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230513 moolaade1PGL - [José Paz Rodrigues] Desde há um certo tempo comemora-se no dia 25 de maio o Dia de África. Este dia marca o aniversário da fundação há quase quatro décadas da Organização da Unidade Africana (OUA), e o continente africano celebra os seus 50 anos de independência.


A carta de fundação da Organização da Unidade Africana foi assinada por 32 chefes de estados independentes do continente, em Adis Abeba, na Etiópia, sob a liderança do imperador etíope Haile Selassie. Em 2002, a entidade foi sucedida pela União Africana (UA), que atua pela promoção da democracia, do desenvolvimento e dos direitos humanos na África, lançando as bases para a criação da Comunidade Económica Africana, prevista para 2028. Com um profundo significado foi instituído em carta assinada por 32 estados africanos, este importante dia, sendo a manifestação do desejo de aproximadamente 800 milhões de africanos de organizar, de maneira solidária, os múltiplos desafios na construção do futuro de uma África real, com seus governos e sonhos, além de desenvolvimento, democracia e progresso. No dia 25 de maio de 1963 reuniram-se 32 Chefes de Estado africanos com ideias contrárias à subordinação a que o continente estava submetido durante séculos (colonialismo, neocolonialismo e ‘partilha da África’). Dessa reunião, nasceu, como já comentei, a OUA (Organização de Unidade Africana).

Pela importância daquele momento, o 25 de maio foi instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1972, Dia da Libertação de África. O dia representa também um profundo significado da memória coletiva dos povos do continente e a demonstração do objetivo comum de unidade e solidariedade dos africanos na luta para o desenvolvimento económico continental. A criação da OUA traduziu a vontade dos africanos de se converterem num corpo único, capaz de responder, de forma organizada e solidária, aos múltiplos desafios com que se defrontam para reunir as condições necessárias à construção do futuro dos filhos de África. Entretanto, de todos esses pressupostos, é facto reconhecido que a libertação do continente do jugo colonial e o derrube do regime segregacionista do Apartheid, durante anos em vigor na África do Sul, foram eleitas como as tarefas prioritárias da OUA. Como a OUA se mostrou incapaz de resolver os conflitos surgidos continuamente em toda a parte do continente, os golpes de estado, na maioria dos casos fomentados desde o exterior por interesses inconfessáveis dos países mais poderosos, tornaram-se uma prática.

A construção de uma verdadeira unidade entre os países membros é ainda inexistente, sendo exemplos disto os golpes de estado antes citados e as guerras civis no continente. Economicamente, os indicadores também estavam longe de serem animadores, concorrendo para isso a própria instabilidade militar e as múltiplas epidemias. Assim, a 12 Julho de 2002, em Durban, o último presidente da OUA, o sul-africano Thabo Mbeki, proclamou solenemente a dissolução da organização e o nascimento da União Africana, como necessidade de se fazer face aos desafios com que o continente se defronta, perante as mudanças sociais, económicas e políticas que se operam no mundo. Contudo, resolveu manter a comemoração do Dia de África a 25 de Maio, para lembrar o ponto de partida, a trajetória e o que resta para se chegar à meta de «uma África unida e forte», capaz de concretizar os sonhos de «liberdade, igualdade, justiça e dignidade» dos fundadores.

África, um continente necessitado de solidariedade:

Outro objetivo principal da UA continuará a ser a unidade e solidariedade entre os países e povos de África, defender a soberania, integridade territorial e independência dos seus Estados membros e acelerar a integração política e socioeconómica do continente, para realizar o sonho dos «pioneiros», que em 1963 criaram a OUA. Dos 54 estados africanos, 53 são membros da nova organização: Marrocos se afastou voluntariamente em 1985, em sinal de protesto pela admissão da autoproclamada República Árabe Saaraui, reconhecida pela OUA em 1982. Apesar de se registarem atualmente em África alguns conflitos de caráter político, pode-se dizer que a maioria dos países do continente possuem governos democraticamente eleitos. De uma forma geral, os governos africanos são presidencialistas, com exceção de três monarquias existentes no continente: Lesoto, Marrocos e Suazilândia. Parcerias são formadas diariamente ao abrigo da NEPAD (Nova Parceria para o Desenvolvimento da África), um instrumento da União Africana que se baseia em relações e acordos bilaterais num ambiente de transparência, responsabilização e boa governação.

A África tem aproximadamente 30,27 milhões de quilómetros quadrados de terra. Ao norte é banhado pelo Mar Mediterrâneo, ao leste pelas águas do Oceano Índico e a oeste pelo Oceano Atlântico. O sul do continente africano é banhado pelo encontro das águas destes dous oceanos. É o segundo continente mais populoso do Mundo (depois da Ásia), com aproximadamente 800 milhões de habitantes. Basicamente agrário, pois cerca de 63 por cento da população habita no meio rural, enquanto somente 37 % mora em cidades. No geral, é um continente que apresenta baixos índices de desenvolvimento económico. O PIB (Produto Interno Bruto) corresponde a apenas um por cento do produto mundial. Grande parte dos países possui parques industriais pouco desenvolvidos, enquanto outros nem sequer são industrializados, vivendo basicamente da agricultura. O principal bloco económico é a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), formada por 14 países: Angola, África do Sul, Botsuana, República Democrática do Congo, Lesoto, Madagáscar, Malawi, Ilhas Maurícias, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué. Dous deles, Angola e Moçambique, com língua oficial galego-portuguesa.

Considero, por muitos motivos, que o dever dos restantes povos do mundo de outros continentes é o de solidarizar-se com este vasto continente, que foi barbaramente espoliado, necessitado de todo o tipo de ajuda. Por isto, acho que a melhor maneira é começar pelo ensino e pelos estabelecimentos educativos, para fomentar entre os nosso rapazes dos diferentes níveis a solidariedade com os povos africanos, com as suas gentes, as suas crianças, a sua cultura, as suas etnias, os seus idiomas, os seus costumes que não atentem contra a dignidade dos seres humanos, e as suas manifestações artísticas, por sinal, muito ricas. Para isto, dentro da minha série, escolhi desta vez dous formosos filmes rodados em África, por diretores africanos, e com temática africana. Um é “Moolaadé”, realizado pelo senegalês Ousmane Sembène, e que comentamos hoje. O outro, a comentar na semana próxima, “Halfaouine”, do diretor tunesino Férid Boughedir.

Ficha técnica do filme:

Título original: Moolaadé (Proteção / Protección).

Diretor: Ousmane Sembène (Senegal-França, 2004, 117 min., cor).

Roteiro: Ousmane Sembène. Música: Boncana Maïga.

Fotografia: Dominique Gentil. Montagem: Abdellatif Raïss.

Produção: Filmi Doomirew (Senegal), Ciné-Sud Promotion (França), Direção da Cinematografia Nacional (Burkina Faso), Centro Cinematográfico Marroquino (Marrocos), Cinétéléfilms (Tunes) e Les Films de la Terre Afriacaine (Camarões).

Prémio: “Um certo olhar” no Festival de Cannes de 2004.

Atores: Fatoumata Coulibaly (Collé Ardo Gallo Sy), Maïmouna Hélène Diarra (Hadjatu), Salimata Traoré (Amsatou), Aminata Dao (Alima Bâ), Dominique T. Zeida (o mercenário), Mah Compaoré (mulher encarregada da ablação), crianças, mulheres e homens da aldeia, atores anónimos.

Argumento: O filme conta a história de uma mulher de uma pequena aldeia que decide proteger da mutilação quatro moças jovens. Collé Ardo vive num povoado africano. Faz sete anos que não permitiu que a sua filha fosse submetida à ablação. No relato várias meninas, algumas da cidade e outras do rural, fogem para escapar ao ritual da “purificação” e pedem a Collé que as proteja. A partir deste momento, enfrentam-se duas questões: o respeito ao direito de asilo ou proteção (o moolaadé) e a tradição da ablação (a salindé). Collé acolhe as moças na sua casa dividindo assim a comunidade entre dous valores tradicionais poderosos. Por uma parte, os defensores da ablação empenhados em celebrar o ritual a toda a custa e, por outra, o respeito à sagrada proteção que não há ser levantada enquanto Collé não pronuncie as palavras rituais. Amsatou (Salimata Traoré), a filha de Collé, já está em idade de casar-se e pretende-a o filho do chefe do povoado, um homem de negócios de ideias liberais que divide o seu tempo entre Paris e a aldeia. Está a ponto de chegar e deverá decidir se se une aos seguidores da proteção, algumas mães e uns poucos homens mais abertos que o resto, ou se apoia o seu pai e os demais velhos da aldeia. Até à data, nenhum homem se atreveu a casar com uma mulher não “purificada”, ao não passar pela mutilação do clítoris mediante a ablação.

Moolaadé” é uma antiga palavra “pulaar”, cujo equivalente existe em “mandinga” e em “wolof”. Expressa a noção de direito de asilo. A “moolaadé” é a proteção que se dá a alguém que foge. Enquanto a “salindé” é uma palavra “sarakolé” ou “mandinga” que significa a ablação das meninas para “purificá-las”. Trata-se de uma cerimónia ritual muito ancorada nos costumes. A “salindé” é um grande acontecimento na vida de uma mulher e costuma ter lugar aos sete anos, sob o condescendente olhar dos homens. Nada é bastante bonito nem bastante caro para a festa que se celebra nesta ocasião. Durante as duas semanas que precedem à entrada no bosque sagrado, as mães e as tias preparam psicologicamente as meninas para aguentarem a dor sem berrarem, sem se queixarem. Devem controlar e dominar a mordedura viva e abrasadora do cuitelo. Se puder com a dor, a moça demonstrará que em mulher será capaz de sobrepor-se aos tormentos e aflições da existência. Ao contrário, uma menina que não passou pela ablação é uma “bilakoro” (em “malinke”), é impura e não pode casar-se. A “salindé” coloca a menina ao nível da esposa. Alcança o cimo da honorabilidade, entra no círculo das mães coroadas, eleva-a à categoria da realeza. A mulher que passou pela ablação simboliza a pureza. É uma honra para o seu esposo e para a sua família.

Lutar contra a ablação na defesa da dignidade da mulher:

Estamos diante de um filme realizado e produzido em África, por africanos e, fundamentalmente, pensado para um público africano. Por isto podemos olhar como são as cousas da gente deste povo, como cozinham, como trabalham, como comem, como obtêm a água, como são as suas relações matrimoniais. E também nos amostra a complexidade social destas sociedades, com as suas diversas instituições e leis. Um primeiro nível de interesse neste filme é a possibilidade que nos oferece de observar todos os aspetos que configuram a vida diária de grande quantidade de famílias africanas. E, muito especialmente, apresenta em forma de controvérsia, vários temas de grande interesse como são a denúncia da nefasta ablação, o debate existente nas sociedades africanas arredor do peso da tradição e a modernidade no seu desenvolvimento e, finalmente, a luta das mulheres rurais africanas por transformarem as relações de dominação que lhes são impostas pelos homens, com um machismo realmente insultante.

A denúncia da ablação constitui o corpo narrativo fundamental do filme. Numa entrevista ao seu diretor o senegalês Sembène, este afirma: “Vimos de entrar no século XXI e as mutilações genitais femininas continuam vigentes em mais de vinte e cinco países africanos repartidos a leste, oeste, norte e sul do continente, entre os 54 membros da OUA reconhecidos pela ONU”. A ablação não é uma prática comum para a maioria dos muçulmanos, só de determinados setores que lhe conferem uma dimensão religiosa a uma prática claramente dirigida ao controlo e dominação das mulheres por parte dos homens. Collé, a protagonista do filme, argumenta diante da “Purificadora”, a mulher encarregada das mutilações, que ela mesmo sofreu as consequências da ablação, provocando-lhe problemas no parto. De facto, a ablação, ademais da sua gravidade em si mesma, envolve a mutilação genital, e pode provocar graves problemas de saúde, tanto quando se está a realizar (ferramentas pouco apropriadas, falta de anestesia) como posteriormente (infeções crónicas, dores, etc.), e de tipo psicológico e de desenvolvimento pessoal. Esta prática bárbara, como qualquer outro mecanismo de controlo e dominação, costuma-se sustentar sobre todo um entramado ideológico que o justifica e lhe dá sentido. No filme vemos como a ablação se entende como uma forma de “purificação” da mulher e como se sanciona aquelas mulheres que não passaram por este ritual, conhecidas como “bilakoro”.

Neste formoso filme, com imagens imensamente belas e muito realismo, amostra-se claramente o peso da tradição na realização desta aberração e atentado contra a mulher. A discussão do Conselho de velhos e notáveis, máximo órgão de poder na comunidade, sob a demanda das “purificadoras” contra Collé, ilustra muito bem esta ideia. Na sua exposição inicial a “Purificadora” afirma: “A purificação é uma tradição. Ninguém se pode opor a uma tradição”. A partir daí, os argumentos hão girar principalmente arredor do respeito ou não da tradição. Noutro momento, o mesmo cunhado de Collé trata infrutuosamente de que esta retire a sua proteção das meninas, e depois queixa-se à primeira esposa de seu irmão menor dizendo-lhe: “A segunda esposa não tem bons modos, é uma mal-educada. A purificação remonta-se a tempos imemoriais, mas ela está empenhada em desafiar a tradição. Prefiro morrer antes de olhá-lo”. O filme que analisamos está, tanto contra a mutilação como contra outra qualquer forma de discriminação ligada a esta. A mesma Collé diz à sua filha: “Não te avergonhes de ser uma “bilakoro”. Perdi tuas irmãs no parto. Dei-te o nome da doutora que te salvou a vida ao nascer. Teve que rasgar-me daqui até aqui para sacar-te. A “purificação” não é boa. Ser uma “bilakoro” não te impede de ser uma boa esposa, uma boa mãe, nem saber cuidar do teu esposo”. Esta é a posição do diretor, autor também do roteiro, ao denunciar a ablação como mecanismo de controlo das mulheres. Ao respeito, considera que a “salindé” permite aos homens controlar a fidelidade e a sexualidade das suas mulheres e, por isto, acredita firmemente em que deve ser abolida a aberrante prática e ritual da ablação.

Outro dos temas fundamentais que apresenta este filme é o debate e tensão existentes nas sociedades africanas entre a conservação da tradição ou o seu abandono a favor de processos de modernização de tipo ocidental. O diretor apresenta este tema de forma muito inteligente e sem maniqueísmos. Terá-se que manter o que é positivo e que tem valores, e suprimir tudo aquilo que atenta contra a dignidade das pessoas como seres humanos. Neste caso contra as mulheres africanas. A personagem do mercenário, que de alguma maneira representa a sociedade ocidental, é chave nesta análise de confrontação dos dous modelos. Também a figura do emigrante que volta da França para casar-se, envolvido em ambos os modelos. A queima das rádios que escutam as mulheres numa espécie de pira funerária, ou a aparição das antenas da televisão no teito da mesquita, são cenas muito interessantes, que convidam a refletir sobre os dous modelos e as duas culturas. Cada uma com os seus aspetos positivos e também os negativos, que de tudo há em ambas. Sembène chegou a dizer sobre o particular: “A antena da TV diz claramente que África não pode ficar fechada em si mesma. Deve abrir-se ao futuro. Devemos mudar de comportamento, mas nós devemos decidir por nós”.

É muito interessante ver no filme que, dentro das tradições seculares, triunfa a proteção (“moolaadé”) sobre a ablação (“salindé”). Graças à luta das mulheres rurais africanas por gerarem mudanças e melhorarem a sua vida. O exemplo de Collé contra a ablação há terminar sendo seguido pela grande maioria das mulheres da comunidade que se rebelam contra os homens e as normas impostas. O filme demonstra também a importância que tem nas sociedades rurais que existam espaços próprios para as mulheres, em que possam realizar um determinado trabalho, como lavar ou recolher a água, os que ademais permitem partilhar, falar, divertir-se e sair do isolamento, algo básico para poder gerar mudanças de forma coletiva. O poço arredor do qual se juntam as mulheres neste filme é este espaço de encontro e autonomia. É muito significativo quando ao princípio da história, a menina Umi que solicita proteção, conta que quando iam ao poço da comunidade procurar água ouviram as mulheres como contavam que Collé se opôs à ablação da sua filha e que por isso decidiram solicitar a sua proteção. Em muitos países do sul da África estes momentos e espaços são fundamentais na vida das mulheres rurais, como muito bem reflete o filme de Sembène.

Em bastantes tribos africanas é apoiada a prática da ablação, sem nenhum fundamento, pois o ritual não está no Alcorão, e mesmo que estivesse não justificaria o crime. Na aldeia que aparece no filme a única que se manifesta contra esta horrível prática é Collé, chegando a invocar a “moolaadé” ou proteção. Ao final do filme vale todo o sofrimento das personagens e, também, o nosso em acompanhar ora de perto, ora distanciado, a triste história dessas africanas. O limite daquelas mulheres estoura com a morte de uma criança durante o ato. Sem suportar mais perder suas filhas com a mutilação, elas se rebelam contra os homens e as anciãs da vila, numa belíssima cena de união entre companheiras de luta, de sofrimento, gritando para toda a aldeia um canto de liberdade. O filme é uma importante, valente e valiosa denúncia contra a ablação feminina, por proceder do próprio continente africano e da tomada de consciência dos seus intelectuais. Muito recomendável e sensibilizador, dos que deixam pegada na memória e no coração. Um filme contundente, sólido, honesto, feroz e esteticamente impecável, mesmo imprescindível. Em que o diretor (de mais de oitenta anos quando o realizou), não pretendeu dirigir, mas transmitir uma realidade como num espelho. Isto faz que tenhamos uma grande margem para refletir de forma muito ampla e profunda. Filme este de poucas palavras, de mensagens singelas e plenas, onde a rebelião ainda era uma esperança, recomendável, imprescindível e de visão obrigatória.

Temas para debater, refletir e realizar:

Depois de ver o filme, organizar um cinema-fórum com todos os assistentes, para debater sobre a grande riqueza que tem, tanto nos seus aspetos formais (planos, imagens, roteiro, recursos fílmicos, linguagem cinematográfica…), como de fundo, sobre as histórias que se contam como lendas populares, as atitudes das personagens, as mensagens que transmitem as diferentes condutas, a luta entre tradições e a modernidade, os papéis femininos e masculinos, o como se podem eliminar nos povos africanos aqueles rituais indignos, atentatórios contra os seres humanos. Também analisando os aspetos positivos que se podem manter, pois África tem também uma cultura valiosa, com valores que devem permanecer no mundo atual.

Realizar um trabalho monográfico de pesquisa em livros e na Internet, que depois pode ser editado ou policopiado, sobre a situação da mulher na África, lugares onde se pratica ainda a ablação das meninas, problemas que provocou esta prática no nosso país nalgumas comunidades de imigrantes subsaarianos e propostas para mudar muitos preconceitos e rituais degradantes para as mulheres africanas. A monografia há de levar ilustrações, textos livres dos rapazes e entrevistas a imigrantes africanos na Galiza. Também, com todo o material, pode organizar-se uma Mostra nos estabelecimentos de ensino.

Fazer um plano de atividades para organizar em escolas e aulas o “Dia de África”. O mesmo deve contemplar atividades artísticas: desenhos de cartazes, autocolantes, mapas, murais com desenhos, textos e fotos, manualidades, audições musicais de cantares africanos e de instrumentos próprios, como a harpa senegalesa chamada kora, canções angolanas de Bonga e cabo-verdianas de Cesária Évora, projeção de filmes africanos e documentários, etc. Entre as lúdicas: prática de jogos populares e tradicionais próprios da África, danças populares, leituras de lendas, conta-contos de histórias africanas e dramatizações e jogos dramáticos, assim como gastronomia. Se tivermos estudantes filhos de imigrantes africanos na nossa escola, é muito importante dar-lhes o protagonismo que lhes corresponde e elevar a sua autoestima.


 

(*) Académico da AGLP, Didata e Pedagogo Tagoreano.


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