No dia 20 de fevereiro, aconteceu na Grécia a 19a greve geral, por 24 horas, desde o colapso capitalista de 2007-2008, no contexto de um enorme número de greves e protestos. Foi convocada pelas duas principais centrais sindicais, GSEE e ADEDY, contra os cortes dos salários e pensões, e o aumento dos impostos. Os trabalhadores do setor de transportes aderiram na totalidade, assim como os trabalhadores da educação e da saúde.
O governo da direita, Nova Democracia, coligado aos socialdemocratas do PASOK e da Esquerda Democrática (antigos eurocomunistas), tenta implementar os planos de austeridade impostos pela troika (Comissão Europeia, BCE e FMI), mas enfrenta crescentes dificuldades devido à oposição das massas, o que tem levado o governo a adotar medidas de força para derrotar greves prolongadas em setores críticos, como foram as dos trabalhadores do metrô, após nove dias parados, e dos transportes marítimos, após seis dias parados. A denominada "mobilização civil" pune com penas de reclusão, entre três meses e cinco anos, quem continuar em greve.
Em meio a uma enxurrada de ataques contra os trabalhadores, o primeiro-ministro, Antonis Samaras, anunciou que não irá demitir 1.900 funcionários públicos, apesar dos compromissos assumidos com a troika. Em janeiro, os juízes, os militares, os agentes de polícia e os médicos dos hospitais públicos tiveram decretado a redução salarial, entre 2% e 27%, retroativa ao 1o. de agosto. O salário mínimo foi reduzido em 20%. A taxa de desemprego se aproxima dos 30% e entre os jovens menores de 25 anos de 60%. Nos últimos três anos, o poder de compra de 93% dos gregos foi reduzido em 38%.
A recessão em 2012 foi de 4,5% do PIB, somando cinco anos de colapso econômico que acumulam a redução do PIB em mais de 20%. A recessão industrial supera os 36% desde 2008. No setor privado, além dos recorrentes atrasos nos pagamentos, a massa salarial caiu mais de 50%. A saúde e a educação pública se encontram à beira do colapso.