1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 (0 Votos)

rcastro.JPGDiário Liberdade - Neste sábado fomos recebidos polo secretário-geral da Central Unitária de Traballadores (CUT) na sede nacional do sindicato. 


Ricardo Castro, viguês de 39 anos, é trabalhador numha empresa de congelados de Vigo. Desde o recente congresso da CUT, é também o seu novo secretário-geral, substituindo Manolo Caamanho. Através dele oferecemos mais umha visom da luita de classes e do movimento obreiro na Galiza, numha série que começou com a CNT e continuou com a COG. Nas próximas semanas esperamos poder completar esta série de entrevistas com as restantes centrais actuantes na Galiza. 

DL - Há hoje na Galiza três centrais autodefinidas como nacionais e de classe. Há espaço para três projectos tam parecidos?

Ricardo Castro - Nós de partida estaríamos por umha única, mas as diferenças existentes entre umhas e outras, motivas pola própria história, levam a esta conjuntura, o que nom significa que algum dia nom podam vir a confluir numha única. De facto, também a CIG nasceu de um processo de confluência, mais tarde houvo divergências internas e daí nasceu a CUT e, posteriormente, a COG. Em todo o caso, o ideal é umha central única, se bem na situaçom actual nom é possível, até porque as dinámicas político-sindicais da CIG nom som para nós as adequadas, pois nom estám a ir polo caminho combativo e de classe que reclamamos.

DL - Que diferencia a CUT das restantes centrais autoproclamadas contrárias ao pacto social?

Ricardo - A CUT nasceu há agora 10 anos, ao romper com a CIG logo que começamos a detectar que os princípios de combatividade, confronto contra o empresariado, a luita tradicional, estava a ser abandonada. Começava a haver umha deriva para a paz social e por isso nasceu a CUT.

Essa deriva conduz a CIG para a paz social, rejeitando o confronto directo, a luita na rua. Está sujeita ao controlo político, o que para nós nom deve existir. Um sindicato nom deve ser correia de transmissom de nengum partido político e a CIG sim é controlada pola UPG. Se vires as últimas eleiçons, verás pactos políticos para repartir os assentos na direcçom. Isso é prejudicial para a luita obreira.

Um outro problema é o da Formaçom, que para nós é umha perversom, pois nom se pode morder na mao que che dá de comer.

Quanto à COG, nom podo analisá-la. Levam pouco tempo, esperamos que lhes vaia bem. Nós nom compreendemos os motivos que os levárom a se afastarem da CUT, porque foi umha nom aceitaçom da maioria congressual, mas decidírom livremente abandonar e, como digo, que lhes vaia muito bem. Pola mensagem que tenhem, é um projecto parecido com o nosso, pois venhem da CUT e os princípios coincidem: combatividade, luita de classe...

DL - Quanto ao abandono do sector da CUT que criou a COG, achades que também a vós vos corresponde fazer umha autocrítica?

Ricardo - Sempre, a autocrítica tem que estar presente em organizaçons de esquerda. Nos nossos documentos públicos, que figemos públicos no nosso site, vê-se que começamos com a autocrítica em todo o processo histórico de criaçom do sindicato, pois nom era o momento para criar um novo sindicato, mas as circunstáncias obrigárom a isso.

A CUT foi criada em torno de poucos quadros, que constituírom as comarcas. Essa era umha dinámica que devia mudar-se, pois nom podemos depender dos mesmos quadros durante tanto tempo. Há que dinamizar, criar novos quadros, aumentar a filiaçom, renovar constantemente. Tampouco é bom constituir reinos de taifas, pois a nossa visom é de central galega e nom de soma de comarcas. O desencontro véu por aí, já que fomos acusados de falta de democracia interna e de nos metermos nas comarcas, mas isto é umha central unitária galega. Nom há comarcas independentes. Precisamente o erro pode ter sido deixar total independência desde o princípio às comarcas...

rcastro02.JPGDL -  Existe algumha possibilidade de que se produza umha reincorporaçom da CUT à CIG?

Ricardo - Na actualidade, nom, polas dinámicas de cada um dos sindicatos. Na comarca de Vigo, a que tem mais proletariado, há confrontos constantes pola política sindical. O fracasso da última greve do metal, que estivo 99% em maos da CIG, é um exemplo. CCOO e UGT nom enganam ninguém, mas a CIG levou a greve ao fracasso e nom fijo umha mínima autocrítica, nem umha assembleia nos estaleiros para explicar porque a greve foi conduzida dessa maneira. Nom houvo objectivos estratégicos claros, nem tácticas para atingir esses objectivos.

Esse tipo de políticas é irreconciliável com as que nós defendemos mas, mesmo assim, nós mandamos muitas comunicaçons e oferecimentos públicos para sentarmos numha mesa e debatermos como deve ser a acçom sindical, onde podemos ir juntos, até onde... por exemplo, na campanha que actualmente mantemos pola greve geral. Queremos falar com a CIG, que adira ao projecto sem condiçons, mas a CIG nom tem disposiçom para falar connosco.

Os nossos contactos dentro da CIG dim-nos que, para essa central, quase somos mais inimigos sindicais nós que as próprias UGT ou CCOO.

Em definitivo, é impossível a confluência. A médio ou longo prazo? Nom sabemos.

DL - Qual devia ter sido a dinámica que evitasse a derrota no conflito do metal?

Ricardo - O primeiro que devemos deixar claro é que o fracasso foi das cúpulas sindicais, nom da classe trabalhadora, que estivo na rua, foi combativa, incorporou gente nova à luita, consciente, as pessoas aprendêrom sobre o papel das forças repressivas, quem defendem...

O patronato impujo a luita mediante a polícia. A CIG nom analisa isso, fijo paralisaçons parciais, marchas... nom havia objectivos claros. No momento dos confrontos mais duros, em Barreras, há umha carga indiscriminada e a mensagem da CIG era que haveria resposta. A resposta foi só umha procissom no dia seguinte, em silêncio. Essa é umha mensagem para o patronato: nom há disposiçom para a luita.

Para nós, a chave do conflito era ligá-lo com outros do país: Caramelo, Antolín... a única saída era convocar umha greve geral, como pediam os trabalhadores em Vigo. Isso era relativamente fácil nesse momento, mas nom houvo maneira. O conflito isolou-se dos restantes conflitos, isolou-se socialmente, havendo umha visom negativa, fomentada polos meios de comunicaçom. Isso todo matou o conflito.

DL - A vossa central manifesta-se em favor de umha greve geral. Porque pensas que nom se avança nessa direcçom?

Ricardo - CCOO e UGT defendem o pacto e já tenhem cozinhada a reforma laboral, além da subida salarial de 1% para este ano a nível estatal. Saírom à rua só para protestar polos dous anos da jubilaçom e nom vam convocar greves contra o governo amigo de Zapatero. Tenhem 29 milhons de euros para este ano, estám subsidiados.

A CIG em princípio, por prebendas com o bipartido, tampouco se atrevêrom. Actualmente, nom entendo porque continuam na mesma. Nom sei se som problemas internos, guerras políticas, as que os levam a nom mexer um dedo, porque as condiçons objectivas actuais para umha greve geral nom tem havido há mais de 30 anos, desde as reconversons dos anos 80.

Nós estamos a iniciar contactos com colectivos e partidos para socializar a necessidade de umha convocatória de greve geral, porque é imprescindível criar a contradiçom aos que, sendo supostamente de esquerda, nom a apoiam, para que expliquem porquê.

rcastro03.JPGDL - O 1º de Maio está próximo e talvez seja esta umha boa ocasiom para explicares a vossa convocatória unitária com a CGT, já que sabes que alguns sectores da esquerda soberanista nom a entendem.

Ricardo - A convocatória é de mínimos. Politicamente, temos pouco em comum, mas em prática sindical, há cousas que nos unem: som pola greve geral, contra a Uniom Europeia e contra a reforma laboral... Se houver umha greve geral convocada pola CIG, CCOO, UGT, CUT, CGT... havíamos de deixar de ir por estarem todos juntos? Nom, trata-se de acumularmos forças.

Se for para questons de mínimos em que coincidimos, nom temos problemas para ir com a CGT nem com nengum outro sindicato. No 1º de Maio é assim, noutros casos nom, como em Dezembro de 2008, em que marchamos por Vigo reclamando greve geral e aí nom coincidimos com a CGT e manifestamo-nos separadamente.

DL - Ninguém duvida que o capitalismo está em crise. A dúvida é se vai ser possível derrotá-lo ou se, mais umha vez, vai regenerar-se e prolongar o seu domínio. Que achas que vai acontecer?

Ricardo - Bom, o capitalismo nom dá para mais, mas pode manter-se na agonia durante décadas. Sozinho, nom vai cair nunca. Só cortando-lhe a cabeça o proletariado é que vai cair, mas a classe trabalhadora está rendida à ideologia burguesa, que nos tem ganho a batalha ideológica. Enquanto nom conseguirmos mudar a correlaçom de forças, o capitalismo vai subsistir como um edifício que está para cair mas com um pau aqui, umha trave ali, vam conseguindo manter em pé. Temos que pegar na maça e derrubar o prédio.

A greve geral é um passo nesse caminho, para demonstrarmos que a ideologia burguesa que nos tem dominados é fraca e podemos dar a volta à situaçom.

DL - Como força sindical sodes só autodeterministas ou também independentistas?

Ricardo - Dentro da CUT há muitas sensibilidades. Desde companheiros que procedem da CIG, que afortunadamente já nom som 100% como nos inícios, até rebotados de CCOO, UGT... a sensibilidade é ampla mas nós definimo-nos como independentistas e socialistas. Defendemos a autodeterminaçom com a finalidade da independência.

DL - Há uns dias, vimos umhas declaraçons do presidente da RAG, Xosé Luís Mendes Ferrim, nas quais afirmava que os reintegracionistas somos inimigos do galego, como 'Galicia Bilingüe'. Concordas?

Ricardo - Nós adoptamos a normativa da RAG mas nom creio que sejades inimigos do idioma. Suponho que Ferrim se referia a que isso debilita a posiçom do galego, porque apresentamos divisons entre nós perante os inimigos, fazendo-os pensar que “se entre eles nom se entendem, mal será que podam constituir um idioma útil para o povo galego”.

Nom conheço essas declaraçons, mas nom creio que sejades tanto como inimigos, só que nos fai dano este debate. Nós temos reintegracionistas no sindicato, embora nom seja a posiçom oficial, mas consideramos que para nos comunicarmos com os trabalhadores, com o reintegracionismo é mais complicado, por isso somos claros: a nossa posiçom é a oficial, a da Real Academia Galega.

DL - Queres acrescentar mais algumha cousa para as leitoras e leitores do Diário Liberdade?

Ricardo - Animamos a continuardes com este trabalho e a que nos ajudedes a socializar a necessidade da greve geral, a partir das vossas possibilidades, porque esse é um trabalho de formiga, de proximidade, de amizades, família, etc.


Diário Liberdade é um projeto sem fins lucrativos, mas cuja atividade gera uns gastos fixos importantes em hosting, domínios, manutençom e programaçom. Com a tua ajuda, poderemos manter o projeto livre e fazê-lo crescer em conteúdos e funcionalidades.

Microdoaçom de 3 euro:

Doaçom de valor livre:

Última hora

Quem somos | Info legal | Publicidade | Copyleft © 2010 Diário Liberdade.

Contacto: info [arroba] diarioliberdade.org | Telf: (+34) 717714759

Desenhado por Eledian Technology

Aviso

Bem-vind@ ao Diário Liberdade!

Para poder votar os comentários, é necessário ter registro próprio no Diário Liberdade ou logar-se.

Clique em uma das opções abaixo.