O governo alemão pode estar diante de uma grave crise política, após o fracasso na eleição regional em uma região rica, sede de empresas importantes como a Porsche e a Daimler. A campanha eleitoral em Baden-Württenberg, tradicional reduto dos conservadores, foi dominada pelos acontecimentos em Fukushima, no Japão, e os alemães mostraram nas urnas o descontentamento com a política nuclear de Merkel.
A região abriga quatro dos 17 reatores nucleares do país. Agora, pela primeira vez na história do país um estado deverá ter um governador do partido Verde. Embalados pelo medo de uma catástrofe nuclear na Alemanha, os ecologistas conseguiram o dobro dos votos nas eleições passadas e devem formar uma aliança com os social-democratas.
Depois do acidente nuclear no Japão, a chanceler alemã abandonou sua política favorável à energia nuclear e determinou o desligamento temporário de reatores antigos. Sondagens recentes comprovaram que a mudança foi interpretada como manobra eleitoreira pela maioria dos eleitores.
A reviravolta da política energética alemã botou Merkel em um beco sem saída. Ela desagradou ecologistas, que a consideram insuficiente, e irritou o eleitorado conservador. Angela Merkel pode ter iniciado uma reação em cadeia cujo fim será o desligamento de seu próprio governo.
