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antropocenoGaliza - Um claro no bosque - [Xosé Beiras] Gastamos mais natureza da que temos. O consumo material e as emissons de CO(principal gás estufa) do nosso país ultrapassam a capacidade da natureza para regenerar os recursos renováveis e assimilar a poluiçom. Esgotamos o nosso orçamento ecológico anual muito antes de o ano acabar, cobrindo o nosso déficit ecológico a custa doutros países e das geraçons futuras. Em 2012, a humanidade esgotou o seu orçamento ecológico a 22 de agosto. Mas se toda a humanidade consumisse e contaminasse como a populaçom galega teria entrado em déficit ecológico quatro meses antes, a 26 de abril.


O Dia da Dívida Ecológica (um conceito ideado polo think tank británico new economics foundation) ajuda a entender como estamos a sobardar os limites ambientais, demandando mais recursos e serviços ambientais dos que o nosso planeta pode regenerar. Da mesma forma que um estado, umha empresa ou umha família calcula a diferença entre o dinheiro que recebe e o que gasta, a rede mundial de pesquisa Global Footprint Network estima a diferença entre a capacidade do planeta para fornecer recursos e serviços ambientais de forma sustentável (a biocapacidade) e as demandas humanas (a pegada ecológica). Os cálculos da Global Footprint Network concluem que, em apenas oito meses, o conjunto da humanidade esgotou o orçamento ecológico disponível para todo o ano.

Durante o resto do ano, cobriremos o déficit ecológico esgotando reservas de recursos e aumentando a concentraçom de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera e, em conseqüência, agravando o aquecimento global.

Translimitaçom ecológica

O déficit ecológico do conjunto da humanidade, de nom se corrigir, dificultará cada vez mais a estabilidade económica e o bem-estar social. Continuarmos a consumir por riba das possibilidades ecológicas implicaria custos crecentes e levaría ao colapso num prazo de décadas. Desde os anos 70, a humanidade, por mor das demandas das classes sociais e os países mais favorecidos, sobardou os limites ambientais. Apesar de que 2.000 milhons de pessoas vivem em condiçons materiais moi penosas, a pegada ecológica da humanidade (2,7 hectáreas/persoa) é já 1,5 veces maior que a biocapacidade do planeta (1,8). A “translimitaçom ecológica” é um facto. O déficit ecológico seria ainda muito maior se se generalizasse o ritmo de consumo dos países mais desenvolvidos. Por exemplo, se toda a humanidade vivesse como a média da populaçom galega o déficit ecológico duplicaríase. Seriam precisos 3 planetas en lugar de 1,5. Os recursos renováveis consumidos num ano tardarían 3 anos em se regenerar, em lugar de ano e meio.

A ignorada dependência ecológica de Galiza

A Galiza está entre o grupo de países que mais adividam em termos ecológicos, pois o valor da sua pegada ecológica (6,64 hectáres/pessoa) é 150% superior ao da biocapacidade do seu território (4,4). Portanto, se dependéssemos só da nossa biocapacidade própria esgotaríamos o orçamento ecológico anual em 8 meses, o 30 de agosto. Sostemos a nossa economia e o nosso estilo de vida graças às importaçons de recursos e mais à apropriaçom de serviços ambientais em maior medida do que nos corresponderia por populaçom (concretamente da capacidade de absorçom de CO2). Isto coloca-nos numha posiçom insolidária e, além disso, muito vulnerável. A nossa dependência ecológica gera enormes riscos num contexto de agravamento da deterioraçom ambiental global e de escasseza crescente duns recursos cada vez mais demandados, devido em grande medida ao rápido crescimento da populaçom e do consumo médio por pessoa dos países BRIICS (Brasil, Rússia, Índia, Indonésia, China e África do Sul).

A atual crise económica tende a ralentizar o crescimento da pegada ecológica a escala global e a reduzi-la em países como a Galiza, ainda que de jeito insuficiente e a custa de grandes sacrifícios sociais. Cumpriria caminharmos cara a umha economia sustentável e justa que reduzisse o consumo e aumentasse a biocapacidade própria de jeito sustentável.


 

@xoseveiras

Notas: Os dados mencionados no texto referem-se aos anos mais recentes para os que estám disponíveis. 2008 no caso dos de ámbito mundial (fonte: Global Footprint Network). E 2005 no que atinge aos referidos a Galiza (fonte: La huella ecológica como elemento de valoración integrada de la sostenibilidad del desarrollo, estudo para o Ministério de Meio Ambiente).


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