fascista em contra dos que luitam pola liberdade em países como a Turquia, com um governo que já vem demonstrando estas semanas o material do que é feito. Isto fai com que se gere a insegurança no seio desta comunidade que nom tem ninguém para os defendeer, mais que eles próprios.

Greve de fome

Todo o cúmulo de fatores que arrodeiam a vida destes centros levou aos refugiados à greve de fome entre as curdas e turcas do centro com maiores problemas, e as afgans, que segundo declararom quase cada ano estám em greve de fome, reune a umhas 200 pessoas rotando em quendas de 25 grevistas cada 3 dias. As famílias nom tivérom outra saida que declarar-se em greve desde há já duas semanas, reclamando a melhoria das condiçons e umha maior segurança, posto que o detonante dos protestos foi que o teito dum quarto rachou, caindo sobre umha mulher que dormia, causando-lhe danos graves. Em princípio nom tenhem intençom de pôr umha data límite e falam de prorrogar o protesto todo o tempo que seja necessário até ver solucionados os seus problemas.

Vida dum refugiado em Grécia

Em entrevista a Luqman Bakir, um curdo que desde o 2003 está pedindo asilo mas sem resposta, sabemos de primeira mam como som as condiçons dos refugiados na Grécia e as razons da greve:

"O primeiro grande problema é a petiçom de asilo político, que na Grécia é mui complicado de acadar. Agora que na Síria estamos em guerra chegarom aqui muitas famílias cos filhos. Hai gente que está aqui desde 2006 sem asilo e sem os direitos básicos. Nom se aplicam as leis europeias e conseguir o asilo fai-se quase impossível. Ainda por riba, se algum dos nossos vai fazer a solicitude de asilo e ainda nom tem papeis pode perfeitamente ser detido pola polícia e ser encarcerado por dous, três mêses, e pode que até um ano, dependendo da comisaria.

A segunda questom é o contrato. Tes que fazer um contrato cada ano entre o Ministério de Trabalho, responsável do centro, e a Cruz Vermelha, mas por magoa este contrato deveria ter-se asinado hai cinco mêses e seguimos à espera de ajuda. Se nom se asina os serviços da Cruz Vermelha nom funcionam, tendo 30 trabalhadoras trabalhando sem cobrar desde hai mêses, e aqui hai 300 pessoas morando, dos quaes 80 som crianças. Nom chegam suministros e nom hai serviço sanitário. Houvo dez dias nos que nom tivemos nem pam, falamos co alcalde e estanos ajudando co suministro de alimentos".

A situaçom das famílias é realmente incrível para um país que se louva da sua marca europeia. Shirin Mustafá, umha fugida da guerra em Síria, conta por exemplo que por mor da falta de serviços médicos já perdeu duas crianças no centro, sem posibilidade de ir a ningum hospital por falta de papeis. Shamir Muhammed fala da falta de alimentos, de como hai dias que nom hai nada que levar à boca, o qual é possível de levar para um adulto, mas nom para as crianças do centro. Di também que a gente da vila evita aos refugiados, hai muito racismo, e o único apoio que tinham era das trabalhadoras do centro, que lhes pagavam as viagens ao médico a Atenas, mas o qual parou desde que nom cobram.

Também reconhece o labor dos professores de Lávrio, que desde o começo tenhem mostrado um total apoio às crianças na escola e mesmo às famílias em particular. Mas a tónica geral é a desesperaçom e medo, gerado por atuaçons como a de hai umhas semanas, quando a polícia avisou de que estiveram alerta e chamaram a todas adentro porque podia haver um possível ataque de Alba Dourada. A polícia nem apareceu, e elas protegêrom o lugar como pudérom.

Os dous tenhem a carta rosa, que lhes permite a estância por um mês com posibilidade de renovalo, para o qual tenhem que andar com trámites cada mês, e levam ao redor dum ano esperando o asilo, para o qual nom guardam muita esperanza havendo pessoas esperando-o por dez anos.

Tenhem um médico para elas que se adica a dar-lhes Depon (analgésico) e segundo di Shamir: "O governo quere que tomemos Depon para esquecer a nossa dor. Assim que o médico é como o governo, os dous dam Depon para que passe a dor um dia, mas aginha voltas sofrer o mesmo. Quando vas ao hospital perguntam umha morea de cousas, de onde ves, quando, quem es, e com toda essa presiom rematas por esquecer o que tinhas e liscar dali".

Estado dos centros

A situaçom dos centros é crítica, pois desde que se contruírom nos setenta o afgám foi o único que tivo remodelaçons e fai uns poucos anos, mas nom assim o curdo, pois o presidente turco, Erdogan, está desde já hai tempo em negociaçons com o grego Samaras para fechar o centro, alegando que é um campo de treinamento de guerrilheiros e guardam armas. Isto, vendo a situaçom do centro, das famílias e da sua situaçom na vila, a 200 metros da polícia, resulta quando menos ridículo. As paredes caim a anacos, o teito vem-se embaixo e o edifício enteiro está cheio de fendas, polas quaes incluso crescem árbores.

Além do teito que bateu numha mulher e decidiu aos refugiados a iniciar a greve, fai uns dez dias também caiu o teito dum banho que quase colhe a dous nenos pequenos.

Organizaçom interna

Para defender-se das agresons fascistas e do governo, formou-se um comité para resolver os problemas internos sem ter que andar detrás da administraçom. Estám gerando aulas próprias onde ensinam a ler, escrever em curdo (já que nos países de origens está proibido), música e bailes tradicionais, história curda, etc. Dim que isto os fai sentir mui orgulhosos de si mesmos, que aprendem cousas do seu povo que nos países de origem estám totalmente censuradas.

Expectativas de futuro

De primeiras a greve pretende estender-se assim como nom se atope umha soluçom de parte do governo, mas polo menos tenhem umha pequena esperanza, que reside em que ao parecer a designaçom de asilos vai passar de ser controlada pola polícia, como até agora e que facia quase impossível acadalo, para um novo serviço. Mas tampouco pretendem crer nisto cegamente, já que perfeitamente pode seguir todo igual.

E Luqmar Bakir, por dez anos pedindo asilo, simplesmente aguarda que se atope umha soluçom a este problema e rápido, "porque nom pode ser que cheguem as companheiras sírias, fugindo da guerra, e sejam recebidas assim".


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