O fato mostra a verdadeira política da direita de encobrir os crimes da ditadura e, por outro lado, também esclarece a capitulação do PT diante deste setor que é o mais reacionário do regime político
No início desta semana ficou revelado o fato de que para impedir a abertura de diversos arquivos, documentos considerados secretos pelo Estado brasileiro tiveram sua classificação alterada. O objetivo era usar uma brecha na antiga Lei e burlar a atual Lei de Acesso à informação, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada por Dilma Rousseff no ano passado.
Agora, alguns dias depois deste fato vêm à tona uma notícia ainda pior. O Ministério da Defesa afirmou publicamente que simplesmente não possui mais arquivos sobre um dos principais casos de repressão nos anos da ditadura: a Guerrilha do Araguaia, que ocorreu no início dos anos 1970, mais precisamente entre 1972 e 1974. A Guerrilha do Araguaia foi a maior ação armada contra a ditadura.
A informação do Exército ao órgão que solicitou os documentos revela a posição da direita e da cúpula das Forças Armadas sobre o tema. O informe simplesmente diz que um decreto de 1977 "permitia a destruição de documentos sigilosos, bem como dos eventuais termos da destruição". Segundo o Ministério da Defesa seria impossível até mesmo identificar os autores da destruição como reivindicou algumas pessoas partidárias da Comissão da Verdade.
Este fato mostra que não basta apenas investigar os crimes da ditadura sem punir os responsáveis pelos crimes de Estado como deseja, por exemplo, o governo do PT. O que na prática, diga-se de passagem, representa um acordo com a direita.
Neste sentido, é preciso esclarecer à população que a única maneira de garantir a punição dos militares e abrir os arquivos da ditadura é por meio da luta dos trabalhadores e dos jovens, que necessariamente terão que enfrentar o atual regime político, fundado em um acordo com os próprios militares que deram o golpe em 1964.


