A medida, concretizada através da direita e extrema direita no Parlamento Europeu (379 votos a favor, 230 contra), foi tomada poucas horas depois de Israel ter sequestrado em águas internacionais mais um barco europeu que se destinava a Gaza e de o primeiro ministro israelita, Benjanin Netanyahu, ter humilhado a Alta Representante para a política externa da União reafirmando a política ilegal de colonização depois de esta ter manifestado preocupação com essa prática.
O documento aprovado designa-se ACAA (Conformity Asessment and Acceptance of Industrial Products). Permite o intercâmbio comercial livre, sem certificação mútua, de produtos industriais, neste caso no âmbito químico e farmacêutico, de fabricação europeia e israelita. Todas as salvaguardadas pedidas por grupos de deputados e de cidadãos no sentido de impedir a importação europeia de produtos ilegais, isto é, produzidos em colonatos ou em territórios sob ocupação, foi travada pela maioria parlamentar. Na prática, o protocolo ignora o direito internacional, que define como ilegal a prática de colonização, designadamente através das Convenções de Genebra, violações dos direitos humanos e também crimes contra a humanidade cometidos na Palestina.
Nas vésperas da votação em plenário, um grupo de deputados de vários grupos [...] efetuou uma ação de sensibilização em Estrasburgo chamando a atenção para as discriminações e violações cometidas por Israel que contrariam os princípios básicos em que a União Europeia diz assentar.
Entre os exemplos citados pelos deputados figuram a recusa de cerca de 90 por cento dos pedidos de construção apresentados por palestinianos nos territórios ocupados; as restrições ao consumo de água – 70 litros por dia e pessoa para os palestinianos contra 200 litros de cada colono, o que permite o esbanjamento de águas em piscinas nos colonatos; estradas e ruas para uso exclusivo de colonos israelitas; encerramento sem investigação criminal de 92 por cento das queixas de violência cometida por colonos contra palestinianos, cerca de 600 casos entre 2005 e 2010; 600 queixas entre 2001 e 2009 relacionadas com casos de tortura praticados por Israel que não tiveram qualquer seguimento criminal.
Os eurodeputados lembram também que segundo o Tribunal Internacional de Justiça e as Nações Unidas, os 250 colonatos israelitas em Jerusalém Leste e Cisjordânia constituem violações da IV Convenção de Genebra.
Esta votação foi uma "recompensa" a Israel perante vários "atos criminosos", nomeadamente o sequestro de embarcações europeias através das quais ativistas pretendem minorar os efeitos do bloqueio israelita a Gaza, que atinge milhão e meio de pessoas, declarou o eurodeputado irlandês Paul Murphy, da Esquerda Unitária (GUE/NGL). Isto significa ainda, acrescentou Murphy, a continuação da "política de dois pesos e duas medidas" da União Europeia em relação ao Médio Oriente e o seu apoio "à opressão dos palestinianos".


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