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020211_toledoPeru - Revista Fórum - [Lucía Mariana Alvites e Ricardo Jiménez, Alainet] A estratégia dos setores do poder na sucessão de Alejandro Toledo (foto) é clara e persistente:por duas candidaturas de direita no segundo turno. É para isto que apontam as pesquisas divulgadas, que colocam o único candidato perigoso para o sistema com reais possibilidades de ganhar, Ollanta Humala, supostamente estagnado em quarto lugar.


No ano recém passado, uma dezena de transnacionais obtiveram um lucro líquido de 8 bilhões de dólares. Muito acima das remunerações e salários conjuntos de 12 milhões de peruanos, quase 42% da população, no mesmo ano. Segundo estatísticas oficiais, um a cada dois trabalhadores empregados na verdade inventam como podem estes empregos, e muitos ganham abaixo do salário mínimo legal, o qual, por sua vez, chega apenas a cobrir metade do custo da cesta básica mínima de sobrevivência familiar.

São realidades estruturais do Peru atual que o férreo e totalitário monólogo dos meios de comunicação de massa escondem debaixo do tapete de um propagandeado e exemplar crescimento macroeconômico de 7% anual, e que já se vê exatamente quem são os poucos que o desfrutam e quem são os muitos que permanecem excluídos dos seus benefícios. Crescimento este que, além de tudo, se deve quase por completo à entrega da propriedade dos numerosos recursos naturais do país a este reduzido grupo de transnacionais, cujo investimento se divulga como um gesto generoso e vital, o qual não se pode arriscar estragar com impostos em benefício do país, nem com normas trabalhistas ou ambientais, apesar disto não gerar pouquíssimos empregos e quase nada de desenvolvimento. Enquanto, se existem políticas sociais públicas, a corrupção desatada rouba 30 bilhões de dólares ao ano, segundo estimativas oficiais da mordomia da república, e as grandes empresas devem ao tesouro, segundo cifras dos organismos oficiais, 25 bilhões de dólares, que simples e impunemente não pagam.

Ao lado destas realidades estruturais, interatuando com elas, está o controle ideológico, monopólico e totalitário dos grandes meios de comunicação de massa por um punhado de grupos proprietários ligados aos interesses dos que desfrutam do modelo neoliberal mono exportador de recursos naturais. Banalizando e trivializando a vida cotidiana, empobrecendo a informação, a análise e a discussão cidadã, instalando supostas realidades e opiniões, satanizando às figuras incômodas ou perigosas para eles, e lavando as imagens de quem os representa e sustenta.

Entre estas duas grandes correntes de realidade, se move o cenário eleitoral peruano, já em andamento e que vai decidir o novo presidente e os novos congressistas do país no mês de abril próximo. Treze listas de alianças políticas almejam ser eleitas por um eleitorado de 9 milhões de habitantes, a metade dos quais está em Lima, a capital, onde a opinião pública se mostra mais conservadora, diferentemente das províncias, especialmente no Sul, onde predominam as correntes antineoliberais. A estratégia dos setores do poder é clara e persistente: evitar o mesmo risco das eleições anteriores, de 2006, nas quais um candidato neoliberal ganhou quase metade dos votos; nesta ocasião todo o poder midiático está destinado a pôr duas candidaturas de direita no segundo turno. É para isto que apontam as pesquisas divulgadas, que põe o único candidato perigoso para o sistema, quer dizer, aquele que sendo antineoliberal conta com reais possibilidades de ganhar, Ollanta Humala, supostamente estagnado em quarto lugar, depois de três candidatos neoliberais e pró-imperiais: Alejandro Toledo, que consolidou o neoliberalismo em um período democrático, Luis Castañeda, ex-prefeito neoliberal de Lima, e Keiko Fujimori, filha e continuadora do ex-ditador que impôs a sangue e fogo o modelo neoliberal nos anos de 1990.

Nos próximos meses irá se perfilando se é a crise estrutural que oprime as maiorias ou a teimosa cegueira dos setores dominantes e seu monólogo nos meios de comunicação de massa o que predomina. O que quer faça ou deixe de fazer cada qual nesta batalha eleitoral, tem especial relevância esta encruzilhada do povo peruano que afetará sem dúvida o equilíbrio de poder na América Latina. Isto é importante que se considere, especialmente levando em conta que 800 mil eleitores peruanos votam no exterior, sendo metade destes em países da América Latina.

Como em outra decisiva batalha combatida também em território peruano, a de Ayacucho em 1826 contra o poder colonial espanhol, convém aos povos se preparar e avançar “a passos de vencedores”.

Tradução de Cainã Vidor. Fonte: http://alainet.org/active/43922.


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