Neste diagnóstico coincidem as duas organizações estratégicas da Esquerda Independentista, Endavant (OSAN) e o Moviment de Defensa de la Terra (MDT), que fizeram públicas as suas avaliação da Festa de 11 de Setembro.
O MDT destacou que as marchas pela independência convocadas pela Assemblea Nacional Catalana [ANC – Movimento social independentista], juntamente com o "Não à guerra", "foram as duas máximas expressões de autoorganitzação popular na Catalunha" e assegura que conseguiu que o independentismo tenha se tornado hegemónico. E é por isso, diz, que "nos pusemos do lado do povo e fizemos chegar as nossas contribuições durante todo o verão" já que para a organização "nenhum revolucionário pode ficar à margem enquanto a cada vez mais e mais camadas das classes populares se somam ao projeto independentista".
Do seu lado, Endavant (OSAN), que valoriza muito positivamente a manutenção das convocações e as mobilizações da Esquerda Independentista por todos os lados da Catalunha, considera que "o fato de que tanta gente tenha saído à rua, especialmente em Barcelona, procedente de diferentes pontos dos Países Catalães tem um valor enorme". "Este Onze de Setembro supôs um golpe muito importante contra o autonomismo e contra as falsas soluções como o pacto fiscal", afirma.
Fazer frente às tentativas de CiU de sacar rèdit ao progresso independentista
Ambas organizações põem o acento na necessidade de impedir que a direita catalã [que governa na Comunidade Autónoma representada por Convergència i Unió – CiU] queira capitalizar o movimento independentista. De fato, Endavant (OSAN) não tem "nenhuma dúvida" de que CiU foi o agente político "que melhor conseguiu capitalizar essas mobilizações".
A organização acha que a tendência é a de “entregar em bandeja a maioria absoluta a CiU" e considera que a ANC o possibilita, bem como Esquerra Republicana de Catalunya [socialdemocratas nacionalistas] e Solidaritat Independentista [neoliberais independentistas], a vontade dos quais "é empurrar CiU para que convoque um referendo de autodeterminació desde o Parlamento Catalão". "Todas estas estratégias reforçam a centralidade de CiU como representante e como guia do movimento nacional, neste caso regional [em referência a que as propostas estão se focando na Catalunha, esquecendo o conjunto dos Países Catalães]", critica.
"A transição nacional de CiU quer ser uma transição com as cartas marcadas em favor das classes dominantes de sempre: uma transição que agora terá de ser tutelada pela Europa dos mercados, a banca e as multinacionais", sustenta. O MDT coincide na hora de denunciar "como a direita catalã e os seus apoios económicos e mediáticos tentam reconduzir a situação no seu favor".
Por isso o MDT acha que a função da ANC é "continuar aumentando a consciência independentista a cada vez em mais camadas da população, mobilizar o povo e impossibilitar, portanto, as manobras de CiU". "A guerra pela hegemonia dentro o movimento independentista não está ganhada, senão que mal acaba de começar. Temos de ser cientes de que CiU e os setores sociais que representa não ficarão parados e tentarão capitalizar o movimento independentista a serviço dos seus interesses", alerta o MDT.
Impulsar a Unidade Popular
Neste contexto, Endavant (OSAN) avisa: "O palco mais provável a meio-longo prazo, se uma alternativa de esquerdas e independentista não impede, é um novo pacto entre as elites, o preço do qual será, como agora faz três décadas, a liberdade dos Países Catalães e os direitos das suas classes populares".
Segundo o MDT, a solução a esse panorama é "articular um pólo de esquerdas dentro deste movimento que aposte claramente pela radicalidade democrática, socialize um programa transformador de Unidade Popular e incorpore os outros territórios nacionais à dinâmica mais adiantada da Catalunha". Assim, apela para articular um pólo de esquerdas através de "instrumentos eficazes, já agora um referente político de massas", que tem que ser a Candidatura d’Unitat Popular (CUP). "Faz falta que toda a Esquerda Independentista assuma que a CUP é esse referente, isto é, a ferramenta de mobilização e encaixe dos sectores mas adiantados das classes populares", manifesta.
Para Endavant (OSAN) o impulso da Unidade Popular tem que a realizar o conjunto da Esquerda Independentista. "É precisamente o estabelecimento da unidade popular uma das tarefas fundamentais da Esquerda Independentista hoje", afirma Endavant, que considera "imprescindível" que a Esquerda Independentista faça "um salto qualitativo" para que seja capaz de "articular uma ambiciosa proposta de libertação nacional desde a esquerda para o conjunto do povo catalão".
As partes entre colchetes [...] são notas do tradutor para facilitar a compreensão do texto a pessoas não familiarizadas com a realidade catalã.
Foto: Llibertat