A direita tradicional funcionou como um fator de aglutinação de todos os setores de direita no último período. Conforme as políticas neoliberais colapsaram e as massas entraram num período de ascenso, a burguesia tem fortalecido os setores ultradireitistas dentro desses partidos disputando o controle com a direita tradicional.
Os casos mais claros do processo acontecem na França e nos EUA, mas também já apareceram na Alemanha e na Grã Bretanha.
EUA
Nos EUA, o Tea Party tem disputado o controle do PR (Partido Republicano) o que tem levado a que setores da direita tradicional republicana se aproximassem, votassem publicamente em Obama e até participassem do governo.
A direção do PR declarou recentemente que para ter alguma chance eleitoral, o partido deverá promover “profundas reformas internas”, tais como abrir-se às minorias raciais e aceitar as demandas pela lei de imigração. O documento acusa o Tea Party de ter levado o PR a “uma via ideológica sem saída”. Paul Ryan, o número dois do PR na Câmara dos Deputados, apresentou uma proposta para eliminar o Medicare e a substituição por bônus.
O Tea Party, apesar das recentes derrotas eleitorais, e o enorme desgaste provocado pela derrota no Iraque, continuam com forte poder nos aparatos, controlam grande parte dos 30 estados onde o PR governa e os organismos de aglutinamento da ultradireita, como o Instituto Heritage (irmão do Instituto Millenium brasileiro) cuja presidência foi assumida há dois meses pelo senador Jim DeMint, que renunciou com esse objetivo à vaga parlamentar.
A ala de centro do PR (Partido Republicano) representa os setores mais importantes dos grandes capitalistas, mas hoje o grupo ligado à família Bush, por exemplo, responsável pelas guerras do Iraque e do Afeganistão, não conseguiria ganhar uma eleição federal. A tendência de ruptura ficou evidente na recente crise do chamado “abismo fiscal”, onde os setores de centro votaram com o governo, contra os representantes da ultradireita do seu próprio partido, mostrando graficamente a.
O Tea Party representa uma nova política dos setores da ultradireita norte-americana que tem como objetivo conter o ascenso das massas, que será inevitável no próximo período, por meio da organização de um movimento de cunho fascistoide e da escalada da força, muito além do jogo parlamentar. Estes setores representam, porém, um elemento de desestabilização extraordinária do regime politico devido a que o ascenso contrarrevolucionário poderia levar à perda do controle do regime e provocar a evolução no sentido revolucionário. Isto explica os temores da direita de centro e dos setores majoritários da burguesia. A crise do PR, estimulada pela imprensa imperialista, é, portanto, uma crise do próprio estado e da burguesia, do regime de conjunto.
França
Na França, o grupo liderado por Jean François Copé quase tomou o controle da UMP no último Congresso e a situação somente foi controlada com a intervenção do próprio Nicolas Sarkozy. O grupo de Copé tem atuado em frente única com os abertamente fascistas da Frente Nacional (hoje batizada com o inocente nome de Acqua Marine). Juntos impulsionaram as manifestações contra o casamentogay, que, de fato, são usadas como um mecanismo catalizador, muito além das reivindicações reacionárias em si, para medir forças e disputar espaços de poder. Ambos grupos estão alinhando uma aliança mais estruturada para as próximas eleições municipais que acontecerão neste ano.