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chinaChina - PCO - Perante a queda da produção industrial e das exportações, aumenta a especulação financeira que joga combustível nas crescentes bolhas imobiliária, das obras de infraestrutura e do crédito


O aprofundamento da crise capitalista nos países imperialistas tem impactado em cheio a economia chinesa. O PMI (índice de compras dos gerentes), que é usado para medir o desempenho industrial, caiu para 49,2 pontos em agosto – abaixo de 50 é considerado que a economia de um país se contrai.

À queda das exportações, soma-se a contração do consumo interno. As medidas adotadas este ano pelo governo não conseguiram conter a tendência descendente. Foram dois cortes nas taxas de juros, a redução do compulsório dos bancos (o percentual dos depósitos que é retido pelo banco central), a aceleração nas aprovações dos projetos de investimentos e os bilionários e faraônicos investimentos em infraestrutura que estão sendo realizados por vários governos municipais. Ao mesmo tempo, a injeção de novos recursos, em larga escala, correm o risco de jogar mais combustível na fogueira das bolhas financeiras, como a imobiliária, as das obras de infraestrutura e a do crédito.

O crescimento do PIB no segundo trimestre caiu para 7,6% (dados oficiais) e a tendência é a novas e sensíveis quedas. De fato, a queda da economia real é muito maior se analisarmos os dados relacionados com o consumo de energia elétrica e o transporte de mercadorias nos segundo trimestre.

As políticas monetaristas do governo chinês para conter a crise

As políticas monetaristas do governo chinês, que tentam conter a crise capitalista, não têm muita diferença das que são aplicadas nos principais países em escala mundial. Além do pacote "de estímulo" por US$ 650 bilhões e as várias medidas implementadas neste ano, o Banco do Povo da China (banco central) tem continuado injetando enormes volumes de recursos no sistema financeiro por meio dos chamados "repos reversos". Um "repo" consiste na compra de um título financeiro com garantia de recompra. Um "repo reverso" consiste na compra de "repos" pelo banco central com o objetivo de liberar o sistema financeiro de títulos podres.

Recentemente, foram injetados Rmb 220 bilhões por meio deste mecanismo, provavelmente, para compensar a queda da entrada e o aumento da saída de capitais especulativos devido à disparada da aversão ao risco pelos especuladores financeiros.

Essas operações favorecem a supervalorização do renminbi. Até alguns anos atrás, a política do governo chinês buscava o objetivo contrário a fim de promover as exportações. Agora, com as exportações em queda e os volumes das importações se mantendo, essa política visa segurar o aumento dos custos das importações, que são determinados pelas potências imperialistas, por meio do controle dos mercados de commodities e dos produtos de alto valor agregado. Ela também visa tornar mais atraente o mercado financeiro chinês para os capitais especulativos favorecendo a repatriação dos lucros. Várias medidas neste sentido têm sido tomadas nos últimos meses.

O aumento das disputas com as potências imperialistas

Como o objetivo de compensar a queda de recursos provenientes das exportações, o governo chinês tem aumentado a disputa pelos mercados secundários de armas, pelas grandes obras de infraestrutura e o controle das fontes de matérias primas nos países atrasados.

O aumento da disputa com as potências imperialistas, provocado pelo aprofundamento da crise capitalista mundial, tem levado a que o imperialismo norte-americano tornasse a região de Ásia Pacífico o foco da estratégia militar a partir deste ano.

Ao mesmo tempo, o esgotamento do incentivo artificial ao consumo, além de ter disparado as bolhas financeiras que estão em andamento, tem provocado o direcionamento das políticas públicas, cada vez mais, para o aumento da especulação financeira no País. As medidas tomadas para promover a especulação nos mercados internacionais com o renminbi visam aumentar a obtenção de recursos por meios parasitários, mas não significam um confronto direto com as principais potências imperialistas que controlam esses mercados e inclusive as próprias operações com o renminbi. As recentes internacionalizações do renminbi em Singapura e em Taiwan, por exemplo, foram operacionalizadas por um grupo de bancos liderados pelo norte-americano Goldman Sachs.

O significado da visita da chanceler Angela Merkel à China

Nos últimos dias, a chanceler Angela Merkel esteve de visita na China, acompanhada de sete ministros e um grande grupo de empresários. Os encontros aconteceram com o presidente Hu Jintao e o primeiro ministro Wen Jiabao, outros 11 ministros e vários empresários chineses. Além de vários acordos comerciais, após a visita à planta da Airbus, localizada em Tianjin, foi assinado um acordo de intenções para a compra de 50 aviões por US$ 3,5 bilhões.

O comércio entre os dois países alcançou € 150 bilhões no ano passado. As empresas chinesas investiram € 1,2 bilhões na Alemanha enquanto as empresas alemãs investiram € 26 bilhões na China.

Nos comunicados conjuntos, se disse que a visita foi provocada pela necessidade de aumentar a comunicação devido ao aprofundamento da crise capitalista na zona do euro e ao efeito contágio mundial. Mas os objetivos foram muito além da mera comunicação. As empresas alemãs viram as exportações caírem na zona do euro e na Europa, devido ao esgotamento das medidas de manutenção de um certo crescimento capitalista baseado no fomento artificial ao consumo, a partir do segundo semestre do ano passado e, com maior intensidade, a partir dos últimos três meses. Por esse motivo, a procura e disputa por mercados além da Europa passou a ser um dos pilares da política de sobrevivência do imperialismo alemão junto com o fortalecimento do domínio da Europa.

O governo chinês, pela sua parte, busca desesperadamente aumentar, ou pelo menos manter as exportações à Europa, a entrada de capitais, mesmos os especulativos, e fortalecer alianças políticas, mesmo que tímidos, que lhe facilitem o jogo geopolítico na região Ásia Pacífico que conduz ao confronto com o imperialismo norte-americano


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