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090912 estadioBrasil - Diário Liberdade - [RH] Na década brasileira, auge dos esportes em nosso território, com a Copa em 2014, e as olimpíadas em 2016, começa o redirecionamento dos interesses para essas áreas, e para o que mostraremos aos holofotes quando eles estiverem sobre nós. 


Afinal, nenhum investidor estrangeiro quer ver as favelas e a desigualdade gritante de nosso país, eles querem é ver atletas de elite em estádios de elite, tudo isso para a elite e para os que querem ser elite por um tempo. Panis et circensis².

A soberania da FIFA impõe ao governo brasileiro espaço privilegiado e exclusivo às empresas “amigas”, em detrimento das camadas desfavorecidas que dependem do comércio ambulante e de rua, que em outras circunstâncias lhes beneficiaria imensamente com um evento deste porte³. Legítimo capitalismo selvagem.

Não obstante, o governo faz o impossível para terminar as obras a tempo, enquanto áreas muito mais importantes a longo prazo permanecem esquecidas desde a independência. Ainda mais paradoxalmente, o governo petista, dito dos pobres, parece estar cego aos problemas de seus protegidos durante os eventos.

Ainda mais agora, quando a submissão dos governos à vontade das empresas privadas e do capital financeiro, a democracia está muito mais do que desgastada, ela está abalada, e não serve mais à maioria, serve à minoria, e não é a étnica. É a oligárquica. Pois assim se fazem eventos de grande porte. Os pequenos eventos são intimidados, segregados, como as favelas fluminenses, para dar lugar à modernidade afrancesada e burguesa.

A solução não é abolir tais eventos, mas propiciar que conjunto de microempresas e pequenas e médias empresas consiga competir, e não ser puramente absorvido ou rechaçado no mercado atual. Com núcleos de livre-investimento como no país que sedia as olimpíadas, com os devidos incentivos fiscais e as oportunidades aos empreendedores jovens, o Brasil poderia rapidamente se tornar uma potência e fazer frente às aristocracias monopolizadoras internacionais.

* RH é estudante, tem dezessete anos e escreve por livre vontade.

¹ Fonte da imagem.

² "Por essa política, o Estado buscava promover os espetáculos como um meio de manter os plebeus afastados da política e das questões sociais. Era, em suma, uma maneira de manipular a plebe e mantê-la distante das decisões governamentais. (...)". "O custo desta política foi enorme, causando elevação de impostos e sufocando a economia do Império." Consultar A política do Pão e Circo e Panem et circenses.

³ Ler Le Monde Diplomatique, edição de setembro de 2011.


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