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231012 matadorGaliza - Galizalivre - [Marcos A. M.] Contentes com a sua contagem de papeletas, os analistas profissionais e aficionados debruçam-se sobre o enigma de que umha força como o PP, responsável clara por medidas que empobrecem diretamente centenares de milhares de galegos, poda nom somente revalidar a sua maioria parlamentar, mas inclusive alargá-la.


Com a olhada fixa nos números e nas "tartas", os galegos de a pé ficam atónitos e descoraçoados, repetem a ladaínha de "Que país temos!" e rebuscam entre as amizades e vizinhança na procura dos votos segredos a Feijoo.

Pois bem, essa focagem deixa fora da vista o acontecimento mais importante do 21 de outubro. E é que as instituiçons espanholas concitam cada vez menos apego por parte dos galegos e galegas. Esse é o fenómeno de fundo que se está a produzir na sociedade, muito mais relevante que os detalhes sobre que vota a gente que ainda confia no partido da ordem. Se os votos às candidaturas "sérias" se repartem assim ou assado, é um assunto menor. Que cada vez menos gente confie as suas esperanças no conjunto dessas candidaturas, assim como no "trabalho" que desenvolverám no parlamentinho ou na Junta, isso já é umha outra cousa. As conseqüências serám boas ou más para a causa nacional, mas em qualquer caso é nisso que há que centrar a atençom, porque as propostas "de esquerda" que tentam convencer à gente de que é possível manter o modo de vida baseado no estado-providência e no alto nível de consumo somente enganam a quem prefere nom afrontar a situaçom de emergência na que estamos, isto é, a quem um atiborramento de ideologia nom lhe permite ver o desmoronamento da civilizaçom capitalista que está a transcorrer perante os nossos olhos.

A numerologia eleitoral e as análises som sempre terreio abonado para a justificaçom de qualquer teoria. Eu preferiria nom cair nisso, mas quero assinalar mesmo assim uns factos claros: meio milhom de compatriotas deixárom de votar nos três partidos dos sistema político galego (PP, PSOE e BNG). Algo menos de metade deles, é claro, deixou-se iludir polos vendedores de cresce-pelo de AGE, mas mesmo assim a desafeçom é grande, como se aprecia no incremento da abstençom (250.000 abstencionistas mais).

A opçom do "voto de castigo" começa também a ser importante. Os votos nulos e em branco atingem a cifra de 75.000 (6,24%), aos que haveria que acrescentar os recebidos por umha estranha candidatura chamada "Escanos em branco", que foi sexta força política com 17.000 sufrágios.

Quase como anedota neste panorama global, também queria apontar para os resultados do Partido da Terra. Um partido com um discurso e umha prática completamente anti-política, defensor da democracia paroquial, ruralista e anti-industrial, reintegracionista... que sem estrutura política nem recursos económicos se apresentou por primeira vez e conseguiu mais votos que os partidos independentistas tenhem conseguido nunca. 3.000 papeletas nom som muitas nem marcam tendência social, mas dam que pensar a quem com muitíssima militáncia e compromisso nom atingimos nunca essa cifra tam baixa.

Em conjunto, a situaçom polariza-se entre os partidários de espremer este sistema custe o que custar, defensores sem esperanças dos cortes e do empobrecimento da populaçom, à maneira de quem oferece sacrifícios humanos a um deus no que nom acaba de acreditar... e quem abandona a fé nessa religiom, nos seus sacerdotes e nos seus ritos. Entre estes incrédulos haverá de todo: cabreados, descridos, egoístas, visionários... Levam em si, para bem e para mal, o novo mundo, e cada dia que passa engrossam as suas filas.


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