Nom fôrom poucos os que no momento em que Gerardo Conde Roa acedeu à máxima magistratura da Cámara municipal de Compostela vaticinárom que nom esgotaria a legislatura, embora ninguém aguardava que nom chegasse a cumprir o ano. Para quem conhecesse minimamente a personagem, a dúvida nom estava em saber se o alcaide acabaria demitindo, senom onde se originaria o escándalo que o colocaria fora do Paço de Rajói.
Finalmente fôrom os seus incumprimentos fiscais no pagamento do IVA os que o pugérom numha situaçom que fijo insustentável a sua permanência no cargo, e assim, forçado polas pressons no seio do seu próprio partido, deveu abandonar a alcaidia após duas semanas em que o histrionismo da personagem chegou ao seu paroxismo.
Após quinze dias de incertezas, adornadas por episódios tragicómicos em que nom faltárom nem palhaços de sona internacional ou referências taurinas, o próprio Alberto Nuñez Feijó forçou a demissom pactuada de Conde Roa. Este conseguiu colocar ao frente do governo municipal o seu candidato, Angel Currás, passando por cima da quem era a segunda na listagem eleitoral do PP, Paula Prado, encerrando assim as desavenças dentro do próprio grupo municipal e na organizaçom local do partido.
Rematado o espetáculo público, Conde Roa retirou-se da primeira linha da política municipal, se bem nom abandonaria o cargo de presidente local do PP até meados de junho, dando passo ao desenvolvimento dum novo modo de governo caraterizado por umha evidente maior discreçom mas que nas suas linhas gerais nom se moveu nem o mais mínimo das suas coordenadas programáticas originais.
O perigo da discreçom
Em certa medida o histrionismo de Conde Roa favorecia o labor da oposiçom, tanto da que se senta em Rajói como da que agimos através das organizaçons populares, que nom tinha mais que confiar na capacidade do anterior alcaide para gerar escándalos gratuitos e auto-desqualificar-se em público. Mas Currás inaugurou um novo estilo em que com maior subtileza se levam avante políticas regressivas e reacionárias, mas sem gerar tanto barulho.
A recente aprovaçom da nova ordenança municipal que regulamenta o uso dos espaços públicos é um bom exemplo desta nova tática, mas nom é a única. Assim acima da mesa de Currás continuam a estar os projetos da Finca do Espinho, o Peleteiro ou o Mercado de Ámio; projetos todos eles que situam na repressom dos movimentos populares, a especulaçom imobiliária e no desenvolvemento dum modelo de cidade terciarizada e volcada para o turismo, os eixos fundamentais do programa político do PP para Compostela.
Os cortes
Até o momento a situaçom de afogo económico pola que passa a administraçom municipal está a reduzir a capacidade de intervençom e posta em andamento dos projetos mais ambiciosos, que em muitos casos também encontram obstáculos legais, mas nom podemos deixar-nos enganar pola aparente calma.
Um bom exemplo de como se gerem os tempos no atual governo se dá com a adoçom das políticas de “cortes”, levantada como bandeira polo PP nas diferentes administraçons que governa, e que está a ser aproveitada para atacar os direitos laborais dos trabalhadores e trabalhadoras municipais, apresentando-os perantea opiniom pública como insolidários. Assim, o governo compostelano soubo jogar com o efeito mediático gerado polo aparentemente inesperado corte de fornecimento elétrico em várias dependências municipais para anunciar, na mesma semana que este se produzia, umha reduçom dos ganhos sociais reconhecidos polo convénio do funcionariado municipal.
Ao tempo que se assinala o coletivo de funcionários como causante do défice, quando menos em parte, continua-se com a contrataçom a dedo de assessorias e reforça-se o papel das empresas empreiteiras de serviços dentro do aparelho municipal.
Ainda que nom o pareça, todo continua igual
Estas iniciativas, comuns a todas as administraçons geridas polo PP em todo o Estado espanhol, funcionam com maior subtileza no momento em que nom está presente Conde Roa para gerar escándalos na imprensa com a sua incontinência verbal.
O PP que continua a governar em Compostela é o mesmo que elegeu Conde Roa como o seu candidato nas eleiçons de 2011. A defenestraçom do anterior alcaide nom foi mais que a encenaçom dum exercício de “gatopardismo” em que, como acontece tantas vezes em política, mudou-se todo para que nada mudasse.
O perigo atual está em que durante um tempo nos afigemos às escandalosas declaraçons públicas com que Gerardo Conde Roa acompanhava qualquer iniciativa. Essa prática acostumara-nos a detectar com facilidade de onde viria o seguinte golpe e preparar a reaçom. Agora os golpes continuam a vir, mas dum jeito muito mais subtil, o que obriga a estar alerta assim como a um maior esforço para fazer umha efetiva labor de denúncia e fiscalizaçom popular.




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