O reitor da USC Juan Casares e o conselheiro de Cultura, Jesús Vasques, visitarão amanhã a Cova de Eirós. Esta jazida de Triacastela está a trazer mais e mais surpresas no seu quinto ano de excavação.
A Universidade de Santiago anunciou que recentemente se produziu uma "descoberta importante", ainda que não tenha precisado mais detalhes por enquanto.
Os trabalhos correm a cargo do Grupo de Estudos para Pré-história do Noroeste do Departamento de História I da USC (GEPN), junto com uma equipa do Institut Catalá de Paleoecologia Humana i Evolució Social de Tarragona (IPHES).
Entre os achados destes cinco anos até hoje destacava um colar que evidência a presença humana no noroeste nos momentos mais duros da última glaciação. Encontrou-se num nível datado há uns 26.000 anos, no período do Paleolítico superior conhecido como Gravetense.
As medições situam a esta peça como a evidência mais antiga de arte móvel do noroeste peninsular, correspondendo com uma etapa em que as montanhas estavam cobertas de camadas de gelo e as paisagens interiores dominadas por pradarias. Diante da falta de jazidas datadas neste época, costumava-se pensar que a Galiza se encontrava despovoada devido aos rigores climáticos.
Na jazida há uma grande quantidade de material lítico e restos de fauna de uma antigüidade que vai desde os 12.000 aos 120.000 anos, o que o converte em ponto de referência na Península Ibérica para estudar os diferentes modos de vida e a evolução da complexidade tecnológica e social das duas espécies de homínidos, Sapiens e Neardental. Os diretores do projeto acham que em Eirós podem-se encontrar restos das duas espécies no mesmo espaço.
Mas a verdadeira importância da descoberta consiste na sequência das suas ocupações. Assim, nos níveis superiores aparece o primeiro testemunho da chegada dos humanos modernos à Galiza, como são restos de ferramentas em sílex e cristal de rocha e uma tecnologia laminar baseada no fabrico de pequenas folhas em cristal de rocha.
A quinta campanha de excavação começou a 12 de agosto e vai findar em setembro. Em princípio estava previsto encontrar restos da época em que se supõe o Homem Sapiens entrou na Península Ibérica.

