Para aquelas pessoas que nom conheçam a Semente, como a apresentarias?
A Semente é um espaço educativo em galego para crianças de 2 a 6 anos em Compostela.
Quais som as motivaçons que vos levárom a criar a Semente?
A principal motivaçom foi a necessidade de construir alternativas que contribuam para inverter o processo de perda de falantes e a situaçon de minorizaçom da nossa língua no nosso País, que podem levar à desapariçom desta. Os centros sociais som espaços que funcionam bem e pensamos que era momento de agir em ámbitos diferentes.
A escola é um dos ámbitos de socializaçom secundária das crianças que pode reforçar o uso da língua ou bem fazer que a abandonem, e queríamos contribuir para o reforço desta, assim como tentar garantir o direito de viver em galego para as crianças.
Nom estamos a inventar nada novo, senom que estamos a emular a soluçom que outras naçons sem estado já derom ao mesmo problema como podem ser as ikastolas ou as escolas Diwan na Bretanha.
A situaçom concreta para crianças de 3-6 anos é que após a aprovaçom do decreto 79/2010 em que se diz que o professorado falará na língua da maioria, o contato das crianças com a língua própria pode ser nulo. Nós vimos umha fenda posto que a escolarizaçom nessa idade nom é obrigatória e podíamos fazer um espaço educativo integramente em galego.
Também queríamos implementar umha pedagogia crítica que respeitasse as crianças e que as fosse capacitando para poder mudar realidades caso o precisem. Assim, valores como o feminismo, a laicidade, umha educaçom inserida na natureza e no bairro, ou o assemblearismo, nom podiam faltar.
O nosso nome faz referência às Escolas de Ensino Galego que promovêrom Ángelo Casal e Leandro Carré a princípios já do século passado.
Podes-nos descrever o espaço e o funcionamento do centro?
A Semente é um espaço muito acolhedor. Tem duas salas repartidas em recantos: lógico-matemático, leitura, plástica, música, descanso...que permitem o desenvolvimento de capacidades de forma específica,e um espaço exterior muito fermoso onde há um areeiro, horta e árvores fruteiras. Isto permite às cativas e cativos desenvolver distintas capacidades através do jogo e de experiências prazenteiras, reconhecer os ritmos da natureza...
Funciona como escolinha de manhá e como centro de lazer à tarde. O espaço de tarde é um espaço lúdico-educativo com um pedagogo com ampla formaçom e experiência em teatro, jogos com balons e animaçom, em que as crianças brincam dum modo criativo podendo estar acompanhadas ou nom dos seus pais e maes.
Na escolinha, trabalha-se por projetos, onde se parte do interesse do aluno/a e se vai construindo o conhecimento sempre partindo da realidade concreta e tendo como base o currículo oficial. Os projetos vam encaminhados tanto a desenvolver as capacidades próprias dessa idade, quanto a achegar o nosso acervo cultural às crianças, com um professorado com muita experiência e amplos currículos. Alguns dos exemplos de projetos que já se figérom na escolinha forom: O Apalpador, A nossa casa, As mulheres das nossas vidas... trabalhados de umha pedagogia crítica.
No nosso sítio web www.sementecompostela.com podem ser consultados mais dados do nosso funcionamento e ver fotos do espaço.
Existe um debate no movimento nacionalista de esquerda sobre a estratégia a seguir no ensino. Qual é a vossa posiçom ao respeito?
Sim, é certo que há um debate sobre se a luita deve ser por umha mudança política que facilite o ensino que queremos ou se se devem apoiar iniciativas como a nossa.
Bom, nós pensamos que nom som luitas excludentes. É certo que precisamos de umha mudança das condiçons políticas polas que estamos assim, mas com esta iniciativa nom renunciamos a nada. O que acontece é que acreditamos que é o momento de começar a construir, pensamos que nom podemos esperar mais. Só há que saír à rua para ver a presença e a saúde da nossa língua, especialmente nas novas geraçons urbanas. E a realidade é que agora mesmo nas cidades há pessoas que querem escolarizar as suas filhas e filhos em galego e encontram muitas dificuldades ou simplesmente, nom podem. Podemos continuara a esperar, mas a Semente é umha soluçom comunitária, neste momento, para pais e maes de crianças em Compostela de 2-6 anos. É umha soluçom comunitária porque nasce de umha associaçom, a Gentalha do Pichel, que está aberta a pessoas que queiram participar e já temos por volta de 40 pessoas que acreditam na necessidade da existência da Semente, contribuindo mensalmente para pagar as despesas com a quantidade que consideram oportuna. Na Semente nom há lucro, todo o que ganhemos reinvestirá-se no projeto. Nom é estatal, e por desgraça nom gratuita ainda, mas sim existem diferentes preços em funçom do nível de renda.
Quais som as perspetivas de futuro que tem a Semente?
Existem pessoas doutros coletivos que já se achegárom a nós para se informar, com a ideia de criar projetos similares noutras cidades, polo que a ideia seria criar umha rede de escolas em galego Semente. Na Semente de Compostela, com o tempo, estudaremos a possibilidade de crescer também a outras etapas educativas.
Por último, que iniciativas estades a desenvolver para publicitar a escola e assegurar a sua sustentabilidade económica?
Para publicitar a Semente, temos feito jornadas de portas abertas, enviado notas de imprensa e utilizado as redes sociais, mas estamos conscientes de que por urgência doutros trabalhos se calhar temos descuidado um pouco esse aspeito e estamos a tentar reconduzí-lo. O passado dia 20 de janeiro tivémos um concerto no Auditório de Galiza que serviu como publicidade e também como umha das atuaçons pontoais que fazemos para recadar dinheiro.
A ideia para fazer sustentável enomicamente a escola é aumentar a rede de colaboradores e colaboradoras que acreditem em que é preciso um ensino em galego, nom só com aquelas pessoas que tenhem umha necessidade imediata de uso das suas instalaçons, senom com as que se sintam comprometidas com a nossa língua e com o nosso País. Os esforços para levar à frente um projeto como este som grandes, tanto económicos como de trabalho, polo que toda colaboraçom é bem-vinda.

