1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 (2 Votos)

201111_Vhomenagem.2011.3Galiza - Mádia Leva - De hoje para sempre... 93 anos depois.


Soavam polo alto-falante A Quenlha: "a verdade nacionalista floresce como umha rosa e a assembleia proclamou a consigna de A Terra é nossa!", enquanto pendurávamos na porta do hotel Mendes Nunes a nossa oferenda floral. Os e as nacionalistas do Mádia Leva! almejamos com esta modesta homenagem que continue a florescer a mesma ideia de liberdade.

Sem a presença da imprensa e sob a chuva começou a leitura da escolma feita para a ocasiom. O da imprensa nom nos surpreende. Lembremos a crónica do mesmo jornal "El Progreso" no ano 1918 sobre a I Assembleia Nacionalista:

"En resumen: que la "Irmandade da Fala" tiene hombres llamados a contribuir a la labor regeneradora de Galicia, pero, con otros caminos,con otras tendencias: con más amplitud de miras y sin limitar el marco de acción a lo que se puede decir en gallego."

Nós preferimos outras leituras, e pola boca de diferentes companheiras e companheiros, levamos à rua a voz de Rosalia, Castelao, Celso Emílio,Lousada Diegues, do jornal A Fouce ou do Uxio Novoneyra. E rematamos o ato com os versos de Lois Pereiro:

"Quanto piores forem os tempos que vivamos, mais falsa será a ingenuidade, menos inocente a indiferença, e mais cúmplice nom comprometer-se"

A seguir podes ler o resto dos textos que se lerom no acto de homenagem:

ROSALIA DE CASTRO "CANTARES GALEGOS" 1863.

Pobre Galiza, nom deves

chamar-te nunca espanhola,

que Espanha de ti se olvida

quando és, ai!, tam formosa.

Qual se na infámia nasceras,

torpe, de ti se envergonha,

e a mae que um filho despreza

mae sem coraçom se noma.

Ninguém por que te levantes

che alonga a mao bondosa;

ninguém os teus prantos enxuga,

e humilde choras e choras.

Galiza, tu nom tens pátria,

tu vives no mundo sozinha,

e a prole fecunda tua

se espalha em errantes hordas,

enquanto triste e solitária

tendida no verde tapete

ao mar esperanças pedes,

de Deus a esperança imploras.

Por isso embora em som de festa

alegre à gaitinha se ouça,

eu podo dizer-che:

Nom canta, que chora.

LOUSADA DIÉGUEZ, 1922.

O movimento nacionalista acho que nom pode deixar por mais tempo de voltar à vida pública das praças, das ruas e dos comícios do agro. Nom abonda para a vitalidade galega que somente alumiem os reflexos do nosso pensamento e umhas arelas esmatadas. Galiza nom pode ter o seu contentamento com umhas cantas argalhadas que semelham toda a açom galega e nom som mais que a côdea das aspiraçons e dos desejos.

No progresso e no aperfeiçoamento humano tem a dor a mais grande parte, porque a dor, no seu mais elevado significado espiritual, leva em si um degaro infindo de perfeiçom, é o mais fundo salio sobre a afirmaçom da existência e do desenvolvimento da atividade que topa um valo no seu caminhar.

E o nacionalismo galego como um anseio de existência e de aperfeiçoamento das atividades da nossa terra tem que berrar a todas as horas a dor da Galiza e afirmar a sua potencialidade e a sua energia encolleita e acochada nas artificialidades e na pobreza das organizaçons políticas e sociais que os assovalham.

A mocidade quer luita e quer acolher-se a umha bandeira que signifique um despertar e um amanhecer. A nossa bandeira bem ergueita e livre ao vento tem que levar aos coraçons moços um ideal que faga latejar a alma com ledice com a formançom de umha obra que se começa e que leva a possibilidade de ser rematada aginha tendo as portas abertas a todos os ventos da Justiça e da Beleza.

A todos os velhos nacionalistas é preciso dizer-lhes que temos a obrigaçom de rejuvenecer a nossa atividade e que da nossa capacidade para umha mocidade costante e para um renascimento de todos os dias depende o triunfo do nosso ideal. Temos que ser o sol de cotio no seu nascimento e se o miramos morrer que isto seja para voltar os olhos ao Nascente.

A FOUCE, 1931. «Inactividade suicida dos nacionalistas galegos».

As críticas à passividade galeguista datava de antes de abril de 1931. Em fevereiro de 1930 Vicente Risco proporá sem êxito a criaçom de umha Assembleia Geral Galega, espécie de governo provisório que aguardaria à queda da monarquia -que se via como iminente- para tomar o poder na Galiza. Em dezembro desse mesmo ano A Fouce publica o artigo «Inactividade suicida dos nacionalistas galegos» que contém já a essência do posicionamento independentista durante todo o processo:

«...O povo galego lançou-se a via pública a gritar contra o governo, a gritar contra Espanha porque Espanha, hoje por hoje, nom existe se nom é representada na força da Guarda Civil, nos Guardas de Ordem Pública e no Exército. Para a Galiza hoje Espanha é isso. Quando o povo nas ruas de Lugo apedrejava a Guarda Civil e quando espancava Antoñín Primo de Rivera nas ruas de Santiago nom fazia outra cousa que bater no seu amo: dentelhadas de escravo.

Que figérom entom os nacionalistas galegos? Pôr-se a berrar viva a República, como se a palavra República, com o significado que tem na Espanha, significasse algumha cousa para a Galiza.

Foi esse um momento que deveu aproveitar-se, polo menos para fazer correr a voz polo mundo de que na parte Noroeste da Península Ibérica há um povo escravo que luita pola sua liberdade.

Os dirigentes nacionalistas nom quigérom ver nesse movimento galego mais que um protesto contra Bugalhal por um lado contra as desfeitas da ditadura primorriverista polo outro.

Que falta de visom!... Os homens dirigentes do nacionalismo galego estám obrigados a enxergar os problemas com mais amplitude e com mais decisom.

Os sucesos da Galiza fôrom umha ocasiom, e os dirigentes nacionalistas nem sequer se lembrárom de que «a ocasiom a pintam calva».

[...]

Por isso, quando chegou o momento político, os literatos e os artistas nom berravam já viva Galiza Livre, senom viva a República, porque tinham a segurança de que com esses berros nom feriam ninguém».

CELSO EMÍLIO FERREIRO, "PRESENTES" 1936

para J. Ilha Couto

Como o soldado que, ardendo em impaciência aguarda, arma ao braço, pola ordem –que nom chega– de entrar em fogo, podendo ser nas vanguardas da luita, assim se acha a veterá Mocidade de Cela Nova, desde a constituiçom da Federaçom das Mocidades Galeguistas (F.M.G.).

Nós cuidávamos que as Mocidades, ao atingir essa independência, que na inesquecível assembleia de Ourense se conseguiu do Partido, começariam um conjunto movimento autenticamente juvenil, quer dizer, revolucionário, destrutor, violento, capaz de tirar o sono aos governadores das quatro províncias e de fazer vibrar os nervos, hoje aletargados, dessa grande parte da juventude galega ainda nom envolvida nas nossas filas. Pensando assim, preparamo-nos para ser os primeiros entre os primeiros que quigessem dar o seu sangue e a sua liberdade pola grande Causa, figemos um recrutamento de voluntários dispostos a todo. Formada esta espécie de força de choque, pugemo-nos a esperar, cheios de impaciência e de fervor patriótico, pola hora de “açom” que nom acabava de soar.

Passárom os dias, e a luita, tal como nós a concebíamos, nom chegava; entom, concretando o pensar unánime dos meus irmaos, publiquei um modesto artigo do qual som –entre outoras– estas palavras: “Sobra-nos lirismo e falha-nos audácia e rebeldia combativa. Feito já o edifício do nosso sistema, temos que esborralhar o do inimigo. Enquanto os intelectuais fam trabalho cultural para o desenterro do nosso espírito e do nosso “ser” autóctone; enquanto os irmaos mais velhos constroem as essências da Pátria, nós, os moços, temos de ser piqueta derrubadora da “anti-pátria”; temos de ser a força que imponha o que o cérebro concebeu. Para isto, há que afrontar a luita revolucionária com todas as suas consequências de encadeamentos, perseguiçons, etc. Em cada Mocidade deve fazer-se umha seleçom de patriotas fortes e decididos, para que quando figer falta, saiam à rua a impor-se pola violência. Temos a razom e devemos ter a força”.

Estas palavras nom achárom eco em nengures; entom nós, tristes, mas nom decepcionados, continuamos a esperar...

Mas agora, depois de ler o chamamento que nos fás, vemos con ledice que pensas como nós e que te dás conta, de que, se as Mocidades continuam desviadas da luita revolucionária –tal como até a data–, serám qualquer cousa menos umhas mocidades que tenhem a sagrada obrigaçom de libertar um povo, oprimido pola mais nojenta das opressons; serám qualquer cousa, mas nom uns patriotas que tenhem o dever de luitar e morrer pola Pátria que periga.

A teu chamamento, irmao Ilha Couto, nós respondemos: Presentes!

"SEMPRE EM GALIZA" VI, Livro Primeiro (fragmento). Castelao.

A esta fala popular, viva e gloriosa, os imperialistas chamam-lhe dialeto. Mas eu perguntaria-lhes: "dialeto de que idioma? Do que vós chamades espanhol?" De nengumha maneira, porque o idioma que vós impugestes pola força é um irmao menor do galego, "Acaso queredes dizer que é um dialeto do latim?". Pois entom, chamade dialeto ao francês, ao italiano, ao romeno, porque também som filhos do latim e irmaos do galego.

E diria-lhes mais: "Proibistes o galego nas escolas para produzir no espírito dos nossos rapazes um complexo de inferioridade, fazendo-lhes crer que falar galego era falar mal e que falar castelhano era falar bem. Expulsastes o galego das igrejas, fazendo que os representantes de Cristo explicassem o Evangelho no idioma oficial, que o povo nom falava nem compreendia bem. Refugastes o galego perante os Tribunais de justiça e chegastes a castelhanizar barbaramente as toponímias galegas. E de que vos valeu? Porque depois de mais de quatro séculos de política assimilista, exercida com toda riqueza de astúcias e violência, o nosso idioma está vivo. Sodes, pois, uns imperialistas fracassados".

UXIO NOVONEYRA

"Certamente a responsabilidade da Língua é de todos, nom só dos escritores em Língua Galega nem dos nacionalistas defensivos ou críticos. A todo galego, seja de partido que for, incumbe a responsabilidade da sobrevivência da Língua e a reivindicaçom da dignidade nacional da Galiza e o direito da autodeterminaçom, reconhecido nominalmente para todos os povos".


Diário Liberdade é um projeto sem fins lucrativos, mas cuja atividade gera uns gastos fixos importantes em hosting, domínios, manutençom e programaçom. Com a tua ajuda, poderemos manter o projeto livre e fazê-lo crescer em conteúdos e funcionalidades.

Microdoaçom de 3 euro:

Doaçom de valor livre:

Última hora

Publicidade
Publicidade
first
  
last
 
 
start
stop

Quem somos | Info legal | Publicidade | Copyleft © 2010 Diário Liberdade.

Contacto: info [arroba] diarioliberdade.org | Telf: (+34) 717714759

Desenhado por Eledian Technology

Aviso

Bem-vind@ ao Diário Liberdade!

Para poder votar os comentários, é necessário ter registro próprio no Diário Liberdade ou logar-se.

Clique em uma das opções abaixo.