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Orlando-ChirinoVenezuela - Opera Mundi - [Gustavo Borges] Além do presidente Hugo Chávez e de Henrique Capriles, outros cinco venezuelanos tentam conquistar a Presidência.


Em poucas semanas, a Venezuela decidirá quem será seu presidente pelos próximos quatro anos. Em 7 de outubro, dois modelos de país se enfrentarão em uma disputa eleitoral qualificada como histórica e definitiva para o futuro do país latino-americano.

Dois candidatos disputam as preferências: o atual presidente Hugo Chávez que, com 14 anos de governo, dedicou a maior parte de sua gestão à inclusão social e a projetar o socialismo do século 21 como um modelo a ser seguido em toda a região, e Henrique Capriles, candidato da oposição que tenta alcançar a primeira posição com um projeto que ele define como o "Caminho em direção ao Progresso".

Mas, atrás dos líderes nas pesquisas, existem outros quatro candidatos menos conhecidos que participam dessa histórica decisão dos venezuelanos. A seguir, um breve perfil deles, suas aspirações e propostas para chegar à Presidência.

"Candidata dos pobres" pediu "ajudinha" para falar de inflação

"Dê-me uma ajudinha, por favor!". María Josefina Bolívar, de 37 anos, visivelmente nervosa em sua primeira entrevista na televisão, oferecida ao canal Globovisión, recorreu em desespero à entrevistadora para responder uma pergunta sobre a inflação na Venezuela – um dos temas-chave da oposição. "Como a senhora vai controlar a inflação?", perguntou a jornalista, ao que Bolívar respondeu: "Bom, gerando emprego, vou controlar a inflação, bem, como posso explicar? (...) Me desculpe, me dê uma ajudinha aqui por favor", pediu Bolívar.

Novo alvo de chacotas na Venezuela, Bolívar se dedica ao ramo de padarias desde os 13 e abriu com o marido um estabelecimento chamado "Miami", em Maracaibo. Para inscrever a candidatura e registrar o Partido Democrático e Unido pela Paz e a Liberdade, Bolívar demorou quatro anos. O CNE (Conselho Nacional Eleitoral) exige 950 mil assinaturas de cidadãos registrados. A padeira começou pelo Estado de Zulia, com o registro regional, e logo foi a Trujillo, Portuguesa, Vargas, Monagas e Amazonas buscando as firmas.

Bolívar afirma que quer ser presidente para ajudar as pessoas humildes. Ela chegou a trabalhar na primeira campanha de Chávez em 1998, mas agora quer lutar por seus próprios ideais. Seu programa de governo está baseado no conceito da democracia participativa e protagônica, dá ênfase à necessidade de restituir e fortalecer a institucionalidade democrática e a independência dos poderes públicos.

Tudo isso potencializado pelo "sistema de governo eletrônico", um conceito criado por ela que permite aos cidadãos "propor soluções, participar no planejamento das mesmas, ser co-executor das soluções e, certamente e mais importante, ser controlador de tudo o que faz o Estado como o último e definitivo beneficiário de todas e cada uma das políticas públicas aplicadas".

Educadora propõe doar U$ 1 milhão a cada venezuelano

Reina María Sequera de Peñaloza, de 49 anos, nasceu em Yacaruy e é licenciada em educação pela Universidade Nacional Simón Rodríguez. Atualmente, é secretária-geral da organização política Poder Trabalhista, com a qual se postula à Presidência da Venezuela.

"Analisamos a grande quantidade de venezuelanos que está na chamada via independente, isto é, os indecisos, descontentes, incomodados ou como queiramos chamá-los, mas estão ali na via independente. Consideramos que era necessário que tivessem um candidato ou uma candidata na via independente, no centro, para uma revisão exaustiva sob o calor dos trabalhadores, que são os que vivem e padecem de todos os problemas, e reivindicar os aspectos que é preciso reivindicar, sair adiante com o cumprimento da palavra dos contratos que tenham a ver com os trabalhadores", afirmou.

O programa de governo apresentado por Sequera se baseia no estabelecimento de um compromisso com todos os trabalhadores que ocupam cargos de gerentes, empregados e funcionários de toda a administração pública e institutos autônomos filiados ao governo, com o intuito de lhes dar estabilidade. Além disso, ela se comprometeu a avaliar e fortalecer todas as missões sociais, maior trunfo do governo chavista.

No entanto, a candidata guardou na manga uma proposta inusitada: entregar US$ 1 milhão a cada venezuelano. Segundo Sequera, o intuito é o de "erradicar a pobreza", o que eliminaria gradativamente "a insegurança e a impunidade".

"Nós defendemos que os excedentes do petróleo – das grandes riquezas que nos dá nosso país, a natureza, nossa bondade de terra que temos – é para todos os venezuelanos", argumentou. Sequera planeja realizar um referendo para que a sociedade opine sobre a administração dos bens da nação. A candidata não descartou trabalhar com Chávez caso ele seja eleito.

Candidato quer levar "o Reino de Deus à Venezuela"

O advogado Luis Reyes Castillo, de 53 anos, nascido no Estado de Yaracuy, é membro da Igreja Evangélica, participou da Assembleia Nacional Constituinte de 1999 e atualmente é do Movimento Cristão Social e Político Organização Renovadora e Autêntica (ORA).

O candidato diz que não crê no capitalismo ou no socialismo. Além disso, passou a maior parte da campanha denunciando supostas violações à lei eleitoral por parte de outros candidatos. Seu programa de governo propõe a construção de uma "república cristã inspirada na vida de Jesus Cristo". Mas como esse novo país irá funcionar é ainda um pouco nebuloso.

Um tema que salta aos olhos é o do sistema penitenciário. Caso seja eleito, Reyes irá colocar nas mãos dos "irmãos e irmãs cristãos evangélicos" as prisões. "A única maneira possível de chegar a uma sociedade de amor, de paz (...) é através da formação cristã, humanista", disse. O candidato quer criar uma nova constituinte para a república cristã venezuelana. "Convoco todos os homens e mulheres dessa pátria para que cruzemos o [rio] Jordão para alcançar a terra prometida, onde não apenas jorra leite e mel, mas também petróleo".

Chirinos propõe trabalhadores no poder

Orlando Chirinos (foto), candidato do Partido Socialismo e Liberdade, sustenta que seu projeto político – existente há mais de 40 anos – é a revolução socialista internacional e a construção do socialismo com democracia trabalhadora.

Sua principal proposta é que o petróleo seja 100% venezuelano e que a renda seja utilizada para elaborar um plano de obras públicas. Chirinos investiu contra Chávez por não considerá-lo de esquerda radical, mas também contra Capriles, por ser "o representante da direita e dos 40 anos do fracasso da AD (Ação Democrática) e do COPEI (Partido Social Cristão)".

O candidato foi o único a se negar a assinar o acordo do CNE, em que os sete candidatos se comprometem a respeitar as diretrizes legais da campanha eleitoral, por não considerá-lo igualitário. "Há um claro oportunismo por parte das instituições e do CNE para falar somente das candidaturas de Chávez Frías e Capriles", reclamou.

Militar quer proposta original do bolivarianismo

Yoel Acosta Chirinos, nascido no Estado de Falcón, é um militar e político venezuelano de 51 anos. Ele fundou o Movimento Bolivariano Revolucionário 200 e participou com Chávez da tentativa de golpe de Estado em 3 de fevereiro de 1992 contra o governo de Carlos Andrés Pérez. Posteriormente, Acosta passeou entre o chavismo e a oposição, e agora se inscreveu como candidato pelo partido Vanguarda Bicentenária Republicana.

O programa de governo consiste na retomada da ideia original da Revolução Bolivariana. "Quando você olha para o horizonte estratégico atual, se dá conta de que a disputa não é entre candidatos, e sim entre projetos políticos", afirma.

"Pela direita, a democracia representativa encarnada em Capriles. Pela esquerda, a vez do socialismo do século 21 encarnada na figura de Hugo Chávez e, no meio, a democracia participativa e protagonista, que é o projeto central da Constituição de 99, produto de um processo constituinte celebrado aqui como nunca antes se fez, e no qual o povo aprovou a ideia da democracia participativa e protagonista".

Acosta expressou durante sua campanha que gosta de Chávez, qualificando-o como companheiro. "Sempre fui coerente com o conceito de ser revolucionário. Creio que hoje estamos vivendo o momento propício para relançar, resgatar os valores que nos impulsionaram em fevereiro de 1992. Nunca antes aquele espírito havia tido tanta vigência como agora, porque é preciso voltar à proposta original do projeto bolivariano que tem agora uma intenção meramente espiritual".


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