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260210_guatemala.jpg Adital - Com a proximidade do Dia Nacional da Dignificação das Vítimas do Conflito Armado Interno, celebrado em 25 de fevereiro, a Coordenação guatemalteca Genocídio Nunca Mais iniciou ontem (23) as atividades que denunciam os fatos sucedidos durante o enfrentamento e relembram os milhares de mortos e desaparecidos. As ações de mobilização terão continuidade até a sexta-feira, dia 25. 


O primeiro dia foi marcado por homenagens a Oscar David Hernández, detido e desaparecido há 26 anos. Já nesta quarta-feira, um fórum abriu espaço para o debate sobre os avanços na luta contra a impunidade na Guatemala. Para amanhã, estão previstas entre as principais atividades um ato ecumênico em memória às vítimas do conflito armado interno e uma marcha pela dignificação das vítimas.

Durante as atividades de mobilização, sobretudo no momento da marcha que saíra às 11h da Catedral e seguirá até o Congresso da República, os participantes são chamados a levarem cartazes, faixas, mensagens e a colocarem em suas roupas cravos vermelhos, como forma de denunciar e exigir justiça.

As atividades estão acontecendo no marco das comemorações do Ano contra a Impunidade. O ano de 2010 foi assim batizado pelas diversas organizações civis guatemaltecas que compõe a Coordenação Genocídio Nunca Mais. A intenção é unir e instigar vários atores sociais, entre eles policiais, advogados, juízes e promotores a lutarem pelo fim da impunidade e pelo estabelecimento de um Estado de Direito.

Foram as organizações de direitos humanos as principais propulsoras da declaração de 2010 como o ano de luta pela impunidade. Estas, juntamente com outras organizações civis estão impelindo toda a população guatemalteca a dar sua parcela de contribuição no resgate da justiça. O comprometimento neste início de década é fundamental para impulsionar a continuidade das ações e assim se chegar à construção de um novo país coroado por um sistema político, econômico e social eficaz, inclusivo e livre da corrupção.

Origem do conflito armado

O conflito armado interno teve início na Guatemala no ano de 1962 e durou cerca de 34 anos. Durante este período foram registrados crimes como desaparecimentos forçados, assassinatos, sequestros e abusos sexuais, sobretudo contra mulheres indígenas. Segundo dados da Comissão para o Esclarecimento Histórico (CEH), o período de conflito interno vitimou 42.275 pessoas. Ao todo, unindo este número aos diversos afetados pela violência política na Guatemala, estima-se que entre mortos e desaparecidos a quantidade ultrapasse 200.000 pessoas.

O estopim para o início de mais de três décadas de dor e sofrimento para a população guatemalteca foi a queda do governo do coronel Jacobo Arbenz, em 1954. Após isto, teve início um processo de fechamento dos espaços políticos que restringiu amplamente a atuação dos diversos movimentos sociais. A intensificação do racismo e a falta de vontade política para instituir reformas sociais também são registradas como causas do conflito.

O enfrentamento armado só teve fim em 29 de dezembro de 1996, com a instituição de um Acordo de Paz entre o governo da Guatemala e a Unidade Revolucionária Nacional (URNG). Mesmo com o encerramento do conflito, a população ainda carrega marcas de dor e sofrimento pelos desaparecimentos, mortes e diversas violações aos direitos humanos.


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