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050413 carcere presos independentistas galegosGaliza - Sermos Galiza - [Hadriám Mosqueira, Senlheiro] O carcereiro preme o botom. Trás do cristal obscuro, é difícil distinguir o seu rosto. O botom fecha e abre as portas automáticas; mediante um interfone envia ordens ao preso: "Pátio?" "Telefone?" "Médico?" Se nom houver resposta imediata entende-se como umha negativa.


Por um buraco da porta, a comida. Por um pequeno vidro, uns olhos fam o "reconto" a umhas horas determinadas. O "crime" ou "suposto crime" (segundo o juiz emita condena ou dite prisom provisional) é punido. Os corpos som depositados, armazenados. A vida do preso é reduzida a umha existência simples e regulada.

Ao redor dos "criminais" (supostos ou condenados), outros homens manejam a engrenagem. Dia após dia, ano após ano, controlam os presos entrando e saindo, dia após dia apanham o seu carro e voltam ao seu lar, acendem a TV, beijam a sua mulher, rifam com o neno ou fam planos para ir de férias a algum complexo termal.

Trás destes homens, dos carcereiros, os especialistas: o médico, o psicólogo, o educador, o trabalhador social observam, entrevistam e redigem os informes. Por cima destes, os poderosos legislam e/ou negoceiam: orçamentos, guerras, territorialidade, economia, etc.

"Artigo 72 do Regulamento Penitenciário. Meios coercitivos. 1. Som meios coercitivos aos efeitos do art. 45.1 da LOGP, o isolamento provisional, a força física pessoal, as defesas de borracha, os aerossóis de açom adequada e as grilhetas".

Fago memória. Apenas dous anos atrás, topava-me sentado numha mesa, a jantar com o resto de trabalhadores do restaurante onde choiava.

As palavras do cozinheiro em práticas, leonês de origem, após tomar cinco ou seis taças de vinho: "Eu cheguei a ser comandante no exército espanhol, na guerra dos Balcãs . Ia subido num tanque, sabes? E premia o botom e aí levava aos que fossem por diante. Comecei de soldado "raso" e ascenderom-me, ganhava mais de 2000 euros ao mês (...) Na minha companhia dizia-se que se a umha rapariga deitada no chão lhe sobre-passam os pés ao passeio já está no tempo de comê-la".

Fijo-se o silêncio, deixamos de comer. "O crime individual acha-se sujeito a severos castigos. Em contraste, a agressom tecnológica nom é um crime (...) Os novos sistemas de agressom destroem sem emporcar as mãos, sem emporcar o corpo, sem incriminar a mente. O assassino permanece limpo, tanto física como mentalmente. A pureza do seu mortífero trabalho consegue umha aprovaçom adicional se se realizar diretamente contra o inimigo nacional e em interesse nacional" (Herbert Marcuse).


 

Hadriám Mosqueira, Senlheiro, trabalhador social e preso independentista galego. 

Soto del Real, Espanha, 13 de Fevereiro de 2013


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