Durante o despejo, Luca, um dos activistas, conseguiu trepar a uma torre de electricidade de alta tensão, até que a polícia o fez cair. Sem deixar que uma ambulância ou qualquer pessoa se aproximasse do corpo, a polícia fez então as máquinas avançar para o começo dos trabalhos. Entretanto, Luca está em estado crítico no hospital.
A resposta da população não se fez esperar: centenas de pessoas estão desde ontem de manhã a bloquear a auto-estrada e estradas nacionais que atravessam o Vale do Susa, e grandes manifestações de solidariedade tiveram lugar por todas as cidades de Itália. O objectivo é manter as ocupações, re-ocupar a “Baita Clarea” e pôr um fim aos trabalhos de construção.
A expulsão acontece dois dias depois de uma manifestação impressionante, que juntou setenta mil pessoas no Vale do Susa. Um dia que acabou com a polícia a espancar os manifestantes que, na estação de comboios de Turim, procuravam regressar a casa.
Há vinte anos que a luta no Vale do Susa tem sido um exemplo e uma inspiração, ao impedir a construção da linha de comboio, um projecto megalómano que promove a destruição do vale em beneficio de grandes empresas ligadas à máfia italiana.
A mais uma expressão massiça da rejeição deste projecto e pela defesa das montanhas alpinas, o actual governo não eleito de Itália não hesitou em infrigir as leis do país e a fazer uso da brutalidade policial.
Entretanto, uma centena de activistas e agricultores de toda a Itália e de muitos outros países, reunidos em Turim a propósito do encontro Reclaim the Fields (http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/6676), juntaram-se também eles à luta da população do Vale do Susa.
Foto: Infoaut.org - Mobilização contra o TAV.
