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010312__barcas-rjBrasil - PSTU - Intimidação não conseguiu impedir protesto, que tende a aumentar.


Mesmo com toda a truculência e a intimidação da Justiça contra os organizadores do protesto, o ato contra o aumento da tarifa das Barcas S/A reuniu algo como 500 pessoas na manhã desse dia 1º de março na estação Araribóia, no centro de Niterói. Os manifestantes criticaram o aumento de 60% da tarifa, que passa de R$ 2,80 para R$ 4,50, assim como os péssimos serviços prestados pela concessionária. As filas quilométricas e os acidentes já se tornaram parte do cotidiano de milhares de trabalhadores que utilizam os serviços.

Mesmo com a ostensiva presença da polícia, Guarda Municipal e da Tropa de Choque, que contou até mesmo com um helicóptero, não faltou bom humor aos manifestantes. "4,50 só se tiver Roberto Carlos", dizia um cartaz que comparava a tarifa do serviço público ao famoso cruzeiro do cantor. "Olê, olê / Olê, Olá / 4,50 não vou pagar", cantavam.

De volta à ditadura?

Dias antes do protesto, a Justiça começou a intimar internautas que convocaram o ato nas redes sociais ou que simplesmente comentaram sobre o evento. A justificativa para as intimações foi uma suposta investigação sobre 'incitação ao crime'. Motivo que causou o indiciamento de dois autores de um vídeo na Youtube convocando o protesto. A Barcas S/A está pedindo na Justiça a retirada do vídeo da Internet.

Como se isso não bastasse, um dia antes da manifestação a 48º Vara Cível do Rio concedeu liminar às Barcas S/A proibindo o PSOL de se protestar contra o aumento. O juiz estabelecia multa de R$ 5 milhões pelo descumprimento da liminar.

A empresa concessionária também é conhecida pela truculência e despreparo com que trata os passageiros e manifestantes.

Mesmo com a tentativa de intimidação, não só o PSOL compareceu ao protesto, como militantes do PSTU e PCB, além de centenas de ativistas do movimento sindical e estudantil, além da população em geral que está indignada com o aumento.

"Esse aumento é um verdadeiro assalto imposto pelo senhor Cabral para servir aos interesses dos empresários de nosso estado" , afirmou Cyro Garcia, presidente estadual do PSTU, presente no ato. Cyro atacou a política de privatização do governo do Rio, que ocorre sob o eufemismo de 'concessão', assim como o governo Dilma está aplicando no setor aéreo com a concessão dos aeroportos. Cyro criticou a liminar que proibia o PSOL de se manifestar. "Esse juiz é da mesma laia da juíza que concedeu a liminar para reintegrar o Pinheirinho" , afirmou. O dirigente puxou a palavra de ordem: '4,50, assim não dá, tem que reestatizar'.

Mesmo com todo o processo de intimidação da Justiça e da empresa contra os protestos, que marca a escalada autoritária em que se vive no estado, as manifestações não devem parar por aqui. Outras mobilizações já estão sendo organizadas e não devem terminar até que o aumento seja revogado.

Abaixo um dos vídeos feito durante o protesto:


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