Os trabalhadores metroviários de São Paulo decidiram após inúmeras reuniões com a direção do Metrô entrar em greve por tempo indeterminado. A direção da empresa enrolou os trabalhadores e não acatou nenhuma proposta da categoria, rebaixando muito a pauta apresentada pela direção do sindicato.
Mais de mil trabalhadores não aceitaram a proposta apresentada pelo Metrô de apenas 4,15% de reajuste salarial e 1,5% de aumento real. Também mantiveram as demissões de 60 trabalhadores que participaram da greve de 2007.
Os ferroviários da linha leste da CPTM, estavam aguardando em assembleia a decisão dos metroviários sobre a decisão da greve. Após a decisão da greve, os ferroviários seguiram o movimento e também aderiram a greve por tempo indeterminado. Fato que revela a enorme disposição dos trabalhadores metroviários e ferroviários a lutarem contra o PSDB.
Justiça burguesa quer caçar o direito de greve
Após a reunião no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) não chegar a nenhum acordo e a empresa apresentando propostas rebaixadas, a justiça vendo a iminência da greve, rapidamente colocou as condições para a greve dos trabalhadores.
As condições apresentadas pela justiça, na prática inviabiliza qualquer greve e representa a cassação do direito de greve dos trabalhadores. Segundo a juíza do trabalho, o sindicato teria que garantir 100% do efetivo de trabalhadores nos horários de pico e 85% nos demais horários, sob o risco de pesadas multas. Caso os trabalhadores não acatem a decisão ditatorial do juiz, o sindicato seria multado em R$ 100 mil por dia, o que representa na prática uma supressão do direito de greve.
Sob a cobertura de que o metrô seria um serviço essencial, a justiça – que está a serviço do governo do PSDB e da privatização – está caçando o direito de greve da categoria. Revela, assim, a ditadura do judiciário, ou seja, do Estado capitalista dito democrático contra os trabalhadores metroviários e a classe operária em geral.
O argumento do serviço essencial prestado pelos metroviários serve apenas para reprimir a greves, e garantir a continuidade da política de ataques aos trabalhadores, a destruição dos serviços públicos e o plano de privatização do governo tucano.
Para reprimir as greves, os governos e a burguesia vêm se utilizando da ditadura do judiciário para caçar o direito de greve dos trabalhadores.
Direção do PSTU/Conlutas: um obstáculo à greve
Diante dos vários ataques do governo do PSDB à categoria, a direção do PSTU/Conlutas no sindicato continua tentando de todas as maneiras evitar a greve. Essa greve já deveria ter sido decretada na assembleia do dia 16 de maio, mas foi adiada por mais uma semana para dar tempo para a direção do sindicato e o governo tucano entrarem em acordo para o fim da greve e para que a justiça colocasse em marcha a sua chantagem contra o movimento que poderia ter impedido a deflagração da greve.
Desde o ano passado o governo tucano vem atacando a categoria e atuando de maneira intransigente. Não aceita negociar nenhuma reivindicação dos trabalhadores, como a equiparação salarial, plano de saúde, readmissão dos grevistas de 2007. Ao contrário, aprofunda cada vez mais a privatização do metrô, com a entrega da linha 4 para empresas privadas e a privatização da linha 5, Lilás, ligando o bairro do Capão Redondo, na zona Sul, ao Largo Treze. Ainda no metrô, o governo também quer entregar aos capitalistas as futuras Linha 6, Laranja, que vai da estação São Joaquim até a Freguesia do Ó e a Linha 15, Branca, que irá da Vila Prudente até a Avenida Tiquatira. Todas privatizadas a partir das PPPs (Parcerias Público-Privadas).
Ou seja, o que estamos vendo é que os trabalhadores já apresentam uma tendência de luta e de greve contra esses ataques e a direção do PSTU/Conlutas trabalha para conter o movimento grevista desde a campanha salarial de 2011.
Na assembleia de ontem, a direção sindical esboçou a sua tradicional chantagem com as multas e decisões judiciais, mas a categoria não estava disposta a ouvir nada a não ser a greve.
A tentativa de suspender o movimento o mais rapidamente possível já fica clara no fato de que a próxima assembleia foi marcada para o meio dia e não para o final do dia quando se pode ter uma avaliação mais clara do movimento.
O presidente do sindicato, militante do PSTU e da Conlutas já declarou à imprensa que a diretoria sindical vai permitir que os cargos de confiança entrem para trabalhar, autorizando desta forma que os chefes e fura-greves comecem a desmantelar o movimento.
Somente a mobilização pode derrubar o plano tucano de privatização do metrô
Os trabalhadores devem se mobilizar para acabar com os planos de privatização do PSDB. Para isso, somente a greve pode garantir essas conquistas.
Os trabalhadores não devem aceitar a intervenção do estado, através da justiça, no movimento dos trabalhadores e na cassação do direito de greve.
- Não a cassação do direito de greve;
- Não a privatização do Metrô;
- Todo apoio a greve dos metroviários por tempo indeterminado, e até a conquista de suas reivindicações.
- Paralisação total até a vitória!

