Ao cabo, nom era mais que outro prémio Vidal Bolanho das Redes Escarlata. Neste ato de entrega da décima ediçom, depois de a gaita tocar a alvorada de Veiga, Rafael Martins Castro, decano da Faculdade, nom se limita a dar as boas-vindas ás e aos participantes do ato. Deixa o protocolo e fai análise política, fala de Filosofia e açom, fala de palavras a recuperar (revoluçom), e reclama a presença na Faculdade de Carlos Calvo Varela, na atualidade preso político, encerrado em Topas, Salamanca, em prisom desde há nove meses, e pendente de julgamento.
Ninguém trata nos média dessa intervençom do decano, que vem a conto de que o premiado neste ano seja um blogue, "De volta para Loureda", um ponto de encontro que se achega à situaçom de presos, de presas galegas. Ninguém dixo, pois isto nom é noticia, que o público começa a se emocionar no Salom de Graus de Filosofia quando fala a jornalista Charo Lopes, que conduz o ato, e com as palavras do filólogo e académico Francisco Fernandes Rei, e que os e as assistentes apanhamos forças com a densidade das músicas que interpreta Leo, arremecaghoná!, que bebemos com devoçom os recitados de Anxo Angueira e de Maria do Cebreiro, escuitamos atentamente as suas experiências de familiar de preso de Belém Quintáns, companheira de Vidal Bolanho, e o discurso sólido do filho do nosso autor teatral, Roi Vidal, a saudaçom e os agradecimentos de Xosé Antón Laxe Martinhán, presidente das Redes Escarlata, e as lembranças de Xosé Luís Méndez Ferrín, que nos fala da sua condiçom de preso político nos tempos do franquismo e nos da atual monarquia. As palavras de gratidom e de denúncia e de solidariedade com todos os nossos presos de Rosabel Candal em nome dos premiados, mantedores do blogue, depois de recolher o presente: um quadro de Xoán Pardinhas. Si, muita emoçom, como se vê nas caras desta foto, mais também o recordo de palavras que trocam Carlos Calvo e a sua avó: em Loureda, nós nom somos de raça choromiqueira.
A notícia é que um príncipe japonês anda de passeio com Feijoo caminho de Santiago abaixo, enquanto um helicóptero da polícia roge no céu compostelano deste estranho verao. A manifestaçom, nom, também nom existem para os média as pessoas que percorrem, às sete da tarde do mesmo dia 15, as ruas da cidade ao redor de um manifesto cidadao de solidariedade com os independentistas galegos julgados em Madrid, subscrito por mais de 30 entidades. Anotemos, outra volta, a exceçom, que volta a ser Sermos Galiza.
E a noticia vai ser, em breve, estejam atentos, atentas, o julgamento dos dias 24 e 25 do mês que andamos, na Audiência Nacional, onde se pedem 60 anos de prisom para quatro pessoas. Os média voltarám a dar um exemplo de independência, digno de figurar nos anais do jornalismo. Respeitarám a presunçom de inocência, pois aos três homens e à mulher às que se lhes aplica umha legislaçom de exceçom, contestada em instáncias internacionais, som, desde há um ano e meio, presos dos chamados preventivos: presos sem julgar, pres@s polític@s para amigos de Vidal Bolanho e para manifestantes. Nom, nom vam inventar inimigos, os redatores das novas, nom falarám dessas misteriosas e perigosas bandas armadas que nom conhece ninguém entre nós. E, decerto, nom farám sensacionalismo.
Por isso nom convém ler artigos demagógicos como este, que falam de prémios Vidal Bolanho ou de manifestaçons. Estejam atentos à imprensa profissional, a esses jornais de toda a vida. Assim estarám os senhores cumpridamente informados, informadas.
Xosé Luís Santos Cabanas


