O organismo urgiu o Conselho da Europa a tomar medidas urgentes para a proteção dos direitos humanos, com base nos seus estatutos. O líder da oposição turca e presidente do Partido Popular Republicano, Kemal Kilicdaroglu, disse ver nos protestos um ponto de viragem.
No contexto dos protestos, dois jovens continuam desaparecidos. Os meios opositores tomam declarações dos familiares que temem que a polícia tenha abusado nos interrogatórios. Durante os protestos que se estenderam até a madrugada desta segunda, em Istambul, a maior cidade da Turquia, as forças policiais usaram canhões de água e gás lacrimogêneo contra milhares de manifestantes, que tentavam chegar à Praça Taksim.
Fontes médicas denunciaram que a água lançada com força intensa contra os protestantes contém substâncias químicas que provocam erupções na pele e danos à visão.
Nesta segunda, ao menos cinco sindicatos anunciaram paralizações dos setores públicos, em protesto contra a repressão policial, enquanto o ministro do Interior, Muammer Güler, ameaça tomar medidas, pelo que classificou de "greves ilegais".
No sábado (15), a polícia dispersou de forma violenta os manifestantes que estavam acampados no parque Gezi, e outro grupo similar que protestava na Praça Taksim.
Depois, houve mais protestos em várias cidades turcas, como em Adana, no sul do país, em solidariedade aos acampados e contra o uso excessivo da violência durante o desalojo. Na ocasião, também foram registrados confrontos entre manifestantes e as forças policiais.
Há 20 dias a Turquia tem realizado manifestações massivas no centro de Istambul e em outras cidades, desde que uma manifestação pacífica contra a destruição de um parque foi reprimida brutalmente pela polícia.
Com o passar dos dias, as demandas dos indignados tomaram outro matiz e voltaram-se, inclusive, à reivindicação pela renúncia do primeiro-ministro turco, Recep Tayip Erdogan, considerado pelos manifestantes um governante autoritário que tem a intenção de islamizar oficialmente o país.
Kemal Kilicdaroglu, presidente do Partido Popular Republicano, da oposição, disse que os protestos mostram como o partido governante, AKP, de Erdogan, está distanciado da "geração democrática", que conforma a maioria dos manifestantes.
"O uso de força excessiva criou ressentimento na sociedade [...], mostra que as demandas por democracia e liberdade são legítimas. Se Erdogan continuar com essa conduta, a reivindicação por maiores liberdades crescerá", disse Kilicdaroglu.
