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030611_velho00Galiza - Diário Liberdade - [Antom Papaqueijos para o Diário Liberdade] Onde houver agitaçom cultural misturada com festa intensa pola zona do Barbança, darás também com Suso, a.k.a. Capitám Chumeiras.


Um homem que leva já desde os começos dos 90 dando-lhe voltas à cabecinha em sentido tanto dextrogiro (como os ponteiros do relógio) como levogiro (como se o relógio fosse para trás no tempo!). Ou seja, que o homem nom para. E nem falta que fai.

Andou com os companheiros tocando a sua música polo mundo para voltar de novo à sua casinha em Ribeira, lugar onde é conhecido por ser um ativista, ou o que é o mesmo, o espinho no cu do presidente da Cámara "popularra" de turno. Agora anda embarcado na dorna da Companhia do Ruído dispostos a atravessar o oceano festeiro deste país e o resto do universo com o novo disco que acabam de apresentar: Havia de chover merda!!

Bastantes Llon, Companhia do Ruído, Os Chikilikuatres, Os Jalocho. A que andas agora?

Pois tentando que funcionem todos os projetos ao mesmo tempo.

Por um lado refigem a Companhia o verao passado e estou acabando o novo trabalho Havia de chover merda!

Com os Chiquilicuatres trabalhamos acompanhamentos em espetáculos de circo com Culturactiva, e fazemos animaçom de rua. Depois estám Os Jalochos que é a charanga da Escola de música da Associaçom. Por seu turno, a Associaçom Bastantes Llon é donde se organizam umha série de festivais e atividades na rua. E estamos também reorganizando a charanga Oito num piso.

Desde 1990, quando começastes com Bastantes Llon, até hoje, como mudou o estado do rock galego?

Eu acho que os meios técnicos e de formaçom mudárom muito. Hoje é mais doado conseguir o necessário para funcionar.

Como nasceu a vossa primeira banda?

Foi no 1990, andávamos um grupo de rapazes juntos e alguns pertenciam à Banda de gaitas "Ancoradoiro". Já tínhamos umha motivaçom e havia que lhe pôr nome, é claro, de algumha doença. Assim surgiu Hepatite. Todos pugemo-nos a estudar um pouquinho. Os veraos passávamo-los roçando leiras a foucinho para comprar material, e olha que casualidade, a nossa primeira bateria tinha sido confiscada pola polícia espanhola dez anos atrás na vila. Desde aquela o vício tornou ofício.

E a Companhia do Ruído?

A Companhia do Ruído foi umha necessidade. Estivemos um ano estudando ritmo. Éramos quatro com umha seçom de quinze instrumentos de percussom. Nesse verao saiu trabalho em Madri tocando num restaurante e emigramos eu e mais o Alberto. Ficamos até finais de novembro, e voltamos com a léria do Prestige. Havia que botar-se à rua e organizar trabalho nas praias. Como sempre por livre, organizamos todo tipo de protestos e atividades na rua, daí o Só existe ruído.

Tocastes pola Europa adiante, como recebe o público estrangeiro a música galega?

A impressom que nós tivemos nos Chiquilicuatres foi positiva. Por umha parte, o repertório que nós levamos é rápido e alegre, e isso chamava a atençom. Na Escócia ou na Irlanda, embora trabalhem com melodias e ritmos idênticos ou muito semelhantes, nom costumam tocar a essas velocidades. Aliás, o timbre e a potência sonora da gaita-de-foles galega é bem diferente à desses países.

A música tem a virtude de comunicar-se sem palavras. Portanto, num principio o que suporia um obstáculo, a fala, torna-se interesse por ambas as partes segundo a curiosidade e o desejo de conhecer e entender os costumes de cada quem.

030611_velho01Que estais a fazer agora os da Companhia do Ruído?

Estamos a acabar na Corunha, com Tomás Ajeitos o novo trabalho. Um cd que sairá por volta do dia das letras galegas e terá um formato curioso, com umhas láminas que refletem situaçons do quotidiano meio de escárnio.

E logo, que música fazedes?

Nós escolhemos o palpite do coraçom como primeiro ritmo que escuita o ser humano, portanto usamos o Punchi Punchi como sistema métrico universal, As estruturas caminham em funçom do que queiras contar. Se calhar um conto vai com umha rancheira, enquanto que outro pode pedir rumba, rock, ser meio punk, largarte unha moinheira. Mentras a música vaia para diante, o tema camiña. Intentas contar algo e a música che proporciona moreas de ferramentas.

Quantos grupos sois hoje em Ribeira?

Agora mesmo há seis ou sete grupos de calouros, para além dos grupos com mais percurso como Inllorfeis. Entre caloiros e veteranos deve ter umha vintena de bandas.

Donde surge tanta iniciativa?

Do desleixo e repressom institucional, à imaginaçom e a energia do povo. A imaginaçom de uns contrastava com o desleixo doutros. Depois deu-lhe por repremer e a imaginaçom decidiu tornar as ideias em projetos.

Que problemas enfrenta a música em Ribeira?

O maior problema de Ribeira a nível musical é a apariçom de pessoal como Javi Maneiro (Jabon Blue), no panorama musical ribeirense.

No ano 2008, desde o coletivo de músicos de Ribeira, luitamos para que houvesse uns locais de ensaio em Ribeira.

O seguinte passo foi manifestar-se para que houvesse umhas normas de uso coerente, pois as estabelecidas pola Cámara municipal nom eram aceitáveis. Baseavam-se em favores em troca de dinheiro. Nesse momento, com todos os músicos em contra, o vereador reúne-se com Javi. Este aceita o seu jogo em lugar de continuar na luita por dotar a vila de infraestruturas e educaçom. Javi esbanja os quartos de todos, consegue a campanha Libre da Junta da Galiza do PP e, polos seus favores, musica umha campanha enganosa face às eleiçons municipais.

Tirastes o disco recompilatório Ribeira na Rota com vinte e um grupos só de Ribeira. Como foi a experiência?

Organizamos uns cursos formativos nos quais se explicavam todos os passos para editar um CD. Mediante cursos de desenho gráfico, informática musical, estúdio de gravaçom, com umha ediçom de 1000 CDs e a distribuiçom dos mesmos. A parte negativa? O financiamento, que corria por conta da Junta da Galiza e nom pagou os prometidos 10.000 €.

030611_velho02Como mudou Ribeira e o Barbança de 1990 a 2011. Com que Ribeira ficas, com a de agora ou a de antes?

Desde entom até hoje, som os anos que leva governando a direita espanhola com maioria absolutíssima, ao ponto de funcionar como um sistema feudal composto por beneficiários do partido. Isso nom melhora com o tempo, mais bem enquista e apodrece.

Nós lá quando chover muito, dizemos que havia de chover merda, e penso que em Ribeira já choveu demais.

Diz-me três grupos estrangeiros que che prestem

Bodega Bodega, Banda Bardó e Atahualpa Yupanki.

Agora três da terra

Bonovo, Arousa Express e Os Cuchufelhos.

O concerto ao vivo preferido foi

Emir Kusturika em Buenos Aires, na Argentina.

Imagina, estás na sala de espera do dentista. Aparece um moço de 15 anos que quer montar um grupo e che pergunta como há que fazer. Tu respostas:

Como diria o capitám do Tres hermanos, "Constáncia, disciplina e rock and roll".

O futuro do rock galego, em duas palavras

Muito ruído.


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