Um guru indiano declarou que a jovem de 23 que morreu após um estupro coletivo em Nova Déli, capital da Índia, também é culpada pela violência e os protestos contra o estupro são motivados por sentimentos anti-homem.
Duas discussões se destacam no caso da jovem indiana vítima de estupro coletivo dentro de um ônibus.
A violência gerou uma onda de protestos gigantesca e uma reação do governo no sentido de tentar mostrar alguma ação no sentido de punir os agressores e acalmar a multidão.
É que evidentemente os protestos não são apenas por causa da situação subumana e violências a que as mulheres estão submetidas no País. E muito menos será com o aumento das penas e a repressão que os problemas que envolvem o caso e a revolta popular serão resolvidos.
A morte da jovem dias depois de ter sido estuprada por seis homens claramente canalizou um descontentamento social profundo entre a população na Índia. Por isso, também, a imprensa e o governo procuraram expor os estupradores, afirmam que eles serão julgados e punidos com rigor. A imprensa fala em pena de morte.
A luta das mulheres é parte da luta da população explorada na Índia
No meio do caos que o caso provocou no País, agora um guru tenta conter a expectativa de mudanças sociais, com declarações que não apenas justificam a violência como culpam a vítima, ou melhor, as mulheres.
Asaram Bapu disse que "a vítima é tão culpada quanto os seus estupradores. Ela deveria ter chamado os agressores de irmãos e ter implorado para que eles parassem. Isto teria salvado a sua dignidade e a sua vida. Uma mão pode aplaudir? Acho que não", disse.
A primeira mensagem é a clara, a culpabilização da vítima. A segunda, claramente serve para conter a mobilização popular, especialmente das mulheres. Afinal, elas devem implorar, orar, mas jamais lutar por sua vida e seus direitos.
Para tentar intimidar a participação e apoio dos homens aos protestos, Bapu e declarou que as manifestações são motivadas por um sentimento "anti-homem".
É evidente que a preocupação do governo e dos líderes religiosos não é para proteger as mulheres ou fazer avançar a sociedade.
"Nós queremos que o mundo saiba o nome verdadeiro dela. Minha filha não fez nada errado, ela morreu tentando se proteger. Estou orgulhoso dela. Revelar o nome dela vai dar coragem para outras mulheres que tenham sofrido com esses ataques. Elas encontrarão força na minha filha", declarou o pai ao revelar o nome da jovem para a imprensa internacional. Até agora o nome de Jyoti Singh Pandey, não havia sido revelado porque a família temia as consequências.
A proporção das manifestações por causa de uma violência aparentemente comum num país onde as mulheres têm inúmeras restrições em seus direitos democráticos e são consideradas seres inferiores aos homens mostra um descontentamento generalizado da população.
É evidente que essa luta deve servir para fazer avançar a condição das mulheres e o fim da violência. Mas para ter resultados efetivos deve refletir esse descontentamento geral, por uma profunda transformação na sociedade, que não vai ser conquistada com o aumento da pena contra estupradores, mas coma luta popular organizada, contra o regime de opressão e exploração que e um pleno desenvolvimento de homens e mulheres.
