O ministro do interior flamengo, Geert Bourgeois, declarou que morar em Flandres significa adotar a língua neerlandesa. Segundo informou, os falantes de francês em Flandres som também cidadaos flamengos com "direitos e deveres"; "podem falar a sua língua no âmbito privado, mas devem falar neerlandês na vida pública, especialmente nos contatos com as autoridades locais, escolas etc.".
Assim de claro, sem papas na língua, exprimiu-se o político flamengo frente à imposição secular do francês, língua alheia a este território que conforma hoje, junto com a Valónia, o estado da Bélgica.
As declarações foram feitas em uma entrevista para o jornal francófono La Libre Belgique. Perante as acusações de "racismo" por parte dos políticos valões limitou-se a considerar falsas estas acusações e a lembrar que a língua de Flandres é o holandês, nesse país denominado flamengo, e que todos os seus cidadãos tinham o direito e o dever de a conhecer e utilizar.
Aliás, explicou que as facilidades linguísticas que foram adoptadas "temporariamente" tinham o objetivo de facilitar a integração dos falantes de francês. "Os franceses sempre tentaram imprimir uma leitura diferente ao direito que eles adquiriram" explicou.
Na Galiza, há tempo que o nacionalismo galego maioritário, que historicamente tinha defendido o monolinguismo social e criticado duramente a falsidade do "bilinguismo harmónico" dos partidos espanhóis, capitulou e acabou por se apropriar do discurso gerado por Espanha e cuja estratégia é dar cabo da língua portuguesa falada na Galiza, chamada neste país de galego.
Apenas o independentismo galego e os setores reintegracionistas mais avançados e dinâmicos da Galiza continuam a defender o que corajosamente defendeu Geert Bourgeois para a sua nação.
