Segundo informações da CEAF, o evento tem como público alvo “membros do Ministério Público, da Magistratura, da Defensoria Pública, estagiários e funcionários dessas Instituições, advogados, Procuradores do Estado e do Município, bacharéis em direito, profissionais da área esportiva e o público em geral”.
O debate acontecerá na manhã de uma quarta-feira e contará com a presença autoridades do Ministério dos Esportes e do Ministério Público de São Paulo.
Entre eles o diretor do Departamento dos Direitos do Torcedor da Secretaria Nacional de Futebol (ligado ao Min. dos Esportes) Paulo Sérgio de Castilho, autor do livro “A Criminalização é o Caminho?” e mentor da mais recente reforma do polêmico e controverso Estatuto do Torcedor.
Wladimyr Vinycius de Moraes Camargos, chefe da Consultoria Jurídica do Min. dos Esportes também estará presente. Wladimyr, que é professor da UFG e compõe o Grupo Executivo de Acompanhamento da Copa do Mundo 2014.
Entre os magistrados, também estará o Promotor de Justiça do Consumidor do MPE-SP, Roberto Senise Lisboa, responsável pelo pedido de extinção de seis Torcidas Organizadas de São Paulo em maio de 2012, na ação que resultou na prisão do presidente da Gaviões da Fiel, conhecido como Donizete.
Sesine, no entanto, fez declarações meses depois afirmando que não acredita que o fechamento das TO’s seja uma solução para o problema.
O promotor Thales Cezar de Oliveira, que comporá a mesa enquanto membro do MP-SP, outro que se notabilizou ao afirmar que é a favor da extinção de Torcidas Organizadas paulistas, a exemplo do que ocorreu nos anos 90.
O único debatedor não membro de algum dos órgãos realizadores do espaço, será o jornalista Flavio Prado. Notabilizado pela sua crítica ferrenha às Torcidas Organizadas, o jornalista que se apresenta na Rádio Jovem Pan e na TV Gazeta, é convidado enquanto “voz especializada” sobre o assunto. Flavio Prado fez participação no polêmico curta-metragem “Torcidas Organizadas ou Gangs de Rua” chamando as TO’s de “antro de bandidagem”.
Curiosamente, nenhuma entidade de torcedores foi convidada. Isso significa que a Federação das Torcidas Organizadas, e suas respectivas filiadas, assim como a Frente Nacional dos Torcedores e a Associação Nacional dos Torcedores estarão à margem de um importante debate com as principais autoridades que pensam as políticas de segurança e acesso ao futebol brasileiro.
Ainda que formado por perfis diferenciados, o debate não ultrapassa os limites de concepções que vão do controle à repressão às T.O’s, impedindo a abertura de canais de diálogos mais amplos.
Na busca de uma saída para um problema que prejudica o futebol brasileiro, o Poder Público vem mostrando incapacidade em tratar o assunto de forma democrática e aberta. A depender do que vem sendo colocado pelos representantes do Estado Brasileiro, o trato com as Torcidas jamais passará de uma reunião com a Policia Militar para o cadastro de bandeiras e faixas antes de cada partida. Resta saber se as organizações estão prontas para disputar esses espaços e exigir participação nos rumos do futebol nacional.


