No início de abril era o (não) licenciado Miguel Relvas quem pedia a demissão. Tarde, mas fazia. No início de julho, o executivo de Passos Coelho continua à frente do desmantelamento dos serviços sociais e dos ataques contra a classe trabalhadora, mas terá de ser sem um dos ministros que mais poder acumularam na equipa neoliberal: Vítor Gaspar.
O Ministro das Finanças do que talvez seja o governo menos legitimado desde o 25 de Abril demitiu-se na noite de ontem (01/07) após a quarta greve geral no país em apenas dois anos. Reconhecido por todao Portugal como um dos principais responsáveis pela pérdida de qualidade de vida de trabalhadoras e trabalhadores, Vítor Gaspar e o seu Ministério têm sido assinalados e apupados quase diariamente. A última vez numa concentração convocada pela Plataforma Que Se Lixe a Troik, que assinalou o Ministério das Finanças como "cena do crime" em vésperas de uma das maiores greves de sempre em Portugal.
A Associação Contra a Precariedade - Precári@s Inflexíveis (ACP-PI) disse que "a saída do ministro das finanças do Governo é uma boa notícia para o conjunto dos trabalhadores e da população, porque se afasta finalmente um dos responsáveis pelo desemprego, precariedade e roubo generalizado contra trabalhadores, pensionistas e população em geral" e lembra que "a única notícia que a esmagadora maioria da sociedade portuguesa quer ouvir é a demissão de todo o Governo e o fim da política da troika."
Isso faz-se a cada dia mais patente, com multitudinárias manifestações exigindo a demissão de Passos Coelho e o seu governo. As massivas e pacifistas manifestações não conseguiram, no entanto, uma reação que permita prever esse final no curto prazo, e o executivo continua decidido a implementar o roteiro da burguesia nacional e internacional, numa deriva totalitária em que pouco se importa a voz das ruas.
Vítor Gaspar queria mais agressões
A luta e as greves do professorado, assim como a geral de passado dia 27 de junho, poderão causar mossa mortal num governo moribundo. Não é a primeira vez em que Passos Coelho nos surpreende continuando à frente apesar da impopularidade e no claríssimo desequilíbrio político.
Os protestos e o escândalo do swaps terão encontrado na capitulação de Nuno Crato ao professorado a gota que transborda o copo. As críticas da troika a essa consecução de trabalhadores e trabalhadoras do ensino empurraram Gaspar para o seu adeus.