No dia 9 de abril, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas para apoiar o processo de paz. A manifestação foi promovida pelo grupo ligado ao presidente Manuel Santos.
O aprofundamento da crise capitalista enfrenta dificuldades para fechar as contas públicas e conter o avanço das mobilizações populares. O crescimento econômico caiu nos últimos dois trimestres, de 6% em 2011 para 2,1%. O governo liberou US$ 2,7 bilhões para garantir os lucros dos capitalistas e reduziu a taxa básica de juros para 3,25%, a menor em América Latina.
A escalada militar contra a guerrilha e dos ataques contra os movimentos sociais, enquadrada no Plano Colômbia, iniciado no ano 2000, se esgotou e impôs uma conta enorme nos gastos públicos – US$ 1,6 bilhões de ajuda dos EUA e um exército de 500 mil homens, que consome 7% do orçamento público. Hoje, somente no estado de Arauca, há 20 mil soldados destacados para proteger os oleodutos.
O imperialismo norte-americano passou a impulsionar o chamado agronegócio e a indústria extrativista (ouro, hidrocarbonetos e carvão) como saída à crise, o que, além da necessidade da paz com as guerrilhas, implicou na reacomodação nos grupos de poder, desprivilegiando o setor da burguesia agrária ligado ao latifúndio mais arcaico, da qual o ex presidente Álvaro Uribe é um dos principais representantes políticos. Uma nova "república da soja" e extrativista passará a concorrer com o Brasil e a Argentina, com a grande vantagem de ter acesso direto ao Pacífico – obviamente, uma fabulosa fonte de lucro para os monopólios.
As concessões da burguesia para as FARC e os camponeses só podem ser menores e com a tendência a serem expropriadas no futuro, pois esse é o modelo do agronegócio e do extrativista depredador. O novo ascenso das massas e novos choques com a burguesia serão inevitáveis no futuro.
