1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 (0 Votos)

sueciacriseSuécia - PCO - O mais forte dos paraísos do estado de “bem-estar social” burguês lançou um “plano de estímulo” para evitar a entrada da Suécia em recessão. Mas até que ponto conseguirá conter o incontível?


O governo da Suécia aprovou a implementação de um programa de estímulo por SKr (coroas suecas) 23 bilhões (US$ 3,5 bilhões). O aprofundamento da crise capitalista tem atingido em cheio os países nórdicos, paraísos do “estado de bem-estar social” burguês que, no caso da Suécia, foi montado, após a Segunda Guerra Mundial, em cima dos enormes superávits comerciais conseguidos com as exportações de minerais destinadas a alimentar a máquina de guerra nazista.

A economia sueca está estancada há vários anos. O crescimento previsto para este ano é de nada menos que 1%, apesar da expectativa do governo de que seja de 1,6% e 2,7% em 2013, o que significa que a Suécia poderá, em breve, também entrar em recessão.

O déficit fiscal deverá superar 0,5% do PIB neste ano e 1% no  próximo ano, o que implicará na retomada do endividamento público. Segundo os dados oficiais da Eurostat (o escritório de estatísticas da União Europeia), a dívida pública teria caído de mais de 80% do PIB, nos anos de 1980, para 37,2% neste ano.

Em que consistem as medidas de “contenção”?

Segundo o primeiro ministro direitista, Fredrik Reinfeldt, o “estímulo” poderá ser ampliado caso a desaceleração da economia continuar.

Segundo o ministro das Finanças, Anders Borg, os impostos das empresas suecas serão cortados de 26,3% para 22% e poderão ser ainda mais favorecidos. Entre 2014 e 2025, o governo pretende liberar SKr 100 bilhões para serem destinados a investimentos em infraestrutura, em projetos como uma nova linha de metrô em Estocolmo e a construção de linhas ferroviárias no interior.

Outros investimentos adicionais serão destinados a pesquisa e desenvolvimento, além de algumas medidas para tentar diminuir o desemprego entre os jovens.

Estas políticas demonstram um virada, pois o próprio Borg tinha declarado no início do ano que “todo mundo tem falado em ‘estímulo, estímulo, estímulo’... É surpreendente que a Europa, levando em conta o que nós experimentando nos anos de 1970 e 1980, com desemprego estrutural, acredite que o keynesianismo a curto prazo poderia resolver o problema.”

O governo prometeu reduzir os impostos sobre a renda no orçamento do próximo ano, pela quinta vez desde que chegou ao poder em 2006, após ter derrotado os socialdemocrata que estavam no poder havia décadas.

O impacto das medidas

A Suécia, que ainda detém a qualificação máxima outorgada pelas agências de risco, altamente dependente das vendas externas, deverá, por meio dessas medidas, favorecer a desvalorização da moeda nacional, o que aumentará a pressão sobre as exportações alemãs, britânicas e francesas.

As medidas têm como pano de fundo as eleições gerais de 2014.

O líder dos socialdemocratas, Stefan Löfven, declarou que as finanças públicas deveriam ser mantidas com o déficit máximo de 1%, que os impostos das empresas não deveriam ser cortados e sim os impostos sobre os trabalhadores, além de incentivar a construção de imóveis com recursos públicos. Nada muito diferente das políticas que a direita está implementando.

A direita está se aproximando, em termos de políticas práticas, às propostas socialdemocratas para impedir uma derrota, conforme a tendência europeia à esquerda, e, pior ainda, o desgaste do regime político. As políticas neoliberais e os planos de austeridade promovidos pelos partidos de direita não têm conseguido conter a crise, nem promover qualquer tipo de crescimento. Muito pelo contrário, têm promovido a recessão e mantido os lucros dos especuladores.

As estruturas parasitárias do capitalismo decadente impedem medidas que permitam evitar os planos de austeridade, como o está demonstrando o caso da França, onde o presidente François Hollande, que foi eleito com uma retórica completamente contrária, está dando continuidade aos planos aprovados pelo direitista Nicolás Sarkozy.


Diário Liberdade é um projeto sem fins lucrativos, mas cuja atividade gera uns gastos fixos importantes em hosting, domínios, manutençom e programaçom. Com a tua ajuda, poderemos manter o projeto livre e fazê-lo crescer em conteúdos e funcionalidades.

Microdoaçom de 3 euro:

Doaçom de valor livre:

Última hora

Quem somos | Info legal | Publicidade | Copyleft © 2010 Diário Liberdade.

Contacto: info [arroba] diarioliberdade.org | Telf: (+34) 717714759

Desenhado por Eledian Technology

Aviso

Bem-vind@ ao Diário Liberdade!

Para poder votar os comentários, é necessário ter registro próprio no Diário Liberdade ou logar-se.

Clique em uma das opções abaixo.