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200213 faroGaliza - NÓS-UP - O número correspondente ao primeiro trimestre de 2013 já está na rua e na rede em formato de fácil leitura, disponível na nossa página web.


O editorial é dedicado aos despejos e a gente afetada na cidade de Vigo, baixo a legenda "Gente sem casa, casa sem gente" analisamos os problemas e as possíveis soluçons. Neste número,o quinto, Faro Obreiro entrevista a Paco Martinez, um trabalhador de Vitrasa e membro do Comité de Empresa pola CIG, que participou de maneira ativa na última greve da sua empresa.

O artigo de opiniom de Adriám Vasques, Responsável do grupo de base de BRIGA em Vigo, e a seçom de notícias da atividade desenvolvida em Vigo nos últimos meses completam este quinto número.

Gente sem casa, casas sem gente

Durante o ano 2012 mais de 1.200 imóveis fôrom embargados no município de Vigo e produzírom-se 564 despejos. Esta cifra seria maior se as execuçons de despejo nom se tivessem congelado desde o mês de novembro até o final do ano por ordem do governo, umha medida pretensamente "de graça" que só vai adiar o problema sem solucionar absolutamente nada. O dado contrasta com o censo de vivendas vazias que, segundo o Institudo Galego de Estatística, se acha perto das 20.000. Eis a macabra ironia à que se enfrenta o povo trabalhador viguês, os proprietários acaparam vivendas suficientes para albergar a todas as famílias despejadas durante os próximos 40 anos, mas ainda assim decenas som expulsas das suas casas cada mês e abandonadas à sua sorte. As 4.500 pessoas que atualmente vivem nas ruas da Galiza (segundo os pouco fiáveis dados oficiais) som a melhor testemunha da gravíssima situaçom pola que passam as classes populares. Por se fosse pouco, os principais beneficiários desta sangria, os bancos, vivem hoje das injeçons de dinheiro público que é pago polos mesmos trabalhadores e trabalhadoras aos que roubam as suas moradas. O famoso artigo 47 da constituiçom espanhola, que outorga a todos os súbditos o direito a umha morada digna, nom é mais do que o remate para esta brincadeira de mau gosto.

Nos últimos tempos abundam as vozes que se alçam contra esta escandalosa injustiça. Desde os coletivos de apoio às pessoas afetadas até os oportunistas de qualquer pelagem em parlamentos e concelhos, clamam contra a inumanidade dos despejos. Desta variada oposiçom partem todo tipo de propostas, a cada qual mais ocorrente, sobre como frear o drama. Proponhem-nos a daçom em pagamento, períodos de carência, limitar a concessom de hipotecas, procedimentos concursais e subsídios à banca e aos utentes. Porém, todos eles batem de frente contra a realidade do capitalismo, contra a certeza de que enquanto permitamos que a vivenda seja umha mera mercadoria com a que negociar, nada vai mudar. Chegados a esse ponto, som poucos os que conseguem dar um passo em frente e assumir o modelo de propriedade privada que o capitalismo nos impom é incompatível com o direito a ter um tecto.

Figerom-nos aceitar pola força que devemos respeitar o direito dos ricos a possuir as vivendas antes que o direito dos pobres a viver dignamente, mas agora começamos a ver que semelhante lógica só nos traz famílias na rua, suicídios e pobreza extrema. A única saída possível à atual situaçom é colocar as necessidades básicas do povo trabalhador por cima de qualquer outra consideraçom: há que expropriar as vivendas vazias aos bancos e às imobiliárias para entregar-lhas às obreiras e obreiros sem recursos. E ainda mais, se o governo nom quer assumir esta tarefa teremos que ser nós mesmas quem o fagamos. É intolerável que alguns se fagam de ouro especulando com os direitos mais elementares do povo e deve ser proibido imediatamente.

Se em Vigo existem milhares de vivendas vazias em maos dos empresários, há que repartí-las imediatamente entre as viguesas e vigueses com menos recursos: desempregadas, jovens, reformados e famílias numerosas. Se isto incomoda aos proprietários, pior para eles, antes de contentar a umhas poucas empresas com balanços anuais multimilionários devemos preocupar-nos por garantir umha vida digna para o resto da sociedade. Só medidas como esta modificarám realmente a desesperada situaçom que atravessamos atualmente, o resto de receitas milagrosas que nos oferece a esquerda parlamentar som umha burda maquilhagem para tapar um problema estrutural que precisa dumha intervençom radical e decidida.

 

 
 

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