Thatcher foi a primeira mulher primeira-ministra da Grã-Breetanha – cargo que ocupou de 1979 a 1990. Foi chamada de "A Dama de Ferro" e recebeu o título de baronesa. A palavra "tatcherismo" foi cunhada a partir de seu nome é designa um tipo de política pública que nasceu com ela, mas não morreu com ela.
Margaret Thatcher foi eleita líder do Partido Conservador da Grã-Bretanha em 1975; sempre foi política de extrema direita e com essa política venceu as eleições de 1979 e manteve-se por 11 anos como primeira-ministra.
A ascensão de Thatcher ao poder marcou mudança histórica que se viu acontecer em outras partes do mundo, por exemplo, no governo de Ronald Reagan nos EUA.[1] Marcou um esforço declarado para reverter os benefícios oferecidos pelo Estado de Bem-estar, sob o argumento que o estado de bem-estar desestimula as pessoas para o trabalho duro como meio para melhorar de vida. Foi período de intensa repressão aos sindicatos, sob o argumento de que seria preciso "flexibilizar" o mercado de trabalho e privatizar o patrimônio do estado, na crença de que as empresas privadas seriam mais eficientes que o Estado, para administrar o patrimônio social ["flexibilizar" foi o mote incansável, também, dos governos de FHC no Brasil (NTs)].
Thatcher fez aprovar leis para limitar a ação dos sindicatos (leis de 1980, 1982, 1984, 1988, 1989 e 1990). Essa legislação enfraqueceu o poder de barganha dos sindicatos, e o desemprego aumentou durante seu governo (mais de meio milhão de novos desempregados). O desemprego aumentou sobretudo na Irlanda do Norte e em áreas industriais da Inglaterra e da Escócia.
Thatcher fez avançar a privatização em larga escala, política que ela trabalhou para apresentar como recomendável, avançada e legítima em todo o mundo. Privatizou a British Aerospace e de Cable & Wireless, a Jaguar, a British Telecom, a Britoil e a British Gas. Depois de 1987, privatizou a British Steel, a British Petroleum, a Rolls Royce, a British Airways e empresas de água e eletricidade. A privatização desenfreada trouxe dinheiro rápido, por pouco tempo, para o Tesouro Britânico, mas, no longo prazo, tudo que essas empresas geraram de lucro ao longo dos anos foi diretamente para o bolso de proprietários privados.
Essas políticas tiveram consequências duras e imediatas para a economia britânica. Os níveis de renda dos 10% mais ricos aumentaram rapidamente, enquanto a renda média do restante da população permaneceram estagnados.
Durante o governo de Thatcher, a desigualdade cresceu rapidamente. O número de crianças vivendo em condições de pobreza extrema mais que duplicou.
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MARGARET THATCHER, primeira-ministra britânica: "Se vocês comprimem os incentivos, de cima para baixo, não importa quanto cada um ganhe, e dizem 'eu fico com a parte do leão só para mim e vocês não põem a mão nela'... Eles dizem 'ok, então não ficarei com a parte do leão'. E param de criar a riqueza extra que os beneficia e beneficia toda a sociedade."
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HEVER: Essas políticas, que se tornaram conhecidas como "tatcherismo", baseiam-se na ideologia neoliberal. Quando Thatcher disse "não existe essa tal de 'sociedade'", ela manifestava o extremo individualismo promovido pela escola econômica neoliberal.
Essa ideologia cultiva a liberdade, e vê a liberdade econômica (e o direito à propriedade privada) como um dos mais básicos direitos humanos [no Brasil, é a ideologia cultivada e propagandeada pelo Instituto Milênio (NTs)].
Mas apesar da aparente moralidade do neoliberalismo, as políticas de Thatcher eram extremamente conservadoras. Enquanto fazia cortes nos serviços públicos garantidos pelo Estado de Bem-estar, ela aumentava os gastos militares para armar o exército britânico ainda para a Guerra Fria.
Mas aquelas armas não foram usadas contra a União Soviética: o inimigo da hora foi a Argentina. Quando, em 1982, a Argentina invadiu as Ilhas Falkland [Malvinas] e South Georgia, que a Grã-Bretanha considerava território britânico "dependente", a Grã-Bretanha retomou o controle dessas ilhas mediante ação militar. Morreram centenas de soldados (a maioria dos quais, argentinos), e a Argentina rendeu-se depois de 74 dias de guerra.
A vitória militar rendeu a Thatcher o codinome de "Dama de Ferro" e fez inflar sua popularidade, bem quando os protestos contra suas políticas econômicas atingiam o pico, o que a levou a vencer as eleições de 1983, e continuar com aquelas políticas.
Thatcher opôs-se às sanções contra a África do Sul durante o apartheid. Referia-se ao Congresso Nacional Africano, de Mandela, como "típica organização terrorista". Falava da África do Sul como "aquela terra de amalucados", sugerindo que Nelson Mandela jamais conseguiria governar o país.
Sempre apoiou Israel e foi o primeiro primeiro-ministro britânico a visitar Israel, em 1986.
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THATCHER: Claro que quando o presidente da Comissão, Mr. Delors, disse numa conferência de imprensa, dia desses, que quer que o parlamento europeu seja o corpo democrático da comunidade, queria que a Comissão fosse executiva e queria que o Conselho de Ministros fosse o senado. Não, não e não.
Ou talvez os Trabalhistas concederiam tudo isso, facilmente. Talvez aceitassem uma moeda única, a total abolição da libra esterlina. Talvez, totalmente incompetentes como são em temas monetários, adorariam entregar toda a responsabilidade, como fizeram ao FMI, a um banco central."
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HEVER: O legado de Margaret Thatcher portanto, não são só as políticas econômicas de extrema direita, em nome do individualismo. Ela foi também um dos agentes que forjaram a aliança entre o neoliberalismo e o neoconservadorismo, com ênfase na segurança, em valores conservadores e domínio pela força das armas, com sistema econômico que se declara livre, mas contribui para aumentar as desigualdades sociais.
Thatcher morreu essa semana, mas a aliança entre neoliberais e neoconservadores que ela ajudou a forjar permanece forte até hoje, não só no Reino Unido, mas em todo o mundo capitalista.
[1] No Brasil, são os anos da ascensão de FHC, que teve início difícil: de 1978 (quando se candidata ao Senado e é derrotado por Franco Montoro; só chegaria ao Senado em 1983; em 1985 é derrotado por Jânio Quadros, em eleição para a prefeitura de São Paulo; em 1993, passa de ministro das Relações Exteriores no governo do presidente Itamar Franco, para ministro da Fazenda) até 1994, quando afinal é eleito presidente pela primeira vez, antes da "reeleição" de 1998, comprada (http://psdbnuncamais.blogspot.com.br/) [NTs].
Original em: http://therealnews.com/t2/index.php?option=com_content&task=view&id=31&Itemid=74&jumival=10050
Tradução do coletivo Vila Vudu