O relatório anual do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), das Nações Unidas, “A Perspectiva Global sobre Consumo Sustentável (PCS)”, apontou que o atual modelo de agricultura exploratória, baseado no agronegócio, ultrapassou os limites considerados aceitáveis na exploração dos recursos naturais, devido ao grande risco para os recursos hídricos, a degradação do solo e das atividades pesqueiras.
A uso intensivo da água para atividades industriais em detrimento do uso doméstico deverá piorar a situação dos pequenos agricultores e aumentar os conflitos sociais. As secas deverão ser, cada vez mais, frequentes e aumentar a escassez e alta dos preços dos alimentos, o que aumenta as pressões inflacionárias e o impacto sobre as camadas mais pobres da população mundial. Hoje, 1,2 bilhões de pessoas vivem com menos de US$ 1 dólar por dia e mais de dois bilhões com menos de US$ 1,75 por dia. Os altos preços dos alimentos está na base das revoluções que têm se expandido pelo mundo árabe.
Sobre a pesca, o Pnuma cita o relatório da FAO, mostrando que 53% dos recursos marinhos corriam o risco de esgotar-se em 2008, 28% estavam excessivamente usados e 3% já haviam se esgotado. Por trás dessa situação, estão a pesca depredatória por parte das multinacionais do setor pesqueiro e a exploração de minerais e petróleo no mar.
As multinacionais petrolíferas, a partir do colapso capitalista de 2007-2008, também têm promovido as atividades extrativista para especular com matérias primas, obtivas a baixo custo, nos mercados financeiros.
A utilização da técnica chamada fracking (ou fratura) consiste na realização de fraturas no solo ou no leito marinho, através das quais são injetadas misturas com centenas de componentes altamente tóxicos, cujas fórmulas são guardadas a sete chaves pelas multinacionais. A infiltração desses componentes químicos no lençol freático, nos aquíferos e no subsolo converte as áreas em bombas tóxicas e coloca em risco quantidade enormes de agua potável. Inclusive, pequenos terremotos vem sendo observados, com cada vez maior frequência, em algumas áreas de exploração. Dessa maneira, altamente devastadora, é como tem se promovido o florescente mercado de gás extraído a partir do xisto (shale gas) nos EUA, no Canadá e no México, que a Petrobras anunciou, nos últimos dias, estar avaliando “cuidadosamente” para começar a produção no Brasil. Os custos, anteriormente proibitivos, se transformaram numa alta fonte de lucros potencializada por meio dos mercados futuros de commodities.
Os agrotóxicos ameaçam a água potável
O relatório Pnuma destaca que o uso abusivo de agrotóxicos nas lavouras de monocultura está contaminando lençóis freáticos, cursos d’água, reduzindo a biodiversidade, promovendo o aumento de pragas e de doenças e desgastando o solo em larga escala.
O Aquífero Guarani faz parte da Bacia Geológica Sedimentar do Paraná, que cobre uma superfície de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, 8 mil quilômetros no Brasil, 225,5 mil na Argentina, 71,7 mil no Paraguai e 58,5 mil no Uruguai, e com uma reserva de água estimada em 46 mil quilômetros quadrados. Nos últimos anos, vem sofrendo com o aumento da poluição devido ao uso intensivo de agrotóxicos, muitos deles proibidos em vários países, até no próprio Paraguai.
O Brasil ostenta o triste título de tricampeão mundial no uso de agrotóxicos. A EPA (Agência de Proteção Ambiental) dos EUA estima que, pelo menos, 70% da poluição nos rios do País, lagos e córregos está diretamente ligada à prática de agricultura de monocultura que envolve o uso intensivo de produtos químicos. Os agrotóxicos estão matando polinizadores naturais, como abelhas e morcegos, colocando em grande risco e equilíbrio do solo.
A alternativa ao modelo de produção do agronegócio é a expropriação das multinacionais imperialistas, a nacionalização do capital financeiro e a realização da reforma agrária sobre o controle dos trabalhadores.
