Desde que foi assinado o convênio com a Polícia Militar e que os estudantes ocuparam a reitoria e fizeram greve para por fim a esse acordo, a imprensa burguesa vem fazendo uma enorme operação de manipulação da opinião dos estudantes.
Ficou evidente, após as eleições do DCE, para que serve a imprensa burguesa: enganar os estudantes e procurar legitimar a política da direita.
No ano passado, uma pesquisa realizada pela Folha de S. Paulo na USP com menos de 700 estudantes foi alardeada como sendo uma representação da opinião da maioria dos estudantes da USP. Essa opinião seria a de que a maioria era a favor da polícia no campus.
O que é mais "representativo" para aferir a opinião dos estudantes: uma pesquisa feita com menos de 700 estudantes por um órgão de fora da universidade ou a própria eleição para o DCE, que contou com mais de 13 mil votantes?
Nesta, apenas 19% dos estudantes se colocaram a favor da polícia. Se transferirmos essa porcentagem para a quantidade de estudantes que existem na USP, poderíamos dizer com mais certeza que apenas 2,5% de fato defendem o convênio, o que está muito distante dos 56% estipulados pela Folha de S. Paulo.
A partir desses dados fica comprovado que a pesquisa da Folha não só não tem nenhuma legitimidade, mas foi uma farsa, apresentou um "resultado" fictício, já estabelecido de antemão, que possuía o claro objetivo de favorecer uma política determinada.
Tanto é fato que nesse momento em que a própria Polícia Civil denunciou o envolvimento da PM da USP com o tráfico de drogas a imprensa burguesa não tem nada a falar.
Essa é a imprensa burguesa brasileira: só fala o que lhe convém. Quando mais de 10 mil estudantes votam em chapas que formalmente defendem a saída da polícia no campus, a imprensa capitalista não tem nada a declarar.
São dois pesos, duas medidas. Se são 700 estudantes pesquisados e a maioria supostamente responde a favor da polícia no campus, os jornais burgueses dão matéria de capa, mas se são mais de 10 mil votando a favor da saída da PM, não há uma única notícia.
Esse fato por si só demonstra a necessidade do movimento estudantil de desacreditar os jornais burgueses perante os estudantes e organizar a sua própria imprensa independente da burguesia e da burocracia universitária.


