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roberto vdal bolanhoGaliza - CUT - "Segundo o meu pai nascim às doze da noite, e nesse dia, 31 de julho de 1950, acabavam as festas do Apóstolo. Mal lhe dixérom a meu pai que tivera um neno, botárom os fogos e prendérom lume à traca. Até semelhava que era por mim", Roberto Vidal Bolanho.


Roberto Vidal Bolanho nasceu em 1950 no bairro compostelano de Vista Alegre quando ainda se ouviam os foguetes que botavam o pano de encerramento da festa do apóstolo. Era umha premoniçom: anos mais tarde, de chapeu e nariz vermelho, havia de alumiar o teatro galego.

O vindouro ano a Galiza, e as Letras Galegas 2013, celebran o teatro. O teatro escrito em galego-português pola mao de Roberto Vidal Bolanho, dramaturgo nacional, e que tantas vezes durante estes dez anos que vam da sua morte, foi achado em falta pola cidadania que bebe a vida no teatro. O ano que vem Roberto Vidal Bolanho há volver aos cenários e às praças deste país, e volveremos ouvir a voz dele. Fará-se justiça com a sua obra literária e falará-se mais umha vez da necessidade de um teatro fértil, escrito e feito para um povo, e nascido desse povo.

Nom é doado expor a verdadeira importáncia deste homem do teatro, e nestas linhas nom ficrá nunca exposta a dimensom de autor construtor de umha realidade nacional sempre parelha à sua cultura. Porém, cumpre estimular a leitura das suas obras, nas quais se posiciona com os fracos e sempre ligando com a memória do país. Os seu enredos som tecidos por vozes da rua, através de umha profunda e azeda observaçom da sociedade, mostrando sempre umha grande curiosidade polos fenómenos do seu tempo. Vidal Bolanho escrevia as suas peças desde a gente do comum, expondo as suas dúvidas e contradiçons, e enfrontando-se aos poderosos com a coragem de um revolucionário.

Com a sua literatura buscava, com a humildade de artista que o caraterizava, estimular a consciência moral, social, cultural, política, histórica, mesmo de umha realidade nacional. E escolheu o teatro como forma privilegiada de ativar essa consciência. Ele próprio dizia que era esse o seu objetivo e se além do mais criava algo de beleza tanto melhor.

Na arte cénica sempre foi um porta-voz dos trabalhadores do espetáculo, reclamando a necessária normalizaçom profissional como forma de atingir um teatro de qualidade e a excelência. Porque Roberto nom era só um dramaturgo, a sua açom como construtor do atual sistema teatral nom se resumiu à escrita: ator de grande talento, diretor de cena rigoroso, iluminador ao serviço das dramaturgias, adaptador respeitoso de importantes autores da nossa literatura como, Daniel Corteçom, Outeiro Pedraio ou Cunqueiro, e também empresário teatral. De nom menos importáncia son as suas achegas à teoria teatral, nascidas das numerosas conferências, ensaios e críticas, que aguardemos saiam à luz reeditadas e compiladas no ano próximo.

Da sua escrita dramática é difícil fazer umha escolha, no entanto, gostariamos de poder estimular a leitura de obras referentes como Bailadela da Morte DitosaDoentesAs Atas EscurasCriaturasSem ir mais longe, Rastos ou Animalinhos entre outras.

Roberto Vidal Bolanho foi um homem de teatro total, mas foi preciso que transcorressem 10 anos da morte dele, para que fosse reconhecida a importáncia incomensurável do seu labor em prol do teatro profissional galego e do legado literário que nos deixou. Em 2013, o ano de Vidal Bolanho, completarám-se 150 anos da publicaçom de Cantares Galegos: um dramaturgo nacional ao lado da poeta nacional.


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