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270612 republicaGaliza - Diário Liberdade - Três entidades culturais organizam a Festa da República Galega neste domingo dia 1 de julho em Ordes. 


A.C. A Revoltaina Cultural da Beira de Bergantinhos, A.C. Lucerna, A.C. Foucelhas som os coletivos organizadores desta iniciativa que lembra o dia em que a Galiza foi umha República independente, em junho de 1931.

Música, jantar, desporto... umha jornada para a reivindicaçom da memória da nossa história, no concelho de Ordes.

Reproduzimos a seguir a documentaçom remetida polos coletivos organizadores, junto ao mapa que indica como chegar ao lugar onde a Festa vai decorrer neste domingo. 

Ordes celebrará o 81º aniversario da proclamación da República Galega

As associaçons culturais A.C A Revoltaina Cultural da Beira de Bergantinhos (A Laracha), A.C. Lucerna (Cerzeda) e a A.C. Foucelhas (Ordes) organizam para este domingo 1 de julho a Festa da República Galega, que comemorará o 81º aniversário da proclamaçom da República Galega, durante a greve ferroviária de junho de 1931, um facto histórico poucas vezes contado, mas que "terá sempre para nós, os amantes de umha Galiza livre, umha transcendência exemplar digna de ter presente", por palavras de um dos seus protagonistas, Manuel Beiras.

PROGRAMAÇOM

Esta segunda ediçom da Festa da República Galega terá lugar na velha estaçom de trens de Ordes, na Pontraga. Começará a jornada às 12 da manhá com o seguinte programa:

-Dianas e alboradas.

-Sessom vermute, com o Quinteto Litoral.

-Jantar popular (tipo romaria, cada quem deve levar a sua comida).

E a continuaçom as atuaçons de:

-O Quinteto Litoral.

-Mini e Mero.

-Gendebeat (ragga-beatbox)

-Pepe Penabade (monólogo)

-Os Quinquilláns (teatro de rua e infantil)

Paralelamente realizará-se um aberto de bilharda, e haverá um espaço para coletivos do país, onde amosaram a sua atividade e venderám material elaborado por eles.

290612 republica GZ2SEMBLANÇA HISTÓRICA

Desde finais de 1930 a Ditadura do Estado espanhol vive umha situaçom de inestabilidade, enquanto na Galiza o emergente movimento de libertaçom nacional acha-se numha das suas etapas de maior radicalidade, num clima de fortes convulsons obreiras e sociais. Já em dezembro o periódico A Fouce fala de que "O povo galego lanzouse a via púbrica a gritar contra o governo, a gritar contra Hespaña, porque Hespaña, hoxe por hoxe, non eisiste si non é representada na forza da Guarda Civil, nos Guardias de Orden Púbrico e no Exército. Para Galicia hoxe Hespaña é iso. 

Cando o povo nas ruas de Lugo apedreaba a Guarda Civil e cando abofoteaba a Antoñín Primo de Rivera nas ruas de Sant-Yago non facía outra cousa que golpear ó amo seu: dentelladas de escravo". Desde a Argentina, os arredistas galegos insistem-lhe às Irmandades da Fala que aproveitem o momento para proclamar a República Galega.

Proclamada a II República Espanhola em 1931, o nacionalismo galego pom-se em marcha para criar o Estado Galego, convocando já no 2 de maio a Assembleia polo Estatuto do Estado Galego na Corunha, que se celebrará finalmente no 4 de junho, e do qual sairá elegido Alonso Rios como presidente em funçons. Na Assembleia aprova-se como primeiro ponto que "A Galiza é um Estado autónomo dentro da República federal espanhola". Alonso Rios, quem será posteriormente o último presidente do Conselho da Galiza, governo galego no exilo franquista, chegara de Buenos Aires com o firme compromisso de fazer o mesmo que Macià em Catalunha: proclamar o Estado Galego.

Entretanto, a paralisaçom por parte do Governo espanhol do caminho-de-ferro entre Samora e Ourense, é considerado por toda a Galiza como o enésimo aldraje; à vez que deixava no desemprego milhares de trabalhadores. Cozinha-se pois umha grande mobilizaçom obreira que, por  rimeira vez, se conjugará com a reivindicaçom nacional. Desde aí os factos precipitam-se: demitem numerosas autoridades, convocam-se manifestaçons e greves por todas as comarcas afetadas, Póvoa de Seabra anúncia o seu desejo de se anexar à Galiza, enfrentamentos com a Guarda Civil, mesmo o Governo espanhol reforça a presença militar na Galiza.

Contra finais de junho as exigências radicalizam-se. Em 20 de junho Antom Vilar Ponte escreve "si Galicia tivera unha grande urbe -grande urbe arelada por Faraldo, grande urbe arelada tantas veces por min- actualmente pol-as nosas lexións, hacharíase xa ergueito, a par do Estado catalán, o Estado galego", lamentando-se do egoismo da cidade face os problemas do rural galego nesses momentos. Na madrugada do 25 de junho, os obreiros de Ourense assaltam a Casa do Concelho, retiram a bandeira tricolor espanhola, e colocam a galega, cursando telegramas à Corunha -onde no pleno municipal um dos concelheiros agraristas pugera como ponto de debate a proclamaçom do Estado Galego- e Madrid dando conta da proclamaçom da República Galega.

No dia 27, celebra-se um mitim massivo em Compostela, com arengas a favor da independência por parte de Carneiro Valenzuela ("Cidadaos: neste momento nom nos interessa a República federal espanhola, senom a República galega.; A proclamá-la por cima de todos os caciquismos, de todos os governos civis, de todas as arbitrariedades de um poder central!"), Eduardo Ponte ("É preciso recabar revolucionariamente,  impetuosamente, a autonomia como Catalunha ou Portugal, porque o Estado central atacou-nos sempre, sempre nos aferrolhou sob todos os sistemas e formas de Governo..."), Campos Couceiro, alcumado por El Pueblo Gallego como "o Macià galego", e finalmente Alonso Rios: "Há que fazer a revoluçom na rua e por todos os meios porque se esgotárom já todas as vias de soluçom humilhantes. Nos governos civis cobixa-se o mais denigrante caciquismo. As candidaturas formadas até agora estám pragadas de caciques. A verdadeira vontade galega, democraticamente revolucionária, ainda nom deixou ouvir a sua voz, e eu conjuro-vos, cidadaos, a que de umha vez fagamos a nossa revoluçom por riba de todos os poderes centrais havidos e por haver, proclamando a nossa independência e abraçando-se, se fai falta, carinhosamente a Portugal nossa irmá. Para todos esses galegos que suobérom encumbrarse sobre os vossos votos de energia e levárom a Madrid todo o seu espírito burguês. Para todos esses galegos traidores, maldiçom cidadá, maldizom e desprezo eterno"

Após as arengas desencadeia-se umha manifestaçom espontânea, que se dirige à praça do Obradoiro, tomando o concelho e proclamando a República Galega, constituíndo umha Junta Revolucionária Galega, com Alonso Rios de presidente, que lamentavelmente só dura um dia.

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