Almir e Pituca eram lideranças da AHOMAR e desapareceram quando saíram para pescar na ultima sexta-feira (22), mesmo dia em que terminou a Rio+20. O corpo de Almir foi encontrado no domingo, dia 24, amarrado junto ao barco que estava submerso próximo à praia de São Lourenço, em Magé. Já o corpo de Pituca apareceu no dia seguinte, com pés e mãos amarrados, próximo a São Gonçalo. As mortes trazem à tona a precariedade da segurança dos defensores da Baía de Guanabara, no mesmo estado que há menos de uma semana sediou a Conferência da ONU.
Estas não são as primeiras mortes de pescadores da AHOMAR. Em maio de 2009, o tesoureiro da associação, Paulo César dos Santos Souza, foi assassinado com cinco tiros diante da mulher e dos filhos. No ano seguinte, outro fundador da associação, Márcio Amaro, também foi morto. Os crimes permanecem sem esclarecimentos.
As reivindicações dos pescadores
Entre as principais demandas que serão apresentadas nesta sexta-feira estão: Que os mandantes e assassinos diretos de Almir Nogueira de Amorim e João Luiz Telles Penetra sejam identificados e responsabilizados; Que sejam concluídas as investigações pelas mortes de Paulo Santos Souza e Márcio Amaro, até hoje não esclarecidas, e que seus assassinos também sejam identificados e responsabilizados; A assinatura pelo Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, do Decreto de institucionalização do Programa Estadual de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos; e que a Petrobrás e as empresas a ela vinculadas no escopo das obras do COMPERJ na Baía de Guanabara negociem com a AHOMAR a justa pauta de reivindicações do movimento.
A luta da AHOMAR
A AHOMAR representa pescadores artesanais de sete municípios da Baía de Guanabara e tem quase dois mil associados. Desde 2007, a associação vem denunciando sistematicamente as violações e crimes ocorridos na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ), um dos maiores investimentos da história da Petrobrás e parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
O grupo ficou conhecido em 2009 por ocupar a baía por mais de um mês e com suas redes impedir o tráfego de grandes navios. Eles protestavam contra a redução de 80% do volume de pesca na região, após o grande vazamento que despejou 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara em 2000. Além disso, questionavam as obras do consórcio GLP Submarino, que reúne as empresas GDK S.A. e Oceânica, responsável por instalar gasodutos da Petrobrás que prejudicam a pesca artesanal.
Serviço:
Endereço: OAB/RJ - Av. Marechal Câmara, 150, auditório do 4° andar. Castelo - Rio de Janeiro,
Data e hora: Sexta-feira, 29/6, às 11h
Contatos para imprensa:
Glaucia Marinho (21) 7688-2099
Renato Cosentino (21) 8267-2760
Foto: Manu.org.nz - Pescadores da AHOMAR numa ação de defesa da baía de Guanabara

