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120412 pateraEsquerda - Um estudo da Universidade de Londres revela que os militares da NATO no Mediterrâneo nada fizeram para resgatar o barco onde seguiam dezenas de refugiados da Líbia e ficou duas semanas à deriva. Pelo menos 63 pessoas morreram à fome e à sede. O Conselho da Europa já tinha promovido um inquérito sobre o caso que revelou responsabilidades de uma fragata espanhola.


O estudo de 90 páginas faz o destaque da edição online do jornal Guardian, que sublinha o uso das técnicas mais avaçadas de "oceanografia forense" para determinar os movimentos exatos da embarcação à deriva, onde só nove pessoas acabaram por sobreviver no fim de março do ano passado.

É justamente o relato destes sobreviventes que lançam as suspeitas sobre a marinha britânica, uma vez que a descrição do helicóptero que por duas vezes sobrevoou e comunicou com a embarcação corresponde à dos Westland Lynks usados pelos militares britânicos que sobrevoavam o Mediterrâneo durante a guerra civil líbia.

Os relatos falam ainda de outro navio militar, supostamente francês, que se aproximou do barco e ignorou os pedidos de ajuda. O Conselho da Europa já tinha promovido um inquérito sobre o caso, acusando igualmente uma fragata espanhola de ignorar os apelos dos refugiados, mas o governo espanhol desmentiu as acusações.

Os refugiados dizem que foram abandonados pelo helicóptero e pelo navio de guerra, apesar de terem empunhado bebés já mortos e bidões vazios de gasolina para chamar a atenção dos potenciais salvadores.

O estudo londrino prova igualmente que os meios que a NATO dispunha naquela altura no Mediterrâneo eram mais que suficientes para fazerem uma operação rápida de salvamento. A NATO começou por negar ter tido conhecimento da existência do barco à deriva, mas admitiu depois ter sido avisada a partir de Itália e informado as embarcações no terreno, facto que os espanhóis também desmentem.

"Os Estados participantes nas forças da NATO tinham a informação e a capacidade para dar assistência aos migrantes, mas não agiu de forma a evitar a morte de 63 pessoas", conclui o inquérito do Conselho da Europa, com o qual apenas os EUA e a Grã-Bretanha  se recusaram a colaborar.


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