A dívida pública norte-americana superou os US$ 16,8 trilhões, ou mais de 110% do PIB. Considerando as despesas não provisionadas, ela supera os US$ 100 trilhões. O endividamento privado, dos consumidores e das empresas assume proporções assustadoras com volumes similares, ameaçando levar à inadimplência generalizada. Nos demais países imperialistas a situação é similar.
O colapso do neoliberalismo na década passada levou à formação de enormes bolhas financeiras – a bolha da Internet, das bolsas, imobiliária e do consumo que estouraram uma após a outra em 2008.
A especulação financeira atingiu níveis tão assustadores que a economia capitalista gira, de maneira cada vez mais intensa, em torno à especulação financeira, que tem nos nefastos derivativos financeiros o principal instrumento – somente os 25 maiores bancos norte-americanos são responsáveis por US$ 800 trilhões nominais destes tipos de títulos, dos quais se beneficiam cobrando em torno a 2% por transação. Trilhões têm sido repassados para resgatar os parasitas financeiros da bancarrota, para garantir recursos ilimitados em empréstimos da Reserva Federal a taxas próximas aos 0%, 85 bilhões mensais destinados a comprar títulos altamente podres pelo valor cheio. A especulação absove, qual um buraco negro, o grosso dos recursos da sociedade. Enquanto isso, o desemprego está em disparada, 48 milhões de pessoas dependem de tickets alimentação do governo para comer e 60 milhões não têm qualquer tipo de renda.
Até agora, os monopólios têm sido financiados por meio da emissão de altos volumes de moeda podre, com os quais o mundo inteiro tem sido inundado. Os petrodólares, gerados a partir da venda do petróleo pelas seis reacionárias monarquias do Golfo Pérsico, estão na base desses mecanismos especulativos. A ditadura do dólar em escala mundial encontra-se fragilizada: hoje, 25% das transações com petróleo são realizadas em dólares; as potências regionais estão impulsionando as transações com outras moedas locais; a desestabilização nacionalista e revolucionária no Oriente Médio ameaça avançar sobre a Península Arábica e colapsar o esquema especulativo.
A política monetarista é um principal mecanismo para os monopólios imperialistas se apropriarem da plusvalia mundial gerada pelos trabalhadores, a maior parte recebendo salarial tão baixos que os colocam na semi-escravidão. As pressões inflacionárias têm disparado e conduzem à hiperinflação. Nos Estados Unidos, as estatísticas oficiais falam de uma inflação anual próxima aos 3%, mas somente considerando os parâmetros de avaliação anteriores ao governo Ronald Reagan a inflação dispara para mais de 10%. A situação das massas trabalhadoras piora de maneira contínua nos países imperialistas enquanto a crise capitalista avança em direção aos centros do capitalismo mundial.
A Reserva Federal inundada com títulos podres
No primeiro trimestre deste ano, a Reserva Federal, o banco central dos Estados Unidos, comprou mais de US$ 277 bilhões em títulos podres, o que elevou o total que detém para quase US$ 3 trilhões. Situações similares aconteceu nos demais países imperialistas.
A quantidade de moeda circulante (oficial) total nos Estados Unidos, encontra-se em torno a US$ 10,5 trilhões, mas a base monetária é de US$ 3 trilhões, tendo disparado a partir de US$ 840 bilhões nos últimos cinco anos, sob a base dos vários programas de repasses de recursos públicos para os capitalistas. As emissões de títulos podres pelo Tesouro Nacional, a partir do ar, sem lastro produtivo, sustentam 40% do déficit do orçamento público.
No final de 2007, o fator multiplicador de circulante era de nove vezes (a partir da base monetária) devido a que os bancos privados ainda conseguiam se alavancar sob a base do sistema bancário de reserva fracionária (depósitos dos clientes). Após o colapso capitalista de 2007-2008, a base monetária explodiu devido aos resgates dos especuladores financeiros, mas o fator multiplicador caiu quase três vezes, para 3,6 vezes. A situação dos bancos imperialistas é tão calamitosa que não conseguem aumentar a alavancagem, pois hoje atuam com recursos próprios em torno a 5% dos ativos totais, enquanto os acordos Basileia III exigem no mínimo 9%.